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Opinião

Memórias de Viagem: Norte da Europa – Escandinávia – Países Bálticos

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Por Marlei Klein

Lituânia – Klaipeda

É o único porto da Lituânia e a sua terceira principal cidade. Como toda a Lituânia, Klaipeda, antiga Memelburgo, foi governada pelos soviéticos desde o final da Segunda Guerra Mundial até o ano de 1991. Foi também dominada pela Alemanha o que revela muito da sua arquitetura e da sua culinária. Depois de 1991, conquistou a sua independência. Nela restam poucos monumentos que lembrem os soviéticos. Mas, algumas áreas construídas ainda revelam a presença que foi deles durante quase 50 anos.

 

Klaipeda e sua arquitetura

A descoberta do “âmbar fossilizado” moldou a sorte da cidade. Esta possui algumas belezas arquitetônicas como: o Museu do Relógio, o prédio neogótico do Correio e um antigo quartel militar que abriga a Universidade de Klaipeda.  Mas, ainda há uma diversidade de estilos arquitetônicos que a fazem rica em beleza e história.              

 

Cidade turística de Palanga

Saindo de Klaipeda, por curta distância, chega-se à charmosa Palanga. Inicia-se pelo Parque Botânico, onde uma mansão do século XIX, em estilo neorrenascentista, abriga o maior Museu do Âmbar do Mar Báltico. O Âmbar- é uma resina fóssil encontrada junto a uma espécie de pinheiro nas costas do Mar Báltico. Sua cor é de vários tons de amarelo – do suave ao forte – é semitransparente e possui valor. É usado em joias e como detalhes na arquitetura.  

 No Museu do Âmbar aprende-se como é feito o seu processamento – desde a sua retirada da natureza até o seu uso em joias, principalmente. Muitas maravilhas de joias são em combinação do ouro do Báltico com o âmbar. São várias mostras preciosas e de muitos modelos. No final, há uma loja onde se pode adquirir joias e lembranças, lindas, de viagem.

O exemplo maior do uso do âmbar, em arquitetura, está no Palácio da Catarina- a Grande - em São Petersburgo. Durante a Segunda Guerra Mundial, os nazistas invadiram o palácio e roubaram todo o âmbar que forrava um dos seus mais belos salões. Levaram uma quantidade enorme de placas e que nunca mais foram encontradas. Não faz muito tempo, o governo russo gastou milhões de dólares para forrar novamente as paredes da bela Sala de Âmbar do Palácio da Catarina. Quando a visitamos, ela encanta e deslumbra pela riqueza. Dá a impressão de ser eternamente invadida pelo sol e brilhar através dos seus belos vitrais.                   

 

Andando por Palanga

Na sua rua de pedestres, há sempre muita animação – muito visitada por turistas. Na Theatre Square há um símbolo do amor romântico e a história dele: uma escultura de Annschen de Tharau adorna uma linda fonte. Ao redor da praça encontram-se lojas, bares e restaurantes. É possível conhecer a gastronomia local – cozinha dos países bálticos com um toque de cozinha alemã. Antigamente, a sua culinária resumia-se com o que era encontrado nas florestas: frutas silvestres, cogumelos e caça – alces, cervos, faisões e renas. Hoje, os sabores são bem marcantes – porco salgado, cozido de cereais, peixe defumado. A cozinha é bastante temperada com sal, pimenta-do-reino e noz moscada. Os bolos de mel – herança germânica- possuem diversas formas e são destaque em festas e, principalmente, no Natal. Encantam as diferentes formas e cores do pão de centeio. Uma bela vitrine de padaria, exibia variedades e era possível comprá-los em fatias.

 

A Lituânia e a sua cozinha

Ela possui, como já foi mencionado, uma raiz germânica. Isso pelos anos de sua ocupação. Assim, vamos encontrar o doce combinado com o salgado: o tomilho que dá aroma à uma tradicional sopa de ervilhas-amarelas com bacon. A raiz-forte acompanha o linguado. Os letões preparam um queijo temperado com chicória para a festa de São João. Os pratos vêm ainda com guarnição de cogumelos, frutas silvestres e uma espécie de amoras encontradas nas florestas. A geleia de mirtilo acompanha a morcela e alguns pratos de carne. Por fim, a sopa de mirtilo ou de frutas silvestres é servida no café da manhã ou como sobremesa.

 

Suas doçuras de inverno

Na festa de São Martinho, em novembro, o tradicional ganso para a ceia- não há o costume do peru assado-  é servido com diversos tipos de geleias de frutas silvestres.

A principal refeição da festa inicia com uma sopa negra em que se cozinha o sangue da ave com suco de maçã e ameixa, aromatizada com conhaque, vinho madeira, gengibre e cravo. No Ano Novo, não sevem o leitão como prato principal, mas um enorme presunto. Nesta data, ainda servem tortas recheadas com carne, cogumelos e bacon. A sobremesa tradicional de Natal é um bolo folheado com recheio de ameixas e creme batido. 

 

Conclusão

Os lituanos despertam grande interesse pelo folclore em toda a região do Mar Báltico, independentemente da religião que professem. O país está cheio de templos, santuários e florestas sagradas. As festas que ocorrem, com mais regularidade, são as de batismo, casamento, funerais e, bem como, as festas da luz, de Natal e de Ano-Novo. Uma grande comemoração é feita na chegada da primavera, que indica o fim do inverno e a chegada do sol- isto é: vida nova. Os países bálticos continuam sendo estimulados por tradições e por um folclore que, longe de resolver um passado de dominações, enraízam-se profundamente na vida. Os contos e as lendas não estão confinados a um universo sem vida. Duendes ainda dominam a imaginação do povo e acreditam que assombram as florestas e as águas. Mas, lituanos, estonianos e letões, que ficaram muito tempo afastados do dinamismo ocidental, hoje, estão perfeitamente incluídos na modernidade dinâmica e avançada.

 

 

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