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Opinião

A magia do Natal num tempo de esperança – 4

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Por Marlei Carmen Reginatto Klein

A comemoração do natal pelo mundo- o significado religioso domina o natal dos italianos

 

O Natal, para os italianos e seus descendentes, significa reconciliação, encontro com a família e o nascimento do Menino Jesus. É a festa maior do ano e comemorada, especialmente, com a família. Ele é cheio de tradições, sempre ligadas ao significado religioso. Um dos aspectos mais simbólicos é o presépio montado sob a árvore de Natal. O primeiro presépio surgiu com São Francisco de Assis. Ele armou o primeiro e, hoje, é uma tradição que se espalhou por todo o mundo. Francisco colocou as imagens de José e Maria ajoelhados ao lado do Menino. Mas, não somente as famílias cristãs, católicas, ortodoxas e evangélicas fazem do Natal a sua grande festa. A solidariedade e a união, na lembrança do Menino na manjedoura, envolvem todos ao redor do mundo. A reunião da família ou de encontro com amigos, na noite de Natal, é uma forma de amizade, de agradecimento, de reconhecimento, gratidão e estima.

 

Na noite de Natal

O grande momento é o encontro em família, sempre comemorado ao redor de uma boa mesa. Todas as casas preparam o “ cenone”, a ceia de Natal. Ao redor da mesa, todos ficam em pé, em silêncio. O anfitrião ou o chefe da família faz uma oração agradecendo o encontro, a amizade e as dádivas recebidas durante o ano.  Cantam algo alusivo e, então, todos se abraçam. Inicia a refeição. Esta é preparada com a ajuda de alguns. Os pratos variam de região para região. Principalmente, no norte, na região montanhosa, o prato principal é o cabrito ou ovelha assados. Avelãs e nozes são servidas com o vinho, pois faz muito frio. O comum também é fazer peixe.  Após, um bom café com “strufulli” – doce feito com massa frita, mel e nozes. Uma iguaria, muito comum, não muito conhecida no Brasil, é o Pandoro. Assemelha-se a um panetone, mas a sua massa é leve, amanteigada, dourada e de textura esponjosa. Atualmente, o encontramos, em boas casas do ramo, em belas embalagens.

 

Veneza- Natal na Praça de São Marcos

Era a semana do Natal. Fazia muito frio. Um sol muito pálido aparecia e o vento corria solto pela esplanada. Os turistas eram poucos, mas a população se apinhava na Praça de São Marcos. São Nicolau – o Papai Noel – ou o Bobbo Natale estava chegando de gôndola. Todos pareciam não se importar com a temperatura. Especialmente as crianças corriam para recebê-lo. Alegremente, ele agitava sininhos e distribuía guloseimas. A Praça, o centro de Veneza, é lindamente decorada. Barraquinhas vendem produtos típicos, não faltando a cidra e o vinho quente. No ar, um delicioso aroma de café, sendo preparado. Doces e pães de mel atraem o olhar. O vento trazia o aroma das castanhas assadas em braseiros. Elas são vendidas, quentinhas, em pequenos cones de papel. São colhidas no outono e, nas montanhas italianas, acontece a Festa da Castanha.  Uma das comemorações mais importantes. Tudo pode ser feito com essa castanha: pratos doces ou salgados.

 

Roma- no período natalino

Roma é eterna e emocionante. Uma República proclamada no ano 509 a.C. Desde então, todos os caminhos conduzem a ela. A Cidade Eterna transparece em cultura. Repleta de cafés em suas praças, que, neste período, não deixa esquecer o gostoso café italiano acompanhado de doces típicos e de pães de mel. Logo se divisa a imponente Basílica de São Pedro. Ela cobre uma área de 23 mil metros quadrados e pode acolher 60 mil pessoas. Sob o altar principal, estão os restos mortais de São Pedro. A Basílica é usada somente em grandes festas ou importantes eventos. A Missa do Galo, rezada pelo Papa, é transmitida para o mundo todo. Uma cerimônia tocante acompanhada pelos Meninos Cantores, que encantam pelas vozes e pela apresentação impecável.

Na praça, defronte à Basílica, há um presépio com figuras de arte artesanal de tamanho natural. Ao seu lado, um pinheiro com 26 metros de altura. Esta árvore, todos os anos, é doada por um diferente país ao Vaticano. Ela é ali colocada no início do Advento.

 

O presépio na Basílica de São Pedro

Muito grande a emoção ao perceber a grandiosidade da Basílica, sua história, suas imagens e esculturas. A principal obra é a original “Pietá” de Michelangelo, num altar lateral. Ela é o centro mundial do catolicismo e seu local é a referência. Na época do Natal, seu Presépio está armado ao lado esquerdo da entrada principal. Belíssimas imagens, quase em tamanho natural, mostram, em sequência com movimento de luzes, cenas do nascimento em Belém. Iniciam iluminando o Campo dos Pastores com o anúncio do Anjo. As cenas culminam com a chegada dos Reis Magos. Luzes claras mostram o dia, o frio e a neve. Luzes da noite mostram o céu estrelado, a Estrela do Oriente e o aconchego na simplicidade da manjedoura. Tudo, de muita beleza, leva a imaginação para um real do que, uma vez, aconteceu.

 

O Natal para os italianos

Ele deve ser comemorado com os familiares. Dessas reuniões, sempre rumorosas, cercada por queijos, frutas secas, vinho tinto e panetone, que só é preparado nesse período do ano. Na Itália, desde o primeiro dia de dezembro, sente-se uma festividade diferente no ar e é tradicional, na região central do pais, homens vestidos de pastores descerem das montanhas tocando uma gaita, fabricada por eles mesmos, cantando canções folclóricas, para anunciar o nascimento de Cristo. Às dez horas da noite, a cidade silencia. Todos estão em casa, festejando. O clima de festividade vai até o dia 6 de janeiro, quando se comemora a Epifania – chegada dos Reis Magos ao presépio. Nessa ocasião, sobretudo, é quando que se distribuem os presentes às crianças. Que todos tenham tido um Buon Natale.

 

 

 

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