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Saúde

Uma ergonomia inteligente pode prevenir lesões e aumentar a produtividade nas empresas

Garantir conformidade com as novas diretrizes da NR1 reduz afastamentos e melhora o desempenho da equipe

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Roberta explica que um dos erros mais comuns nas empresas é o desconhecimento sobre ergonomia e sua
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Arquivo pessoal/Roberta Grendene

A prevenção de lesões ocupacionais como tendinites, dores lombares e hérnias de disco pode começar com algo aparentemente simples: o layout do ambiente de trabalho. A disposição dos móveis, a iluminação, o nível de ruído e até a altura da bancada podem impactar diretamente na saúde e produtividade dos colaboradores. Em um cenário em que a ergonomia ganha cada vez mais espaço nas políticas de saúde ocupacional, entender como aplicar esses conceitos pode ser um diferencial competitivo para empresas de todos os portes.

Segundo Roberta Grendene, arquiteta e urbanista, pós-graduada em Patrimônio Cultural em Centros Urbanos e pós-graduada em Ergonomia, o primeiro passo para promover um ambiente de trabalho saudável é garantir espaço de circulação adequado, seja para pessoas, cadeiras de rodas ou maquinários, e adaptar mesas e bancadas à atividade desempenhada. “É preciso considerar altura, profundidade, bordas arredondadas, além de cadeiras com ajustes de altura e apoios de braço, iluminação adequada e controle térmico e acústico conforme parâmetros ergonômicos”, explica. Outros recursos básicos incluem o uso de apoios para os pés, mouse pads ergonômicos e disposição funcional de equipamentos e materiais.

No entanto, a ergonomia vai muito além do mobiliário. “É fundamental observar o tempo que o colaborador passa na mesma posição, a frequência das pausas, se há movimentos repetitivos ou flexões de coluna”, destaca Roberta. Essas variáveis precisam ser avaliadas de forma contínua para evitar o surgimento de lesões que impactam não apenas a saúde do trabalhador, mas também a produtividade da empresa.

Ergonomia e produtividade: uma relação direta

A ergonomia avalia cinco grandes fatores de risco: biomecânicos, mobiliários, ambientais, organizacionais e psicossociais. Todos eles influenciam diretamente a produtividade. Quando ignorados, podem gerar desconforto, afastamentos, queda de desempenho e até aumento da rotatividade. Já quando aplicados corretamente, os benefícios são evidentes.

“Ao implementar ergonomia com foco nos problemas identificados, o trabalho flui melhor. Processos se tornam mais ágeis, conflitos são evitados, e o clima organizacional melhora”, afirma Roberta. Entre os principais ganhos observados estão:

- Redução de acidentes de trabalho;

- Menor número de afastamentos;

- Aumento da satisfação e do engajamento;

- Melhoria na eficiência e nos resultados;

- Retenção de talentos e diminuição do turnover;

- Economia com multas e ações judiciais trabalhistas.

Principais erros e seus impactos

Um dos erros mais comuns nas empresas é o desconhecimento sobre ergonomia e sua aplicação prática. Mobiliários improvisados, ambientes mal projetados, deslocamento excessivo entre setores e ausência de equipamentos adequados para transporte de cargas estão entre os problemas mais recorrentes. Esses erros podem resultar em lesões físicas como dores lombares e tendinites, além de transtornos psicológicos como estresse e ansiedade.

A nova NR1 e os riscos psicossociais

Com a atualização da NR1, que entra em vigor em 26 de maio de 2025, será obrigatória a inclusão dos fatores de risco psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Embora a nova diretriz tenha um caráter educativo até 2026, empresas que não se adaptarem a tempo poderão sofrer penalizações a partir do dia 26 de maio de 2026.

“É bom não deixar para última hora, pois as fiscalizações irão acontecer”, frisa a profissional. É preciso que o empregador tenha a compreensão de que as ferramentas utilizadas para as avaliações devem ser ferramentas validadas. Para isso ele pode solicitar que se apresentem estas ferramentas para seu conhecimento e até mesmo decisão de quais utilizar.

Outro ponto importante que se refere aos riscos psicossociais, somente profissionais com conhecimento na área estarão capacitados a fazerem as avaliações.

A arquitetura do ambiente passa a ter papel fundamental nesse cenário. Um espaço funcional, com ventilação adequada, luz natural, áreas de descanso e layout que favoreça a integração entre equipes, contribui para a saúde mental e o bem-estar dos colaboradores. “É preciso estudar profundamente os processos da empresa para criar um layout dinâmico, que minimize o estresse e promova relações interpessoais saudáveis”, pontua Roberta.

Integração da ergonomia à cultura organizacional

A avaliação ergonômica preliminar (AEP) e o inventário de riscos são ferramentas essenciais na adequação à NR17 e à nova NR1. A inclusão dos fatores psicossociais deve ser feita por meio de entrevistas e uso de metodologias reconhecidas, como a ISO 45003. “Treinamentos, atividades laborais, quick massage e palestras são exemplos de ações que podem impactar positivamente os aspectos mentais e relacionais dos trabalhadores”, acrescenta.

Roberta reforça que os documentos ergonômicos devem ser “vivos”, ou seja, constantemente atualizados. “Qualquer mudança na estrutura da empresa, seja contratação, aquisição de novos equipamentos ou alteração de layout, exige a reavaliação dos riscos. É essa gestão contínua que evita surpresas e prejuízos.”

A ergonomia deixou de ser um diferencial e passou a ser uma exigência estratégica. Mais do que evitar dores e desconfortos, um espaço de trabalho bem planejado promove saúde, produtividade e engajamento. Com as novas diretrizes da NR1 se aproximando, investir em ergonomia é investir no futuro da empresa e no bem-estar de quem a faz acontecer.

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