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Esportes

Quem faz acontecer além das 4 linhas

Da manutenção à torcida, aqueles que vivem e cultuam o clube do coração escrevem e contam a história do futebol

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Há 17 anos, Emenegildo Laurentino, conhecido como “Viaduto”, atua na manutenção geral do Colosso da
Por Marina Oliveira com supervisão de Carlos Silveira
Foto Marina Oliveira

Tem sentimento que não se explica, nem se sabe ao certo quando ou como começou, só se sente, desde o tempo que a memória alcança. Quem diz que futebol, religião e política não se discutem, certamente desconhece a sensação calorosa e arrebatadora que a identificação é capaz de causar. É o poder da presença, de corpo e alma, porque durante pelo menos 90 minutos, nada mais importa. Muito além das 4 linhas, a verdade é que o futebol é político e não apenas se discute, e sim se vive, religiosamente.

Sejam nas boas ou nas más, a presença de quem faz acontecer fora dos gramados se mantém. Jogadores vem e vão, se tornam ídolos, deixam sua marca na história do clube. Mas e quem fica? Aqueles que vivem e cultuam o time do coração, esses escrevem e contam a história. Paixão essa capaz de dar origem a um legado, afinal, foi da união de um grupo de entusiastas do futebol que nasceu o Ypiranga Futebol Clube de Erechim.

 

Desde sempre

“Torço desde sempre”, é o que relata Mateus Presotto Balen, de 40 anos, que acompanha o Canário desde a infância. “Quando eu era criança, lembro de ‘descer’ a Av. Sete de Setembro a pé com meu pai para o campo, ver o Canarinho. Sempre levando uma almofada ou jornal e o radinho de pilha. Lá quase sempre encontrávamos um tio, primo ou amigo e assistíamos o jogo juntos, normalmente atrás da goleira, próximo da entrada”.

Mateus conta que, por muito tempo, o Colosso da Lagoa foi o único “estádio grande” que frequentou, e destaca as idas ao estádio como uma das maiores experiências que viveu ao lado do pai. “Assim começou minha relação de amor com o Canarinho. Lembro de grandes vitórias contra times da série A e de grandes dificuldades técnicas e financeiras na série de acesso do gauchão no início do século atual. Mesmo assim, isso nunca foi um empecilho para não irmos ao estádio”.

O Colosso da Lagoa, que para o pequeno Mateus era a definição de um “estádio grande”, para Walmor Vanz, de 66 anos, o local já se tornou lar. “Comecei a torcer pelo YFC em 1964, quando ao lado da casa dos meus pais morava o lateral Mario Carazinho. Lembro de perguntar para minha mãe quem era o vizinho, e foi aí que iniciou minha relação com o Clube”, comenta Vanz.

O torcedor evidencia o papel fundamental da mãe na consolidação do sentimento que desenvolveu pelo Ypiranga, e conta que na adolescência ela participava da torcida “As legionárias”, primeira torcida organizada na história do Ypiranga de Erechim, composta apenas por mulheres, que também vendiam botões de rosa para ajudar financeiramente o Clube.

“A relação que tenho com o Ypiranga é de paixão eterna, e o Colosso da Lagoa é minha segunda casa”, completa Vanz.

 

Segunda casa

Há 17 anos, Emenegildo Laurentino, 47 anos, atua na manutenção geral do Colosso da Lagoa, trabalho que possibilita ao “grande estádio” ser identificado como a “segunda casa” daqueles que vivem o Ypiranga Futebol Clube. Carinhosamente conhecido como “Viaduto”, ele é o responsável, junto à equipe de profissionais que mantém o estádio, por tornar o ambiente acolhedor aos jogadores, à comissão técnica, aos torcedores e visitantes.

São essas pessoas que atuam fora das 4 linhas que fazem tudo acontecer em campo e nas arquibancadas, possibilitando aos entusiastas do futebol que experiências de 90 minutos fiquem marcadas para sempre na memória.

Fato é que Viaduto é parte da história do Ypiranga, e vice-versa. Quando chegou, há mais de uma década atrás, o técnico de manutenção não costumava acompanhar o esporte. Acontece que, de lá pra cá, muita coisa mudou. “Digamos que não sou muito chegado no futebol de outros times, mas quando se trata do Clube, daí a conversa é outra, né?”, diz.

“Houve momentos de emoção, horas que foram de, digamos, sentimento. Há 17 anos o time estava na segunda divisão, quando eu cheguei aqui, então foi aquela emoção de ver ele subir para série A do Gauchão. Com o passar do tempo, lá em 2012, ele caiu de volta, e foi novamente a sensação de insegurança. Mas futebol é assim, acontece”, relata Viaduto.

Paralelo aos trabalhos de pintura, solda e alvenaria, a relação de Viaduto com o YFC foi sendo construída, revelando mais um potencial ídolo do Clube. Afinal, para além da estrutura, o técnico de manutenção busca preservar a história do Ypiranga, demonstrando carinho e cuidado com todos que ali se sentem em casa, sejam eles do Canário, ou visitantes, como os quero-queros.

“Já conheço os quero-queros, esses aqui só fazem barulho, mais nada. Então eu gosto de preservar, eles são mais bravos quando têm ninho, por isso protejo os ninhos para que os filhotes se criem. Quando estou no campo, em dia de jogo, pego os filhotes e afasto eles do gramado, para protegê-los. É uma paixão que desenvolvi pelo trabalho, estou todo esse tempo aqui porque gosto do que faço, me apeguei ao Clube”, completa Viaduto.

 

Clube de todos

A casa do Canarinho, que há tempos hospeda torcedores, visitantes e quero-queros, agora conta também com espaço especial para os animais de estimação. Torcedores que desejam ir acompanhados de seus bichinhos aos jogos do Ypiranga poderão usufruir das áreas reservadas para pets e tutores, tanto no setor superior quanto nas arquibancadas.

Assim, o Ypiranga se torna o primeiro clube do Estado a contar com um espaço exclusivo para animais de estimação dentro do estádio. Para a próxima partida em casa, que acontece no domingo, 9, contra o Guarany de Bagé, o espaço já estará aberto ao torcedor.

(Texto produzido por Marina Oliveira com a supervisão de Carlos Silveira)

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