O legado da etnia alemã para Erechim
Quando o Cônsul Geral da Alemanha em Porto Alegre – Hans Dietrich Bernhard - esteve em visita a Erechim assim se pronunciou: “Agradeço a bela hospitalidade e afirmo ter tido uma nova experiência na minha vida diplomática. Sempre estive em municípios que iniciaram com a colaboração da imigração alemã. Aqui chegando, encontrei uma quantidade pequena de descendentes do meu País. Mas os daqui são melhores que os de outros lugares, pois, embora em minoria, tem presença forte na comunidade erechinense e isto gerou um fato novo que guardarei como boa lembrança dessa inolvidável Festa da Etnia Alemã. ” Isto aconteceu durante uma das Festas das Cucas realizadas em Erechim. Depois, foi-lhe entregue uma cesta com diversos sabores das cucas.
“Ein schoenes deutsch-brasilianeche kuchen fest!”
Uma bela festa da etnia alemã, a Festa das Cucas! Aqui aconteceram diversas festas! Eram realizadas em fins de semana no Polo de Cultura, nos meses de agosto ou de setembro. Foram comercializadas centenas e centenas de cucas para toda a região da Grande Erechim. Pessoas de Passo Fundo, sabedoras do evento, também as buscavam em grande quantidade. Em cada edição, trabalhavam cerca de vinte pessoas comandadas por uma “chef”. Os fornos a lenha eram usados, pois davam a elas um sabor bem tradicional.
A cuca alemã
É uma tradição que surgiu na Idade Média, numa região no leste da Alemanha. Os imigrantes, que aqui chegaram, trouxeram a predileção por fazer bolos, mas a cuca era a preferida. Com fermento biológico, seu aroma é tentador e inigualável, principalmente quando saída do forno. No Festival das Cucas havia muitos sabores: banana, abacaxi, laranja, maçã, requeijão, chocolate, coco. Uma muito especial foi criação dos nossos festivais: a cuca de cerveja com linguiça. A massa era fermentada com cerveja e pedaços de linguiça especial, sem gordura. Ela foi o carro chefe, pois era inédita e muito saborosa. Os ingredientes eram sempre da melhor qualidade e adquiridos por encomendas especiais. As Festas, muito concorridas e as cucas vendidas muito elogiadas. No ar pairava o perfume da cuca tirada do forno, que trazia as doces lembranças e o aconchego da infância das casas dos nossos avós.
Os germânicos em Erechim
Grupos de imigrantes alemães depois de povoarem São Leopoldo, regiões da Grande Porto Alegre, Vale do Taquari, regiões da Serra chegaram às Missões e à Grande Erechim. Os grupos eram designados, não por acaso, mas para onde havia estradas de ferro ou estavam para serem construídas. O intuito era iniciar a colonização nesses locais, pois havia a certeza de rápido desenvolvimento. Aqui, na região, chegaram por volta do ano de 1912. Uma Companhia de Terras vendia lotes para os colonos se estabelecerem. Outros grupos chegavam e se acomodavam como podiam. Surgia, assim, a Comissão de Terras – no Castelinho. A sua construção lembra os castelos da Alemanha, o telhado pontiagudo com suas torres. De madeira, com arabescos, seria uma lembrança dos lugares longínquos de onde chegaram os imigrantes alemães. Edifício histórico, pois foi nele que foi assinada a emancipação da cidade de Erechim. É o prédio que guarda os lances do povoamento de Erechim, sua colonização e seu desmatamento.
A arte e os alemães imigrantes
Em Erechim, desde logo, os alemães criaram locais para reuniram-se e confraternizar. Nos finais de semana, aconteciam festas onde a culinária alemã era lembrada e iniciaram os “kerbs” – festas mais prolongadas. Muitos corais e grupos de teatro surgiram e aconteceram apresentações em outras cidades do Estado. Muitos pioneiros alemães sabiam tocar instrumentos musicais. Conhecer música e tocar instrumentos sempre foi uma tradição da família germânica. Assim, com a colaboração de outros, foram os primórdios da nossa Orquestra de Concertos. A última sede social foi num casarão de madeira em estilo enxaimel onde, hoje, está localizado o nosso Teatro 25 de Julho. Com o tempo, os antigos sócios passaram o terreno para o Município de Erechim. Em 30 de abril de 1983, foi inaugurado o Centro Cultural 25 de Julho. Moderno e avançado para a época, recentemente reinaugurado, tornou-se uma bela casa de espetáculos, digna de grandes centros. Aliás, o 25 de Julho sempre foi uma referência para o nosso Rio Grande.
O Polo de Cultura e a etnia alemã
Ele foi a concretização dos laços que unem as principais culturas étnicas de Erechim e região. Tornou-se referência nacional de cultura e exemplo internacional de amizade entre diferenças, que cada imigrante traz em si. Foi o resultado de acolher o fruto do trabalho dos diferentes imigrantes e povos locais. Erechim representa uma grandeza econômica, social e cultural legada pelos seus antepassados. Dos imigrantes alemães recebeu a contribuição que prima pela hospitalidade, pela franqueza e o irreprimível desejo de progresso.
O painel da etnia
Na sala da etnia alemã, no Polo de Cultura, um belo e sugestivo painel a representa. TORRES: os imigrantes vieram de uma Alemanha, que foi conquistada por celtas, romanos e teutônicos. De um país com milênios de História, repleto de castelos e fortificações.
O RELÓGIO: Foi uma invenção de alemães por volta do ano 1.200. Lembra a pontualidade e a forte presença na economia do município.
AS PARREIRAS E A UVA: Lembram a grande leva de imigrantes que aqui chegaram das regiões dos Rios Reno e Mosela, cujas margens recebem grandes parreirais.
AS FLORES: Lembram o grande legado que os alemães deixaram para os seus descendentes: o respeito aos costumes, tradições e gosto para o belo, pela arte e pelo capricho. Toda casa alemã poderá ser simples, mas não faltarão flores, principalmente gerânios, típicos nas floreiras das casas enxaimel.
ÁGUIA: é o animal heráldico do brasão federal. Foi o símbolo de poder do imperador alemão. Ela consta do brasão estatal da República Federal da Alemanha. Esse conjunto todo retrata o espírito comunitário de arte e de trabalho que os imigrantes alemães nos trouxeram e legaram.
Conclusão
A imigração alemã, na nossa região, repetiu o que o povo fez na reconstrução de uma Alemanha arruinada pós –guerra: A Torre- igrejas e cidades erguidas; A Chaminé- as fábricas e a economia; A FLOR- jardins, amor ao belo, à ordem e ao capricho .