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Nome de rua imortaliza a vida e a história de Dulce Maria Caldart Reato

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Grupo Amigos da Alegria presente na homenagem.JPG
Por Assessoria de imprensa
Foto Carlinhos – ASSECOM – Poder Legislativo

Na primeira sessão ordinária após as eleições municipais de 2 de outubro, o Poder Legislativo aprovou, por unanimidade, nesta segunda (3), o Projeto de Lei Legislativo, de autoria do vereador Alderi Oldra (PT), que denomina artéria de nosso município de Rua Dulce Maria Caldart Reato – Professora, localizada no Loteamento Rio Tigre 3.

Na oportunidade, a presença de familiares, amigos e convidados que participaram de um momento de grande emoção devido a sua trajetória de vida, trabalho comunitário e na área de educação. Com o Plenário lotado, a emoção tomou conta de todos os presentes.

Dulce casou-se com Ciro Alcides Reato no dia 10 de janeiro de 1970, industrialista, que faleceu em 20 de março de 1982 decorrente da explosão da caldeira a vapor da empresa onde trabalhava. A partir daí, Dulce assumiu o papel de pai e mãe das duas filhas, Lenara e Cristiane.

Cultivava uma profunda espiritualidade, motivação e vontade de ajudar o próximo. “Nunca lhe faltou coragem, vontade de trabalhar e extrema dedicação ao outro. Sua vida e história foram pautadas por sua grandeza e nobreza de alma. Sua obra, aqui na terra, a eternizou por sua humanidade, compreensão e divindade”, pontuou Oldra.

Graduada em Língua Portuguesa e Especialista em Ensino Religioso, Dulce foi professora estadual e de instituição privada. Só no Estado, atuou por trinta anos. Passou pelas Escolas Estaduais de Primeiro Grau Polígono Vinte e um de Abril, de Primeiro e Segundo Graus Dr. Sidney Guerra; 15ª Coordenadoria Regional de Educação como supervisora de Ensino Religioso e Magistério; Colégio São José e atuou, ainda, como professora nos Cursos de Extensão Universitária na URI Campus de Erechim, UPF de Passo Fundo e La Salle de Canoas, bem como nos Cursos de Teologia de Erechim e de Passo Fundo. Ainda na área da educação, como criadora de uma consciência crítica, incentivava os alunos para que desenvolvessem a capacidade de refletir sobre a vida, os problemas e desafios que pautam a sociedade.

“Pregava o respeito profundo ao ser humano, que era preciso criar e cultivar profundos laços de amizade. Construir uma vida digna, repleta de amor, esperança, fé e de sentido. Que a paz interior fosse resultado de doação, de ajuda, de solidariedade e de perdão. Aconselhava para que as pessoas vivessem com alegria, motivação, paixão e garra na busca da realização de seus sonhos e projetos. Aconselhava, ainda, para que as pessoas se amassem se perdoassem”, lembrou.

Dulce exerceu trabalhos voluntários junto à Pastoral da Educação; do Conselho do Ensino Religioso; da Pastoral da Juventude; da Família e do Grupo de Leigos de Santa Madre Bernarda, da Diocese de Erechim. Foi catequista da Catedral São José por muitos anos e coordenou grupos de jovens, dentre eles se destacava o ECOS da mesma Paróquia.

Dulce era devota de Nossa Senhora de Fátima, Santa Madre Bernarda e tinha como modelo em sua vida Maria. Cantava ainda no Coral Nossa Senhora de Fátima, assessorou encontros formativos de professores e ministros. Proferiu palestras e reflexões junto aos grupos da Melhor Idade. Fazia parte da Kapela do Grupo Folclórico Polonês de Erechim – JUPEM, como violinista.

Dedicou-se a muitos trabalhos sociais junto à Associação dos Recicladores Cidadãos Amigos da Natureza, Obra Promocional Santa Marta e, como prática pedagógica, com os estudantes do Colégio São José atuou junto às Entidades Sociais existentes nos bairros – “Educando para a Solidariedade”. Era muito sensível à dor e ao sofrimento do semelhante, prestando-lhe seu conforto e apoio incondicional.

Desde 2010 Dulce estava em tratamento quimioterápico, decorrente de câncer. Aceitou o desafio e fazia dele uma aprendizagem e entregou nas mãos de Deus a decisão. “Não se acomodou; estava pintando em tela; bordando tapete; era muito organizada; tinha ainda como terapia a música e as leituras; acolhia a todos exercendo a pastoral da escuta, animando sempre para a fé, a esperança e a solidariedade. Dulce adorava flores e amava a Mãe Terra. Encantava-se com o nascer e o pôr do sol. Observava e arrebatava-se com a lua e as estrelas. Plantava e cultivava rosas, frutas cítricas e verduras”.

Ao passar por essa nova experiência em sua vida, conheceu a realidade dos cancerígenos, familiares e cuidadores, bem como a atuação dos “Doutores da Alegria”, em São Paulo. Aqui em Erechim uniu-se aos médicos, enfermeiras e voluntários e construiu o projeto “Amigos da Alegria de Erechim” (atuantes até hoje na cidade). Vestiam-se de palhaços e atuavam, uma vez por mês, junto ao Centro de Oncologia Clínica Santa Mônica, Hospital Santa Terezinha, Hospital de Caridade, CAOL e Lar dos Velhinhos. A ação era gratificante.

O grupo abraçava, escutava, brincava, cantava, tocava e assegurava um dos objetivos dos Amigos da Alegria: potencializar relações saudáveis entre atuação de palhaços, pacientes, familiares e cuidadores, trazendo, assim, para o ambiente hospitalar uma transformação da realidade, onde a medicina, a alegria e a espiritualidade eram a expressão de todo esse processo de profunda mudança e de cura. Como lema: “amigos da alegria irradiando esperança em todos os corações”.

Na oportunidade, Oldra destacou que, por ocasião de um evento promovido pela URI Campus de Erechim quando foi escolhida como “Mulher:  Doce Fortaleza”, Dulce declarou: “Deus é tão bom que colocou ao meu lado uma pessoa maravilhosa – Rovilio Collet. Somos namorados e somos um para o outro e para os nossos filhos respeito, amor, entre ajuda, fortaleza. Atuamos juntos em várias frentes, levando a alegria e a esperança a todos que de nós se aproximam. Vivemos muito pelos nossos filhos  Lenara, Cristiane, Rafael, Ariane, Diego e Andressa, bem como pelos nossos genros Luiz Henrique, Mateus, Francisco e Marcelo, nossa nora Renata e pelos nossos netos Pedro Henrique, Lucas e a Luíza”.

“A homenagem foi uma grata surpresa. Vivenciou grandes emoções, alegrias e gratidão. Foi às lágrimas. Sentiu-se mais ainda comprometida. E como cidadã erechinense, educadora e voluntária, sempre teve a ousadia de atuar em projetos humanos que dignificavam e tornavam as pessoas ainda mais livres e felizes”.

“Mulher Doce Fortaleza, Dulce Reato, madrinha do meu casamento,  foi a primeira pessoa que procurei em 1995, no dia em que eu saí do Seminário, após 15 anos de vida seminarística. Ela me ouviu, aconselhou e me indicou para iniciar minhas atividades como Professor na Escola de Educação Básica da URI Erechim, permanecendo por lá, durante 15 anos. Esta era uma prática a todos, indistintamente, que chegavam até ela. Uma ouvinte e conselheira. Professora Dulce sempre afirmava “Deus Existe!”. Um exemplo de mulher, mãe e companheira. Parabéns aos familiares por terem uma pessoa tão especial na família de vocês. Obrigado”, finalizou.

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