Os tipos de eventos extremos já ocorridos são distintos em função da área que se considera (um país, um estado, um município), assim como serão distintos os impactos das mudanças climáticas sobre futuros eventos. Nesta analise vamos nos deter na análise da dinâmica dos eventos extemos entre 1993 e 2022, em níveis diferentes. Pela figura abaixo, percebe-se que em termos médios globais, os quatro tipos de eventos mais frequentes (Fonte: UNISDR 2018) são inundações (43%), temporais (28%), movimento de massa (5%) e secas (5%). Também é perceptível que os percentuais no Brasil e no Rio Grande do Sul diferem destes valores globais.
Assim, a definição de um plano de ação visando a adaptação e mitigação das mudanças climáticas precisa estar associada ao local em questão e ao nível de detalhamento desejado: o plano do Rio Grande do Sul será drasticamente diferente daquele do Mato Grosso, em função do contexto diametralmente oposto em que cada um destes dois estados se enquadra, em 2040. Exemplificando:
- Num determinado município mato-grossense onde a precipitação anual passa de 1.753,2 mm anuais (normais de 30 anos) para 1.452,9 mm anuais (-300 mm ou -17%); onde a temperatura passa de 33,04°C para 35,61°C (+2,57°C ou +8%); e onde o número de dias muito quentes passa de 39 para 186 dias no ano (+146 dias ou +373%), temos uma situação de risco climático RC1. É o que deve ocorrer em Canabrava do Norte (MT); e
- Num determinado município gaúcho onde a precipitação anual passa de 1.622,8 mm anuais (normais de 30 anos) para 1.806,0 mm anuais (+183 mm ou +11%); onde a temperatura passa de 21,4°C para 22,9°C (+1,5°C ou +7%); e onde o número de dias muito quentes passa de 38 para 90 dias no ano (+ 52 dias ou 135%), temos uma situação de risco climático RC2. É o que deve ocorrer em Vacaria (RS), por exemplo.
Os objetivos de adaptação e mitigação para os dois municípios são completamente diferentes, e devem ser definidos de acordo com as suas especificidades e com o contexto econômico e social do município. Que eventos extremos têm afetado o seu município? Quais são as projeções das mudanças climáticas para ele? E quais serão os impactos?
Alemanha, França, entre outros países, ligaram novamente as suas termoelétricas a base de carvão mineral. Inclusive o Brasil deverá ligá-las a partir de outubro, devido a seca na região norte.
Se os países industrializados, grandes poluidores, não fazem o tema de casa que é reduzir as emissões, como haverá minimização do efeito estufa? Se o fizerem que é manter o aquecimento em 1,5ºC acima da média, o efeito ocorrerá daqui a 40 a 50 anos.
Alguém ainda tem dúvidas das mudanças climáticas, o prenuncio está evidente, vide a seca na Amazonia, as queimadas no Pantanal e em São Paulo e a fumaceira chegando ao RS, as temperaturas altas ocorrendo em diversos estados do Brasil.
OBS: colaboração do Engº Florestal Marcos L. Kazmierczak, Doutor em Eventos Extremos, KAZ Tech.