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Aproveite (toda) a viagem

Rota das Pontes é a primeira iniciativa focada em cicloturismo na região do Alto Uruguai

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Por Marina Oliveira com supervisão de Carlos Silveira
Foto Márcio Antônio Simon

“O caminho se faz caminhando”, assim é intitulada a obra de Freire e Horton que, embora trate a respeito do campo de pesquisa dos educadores, serve também como um lembrete de que a jornada pode ser tão gratificante quanto chegar ao destino. Se só se aprende a caminhar praticando, o caminho é o responsável por possibilitar a compreensão desse processo.

Para descobrir como apreciar o percurso, talvez seja necessário viajar, e uma alternativa interessante e capaz de auxiliar nessa busca é o cicloturismo, modalidade de uso da bicicleta que consiste na união entre mobilidade, lazer, turismo, cultura e esporte.

Foi o amor por viagens e por pedalar que fez com que o livreiro e ciclista Márcio Antônio Simon decidisse planejar mais uma viagem. O destino? Compartilhar o cicloturismo com a região do Alto Uruguai. Simon é fundador e presidente da Associação Ciclo Turística do Alto Uruguai (ACAU), registrada no dia 13 de janeiro deste ano, e que tem como objetivo incentivar e fomentar a prática, além de fiscalizar ações envolvendo o ciclismo na região.

“A ACAU nasceu de uma vontade de divulgar o cicloturismo em todo o território da Associação de Municípios do Alto Uruguai (AMAU), principalmente, que são os 32 municípios. Existem muitas associações de ciclismo importantes para a região, porém esses órgãos são voltados a competições, que contam também com passeios, mas o foco está nas competições. Então a ACAU surge para ser o diferencial no cicloturismo, que é uma modalidade diferente, mais calma, tranquila, destinada também às pessoas que não têm uma bicicleta no nível de competição”, destaca Simon.

Ele explica que a modalidade não exige equipamento profissional e de alto custo, basta “qualquer bicicleta, capacete, luzes de sinalização traseira e dianteira e, é claro, vontade de pedalar”.

Entusiasta também dos livros e das viagens no tempo que a leitura proporciona, Márcio conta que, embora o cicloturismo possa soar como algo recente, a prática existe desde a invenção da bicicleta, história a qual ele aponta estar diretamente relacionada à autonomia feminina.

“O cicloturismo é a junção de duas vontades, duas paixões. Todo mundo gosta de viajar, são pouquíssimas pessoas que não gostam, e tem muita gente que gosta de pedalar. Então por que não juntar as duas e viajar pedalando? Foi daí que surgiu o cicloturismo, isso desde que se inventou a bicicleta. Inclusive a história da bicicleta tem tudo a ver com isso, porque ela foi um diferencial na época, principalmente para a mulher. A bicicleta foi o auge do feminismo na época porque mulheres dificilmente saíam de casa e a bicicleta proporcionou isso”, relata.

Mas as contribuições dessa modalidade não param por aí, afinal as viagens de cicloturismo reforçam questões fundamentais como saúde física e mental, de sustentabilidade e preservação do meio ambiente. Além disso, o fortalecimento do comércio local e o pequeno produtor rural, porque quem viaja de bicicleta não tem como levar muita coisa, a bagagem é reduzida e o consumo acontece durante o percurso.

 

Rota das Pontes

Foi pensando nas contribuições do cicloturismo que Márcio mapeou um trajeto para essa prática na região do Alto Uruguai, denominado “Rota das Pontes”. “O caminho recebeu esse nome porque descobri que existem muitas pontes na nossa região. Quando tracei o trajeto, fui conhecendo e fechando quase um desenho no mapa. Esse mapa foi inspirado em um livro da AMAU, cuja capa me deu a ideia de desenhar esse trajeto pedalando”, conta o ciclista.

O centro da rota é Erechim, com vários acessos a partir do município. O trajeto passa por Aratiba, Severiano de Almeida, Áurea, Viadutos, Marcelino Ramos, Charrua, Getúlio Vargas, Ipiranga do Sul, Jacutinga, Campinas do Sul, Cruzaltense, Entre Rios do Sul, São Valentim, Barão de Cotegipe e retorna a Erechim.

“O cicloturismo fortalece o comércio local, porque na viagem é preferível consumir algo fácil e rápido, além de que em grandes estabelecimentos não é seguro deixar a bicicleta do lado de fora. Então a escolha é geralmente parar na vendinha, no mercadinho, na padaria, sempre se leva alguma coisa pra viagem. Pode não parecer, até porque apenas um ciclista durante o dia de viagem vai ter um consumo tranquilo, mas um grupo de ciclistas viajando na rota alimenta a economia local”, explica.

Ao considerar essas questões, Márcio diz que a ideia da ACAU é cadastrar estabelecimentos ao longo do trajeto, assim o ciclista já vai saber que será bem-vindo nesses locais. “Ele vai escanear um QR Code no mapa e, por exemplo, se quiser comprar frutas perto de Severiano, saberá que pode ir à ‘fruteira do seu João’, na ‘vendinha da dona Maria’, que estarão cadastradas na Associação”.

Essa é a primeira iniciativa focada em cicloturismo na região do Alto Uruguai, e uma das poucas propostas da modalidade no Estado. O trajeto da Rota das Pontes compreende 440 km já mapeados, que serão sinalizados posteriormente, com a ajuda dos associados, para ter pontos de apoio. 

O presidente da ACAU destaca que todo o trajeto já está no Strava, disponível para quem quiser baixar e seguir a rota. “O percurso é muito diverso: há casas antigas, áreas de mata fechada, rios tranquilos para descansar, fazendas e plantações. É uma região muito rica, e com muitas subidas, o que ciclistas adoram porque sempre vem a descida depois”. (Texto por Marina Oliveira com supervisão de Carlos Silveira)

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