Foi confirmada nesta semana a primeira morte por dengue em Erechim neste ano de 2025. O óbito ocorreu no dia 16 de abril. A vítima era um idoso de 68 anos, com histórico de comorbidades. Ele era morador da área de abrangência da UBS Atlântico e estava infectado com o sorotipo 2 do vírus da dengue (DENV-2). Essas informações foram confirmadas pela Secretaria Municipal de Saúde.
O paciente era hipertenso e cardiopata, condições que agravaram seu quadro clínico e levaram ao óbito. Após procurar atendimento médico, foi realizado um exame que detectou a dengue. Ele foi internado e uma amostra foi enviada ao Laboratório Central de Saúde Pública do Rio Grande do Sul (LACEN/POA) para confirmação do diagnóstico, que chegou recentemente.
Com esse registro, Erechim passa a integrar oficialmente a lista de municípios com óbitos por dengue no estado. Segundo o Governo do Estado, o município já é considerado uma área infestada pelo mosquito transmissor da doença.
Casos graves
Em situações de maior gravidade, os pacientes são acompanhados com avaliações clínicas frequentes e exames laboratoriais. Aqueles que apresentam instabilidade clínica são mantidos em ambiente hospitalar até a melhora dos sintomas e dos resultados dos exames, quando então podem receber alta.
Medidas após o óbito
Após a confirmação do óbito, o município intensificou as ações de controle do mosquito Aedes aegypti. As medidas incluem campanhas de conscientização da população sobre o descarte correto de lixo e entulhos, bem como a eliminação de recipientes que possam acumular água. Além disso, as unidades de saúde estão reforçando as notificações de casos suspeitos para que a Vigilância Ambiental possa atuar com ações de bloqueio. Somente em 2025, já foram recolhidas 37 cargas de caminhão de lixo em diferentes pontos da cidade.
Atenção aos sintomas
A população deve estar atenta aos sintomas da dengue, que incluem febre acompanhada de dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, dor atrás dos olhos, náuseas, vômitos e manchas avermelhadas na pele. Ao apresentar esses sinais, é fundamental procurar imediatamente a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência. O uso de repelente também é recomendado mesmo em casos suspeitos, para evitar a propagação do vírus.
Situação atual em Erechim e no Alto Uruguai
Até o momento, Erechim contabiliza:
- 761 notificações de dengue;
- 137 casos confirmados;
- 221 em investigação;
- 118 casos autóctones (contraídos no próprio município);
- 1 óbito confirmado.
Na região do Alto Uruguai, os números também preocupam:
- 1.264 notificações;
- 338 casos confirmados;
- 368 em investigação;
- 284 autóctones;
- 1 óbito confirmado;
A ameaça da dengue e a circulação viral
O mosquito Aedes aegypti é o vetor da dengue. Ele se infecta ao picar uma pessoa doente e, a partir daí, passa a transmitir o vírus a outras. Em locais com clima quente, como Erechim, a transmissão pode ocorrer durante todo o ano, agravada pela circulação de pessoas e pela grande presença do mosquito na região.
Além disso, em 2024, Erechim começou a registrar casos do vírus tipo 2 da dengue (DENV-2), até então inédito no município. Em anos anteriores, apenas o tipo 1 havia sido confirmado. Isso aumenta os riscos, pois quem já teve dengue tipo 1 não está imune ao tipo 2 e infecções subsequentes tendem a ser mais graves.
Dengue grave e fatores de risco
Segundo a chefe do setor de Vigilância Ambiental de Erechim, Maiara Hartmann, o termo “dengue hemorrágica” foi substituído por “dengue grave”. A morte por dengue nem sempre está ligada a hemorragias, mas pode ocorrer por desidratação e agravamento de comorbidades. “A dengue mata, e precisamos levar isso a sério”, alerta a especialista.
Histórico da Dengue em Erechim
2021: 2.612 casos e 3 mortes
2022: 529 casos e 1 morte
2023: 56 casos e nenhuma morte
2024: 853 casos e 4 mortes
2025: 137 casos confirmados e 1 morte (até agora)
Ações de combate e prevenção
A Vigilância Ambiental e os cerca de 40 agentes de endemias de Erechim seguem atuando intensamente. As ações incluem:
- Recolhimento de lixo;
- Visitas domiciliares;
- Orientações à população;
- Eliminação de criadouros do mosquito.
A principal recomendação continua sendo evitar água parada, onde o mosquito deposita seus ovos. A fêmea do Aedes aegypti, que é quem pica e transmite o vírus, é ativa durante o dia e pode contaminar várias pessoas em pouco tempo.
Além disso, o uso de repelente é recomendado, especialmente para quem já teve dengue, a fim de evitar que o mosquito se torne um transmissor.