A ansiedade se consolidou como a palavra do ano de 2024 para 22% dos brasileiros, refletindo um cenário preocupante em termos de saúde mental no país. O Brasil ocupa uma das primeiras posições no consumo de medicamentos ansiolíticos e antidepressivos, destacando a crescente preocupação com os transtornos relacionados à saúde mental. A pressão social, a cultura do trabalho excessivo e a exigência de se cumprir objetivos no fim de ano são apenas alguns dos fatores que alimentam esse quadro.
Ansiedade no final do ano
O fim de ano, com suas festas e comemorações, é um período em que a ansiedade tende a se intensificar. Além das cobranças para cumprir metas, as festividades exigem preparação e podem forçar convivências familiares que, muitas vezes, não são genuínas. Esse cenário cria um ambiente ideal para o estresse, como observa a psicóloga, que afirma que 80% das pessoas ficam mais ansiosas durante as festividades de dezembro.
A pressão social para criar a "imagem perfeita" nas redes sociais, especialmente durante o Natal e Ano Novo, também contribui para a escalada de ansiedade. “O consumo excessivo de álcool e as expectativas irreais, reforçadas pelas redes sociais, podem prejudicar ainda mais a saúde mental”, alerta a psicóloga e professora da URI, Letícia Ribeiro S. Pinheiro
Fechamento de ciclos
O conceito de "fechar ciclos" e cumprir com objetivos no final do ano é frequentemente usado para aumentar a pressão sobre as pessoas, que se sentem obrigadas a concluir tudo antes de 31 de dezembro. Esse estresse gerado pela correria interna e externa pode ser prejudicial. “Fechar ciclos é algo muito pessoal e deve ocorrer no tempo de cada um, sem pressões externas”, sugere a psicóloga.
O imediatismo e a ansiedade
Vivemos em uma geração marcada pelo imediatismo, onde o retorno rápido é esperado. No entanto, isso tem gerado uma falta de introspecção. Ao se sobrecarregar com a necessidade de mostrar aos outros que se tem algo ou está vivendo algo, as pessoas não têm tempo para se olhar e se reconhecer.
O consumo de ansiolíticos e antidepressivos no Brasil, elevado quando comparado a outros países, reflete um aumento na busca por soluções rápidas para os problemas emocionais. Embora o Brasil tenha acesso a uma rede de serviços de saúde mental, incluindo o CVV (Centro de Valorização da Vida) e plataformas online de baixo custo, o preconceito sobre buscar ajuda ainda existe.
Autocuidado e buscando ajuda
Letícia alerta que, caso os sintomas de ansiedade se agravem após as festas de fim de ano, é essencial buscar ajuda. A qualidade do sono, das relações e da alimentação deve ser observada, e metas realistas para o ano seguinte devem ser definidas sem se sobrecarregar.
A popularização de diagnósticos, como o transtorno do espectro autista e TDAH, e o risco da automedicação, reforçam a necessidade de um acompanhamento psicológico adequado. O diagnóstico correto é crucial para que o tratamento seja eficaz e seguro.
Apoio para quem precisa
Além da rede pública de saúde, em Erechim, o Centro de Psicologia Aplicada da URI oferece atendimento gratuito à população, de acordo com determinados requisitos.
O serviço visa apoiar pessoas com renda familiar abaixo do limite estabelecido, ajudando aqueles que não têm condições de pagar por consultas particulares.
Para saber se você se enquadra nos critérios, é preciso comprovar que se reside em Erechim e apresentar comprovantes de renda dos membros da família e CPF.
Para mais informações, ligar no telefone (54) 3520-9000.
O Centro funciona das 8h às 12h e das 13h30min às 17h30min e volta a atender a partir de 2 de janeiro.