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Opinião

Alemães no Rio Grande do Sul – 200 Anos (Parte 6)

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Por Marlei Klein

Mulheres na imigração alemã

                       

Emilie Heinrichs, relatou: “Nada para se ver além da floresta, selva. A floresta não podia nos hospedar. Nenhum passo ela nos permitia dar, era tão densa quanto um muro. Tínhamos o chão da floresta como cama, a árvore como morada, isto era aventura, o bastante. Romântico quando se lê, não tão sedutor quando a gente tem que participar...Um dia acordei com o barulho de golpes pesados que ressoavam na floresta. Meu marido começara o trabalho como colono...”

 

A história das mulheres alemãs na saúde

Texto de Leandro Staudt:As mulheres luteranas foram fundamentais para o sucesso do Hospital Moinhos de Vento, antigo Hospital Alemão, em Porto Alegre. As “schwestern”- irmãs em alemão- administraram, atenderam e ensinaram por décadas. Elas também atuaram nos hospitais de Montenegro, Sinimbu e Agudo. A trajetória é contada na exposição SCHWESTERN: “Mulheres Protagonistas da História da Saúde no Rio Grande do Sul”, no Museu de História Júlio de Castilhos.

A comunidade de alemães luteranos no Rio Grande do Sul buscou ajuda no início do século XX, principalmente para atendimento na área de saúde. Em 1908, na Alemanha, foi fundada a Ordem Auxiliadora de Senhoras para o Estrangeiro. A primeira diaconisa a chegar ao Brasil foi Toni Pohl, em 1913. A “schwester” trabalhou junto às famílias da comunidade alemã, prestando atendimento de saúde e assistência em partos.

A presença das irmãs foi maior com a inauguração do Hospital Alemão (Deutsches Krankennhaus), primeiro nome do Hospital Moinhos de Vento, em 1927. No início, 18 trabalhavam no local. A “schwester” Sophie Zink foi a primeira diretora, de 1927 a 1951. Na rotina do hospital, atuaram na administração, no atendimento de pacientes, nos partos, em exames, lavanderia, jardim, cozinha, recepção, escola de enfermagem e outros.

Fora de uso, atualmente, o hábito já foi uma das marcas para identificação das irmãs. Formadas na Alemanha, utilizavam a touca com babados. No caso das formadas no Brasil, a aba era lisa.  

Em 1939, foi inaugurada a Casa Matriz de Diaconisas, em São Leopoldo, eliminando a necessidade de viajar para formação em Wittenberg, na Alemanha. A última “schwester” a usar o hábito no Hospital Moinhos de Vento foi Ires Spier, que se aposentou em 1921. Hoje, três irmãs atuam na atividade pastoral da instituição de saúde.

O Hospital Moinhos de Vento, que preserva o legado das “schwestern”, organizou a exposição, que ficará aberta ao público, até o final deste ano.

 

Situação de isolamento

Após cada colono receber a sua porção de terra, foi o momento de iniciar a sua nova vida. Aconteceu muito a situação de isolamento. Este era quebrado apenas pelo contato com vizinhos mais ou menos longínquos. O trabalho era estafante não poupando a mulher e nem as crianças. Os alemães são um povo altamente agregativo e, quando conseguiam, criavam um espaço para uma pequena igreja. Depois, a escolinha com o objetivo de socializarem-se.

 

A mulher como esteio da família e subordinada ao marido

Cartas, para os que ficaram na Alemanha, relatam a experiência imigratória, memórias e a realidade do que se passava. Sempre mostraram uma espécie de subversão do trabalho feminino em circunstâncias adversas e, ao mesmo tempo, necessário na construção de um verdadeiro lar que assegurasse o futuro da família. Assim, diante das reais condições de existência nos núcleos coloniais recém-abertos, a mulher imigrante alemã desempenhou um importante papel na construção do nosso Estado. Trabalhando ao lado do homem no cultivo da terra, cuidando da educação da família e da saúde da mesma. Além de tudo, ela foi agente na preservação das tradições e da cultura do seu povo.           

 

A mulher alemã

Desempenhou grande papel na condução da família no trabalho e nos seus negócios. Muitas vezes, perdeu o marido por doença ou acidente e coube a ela conduzir os seus. Forte, foi a alma da casa, sempre protetora da família, e participativa na comunidade teuta. Enfrentou adversidades, tinha que mostrar-se forte como deveria ser a verdadeira “Frau”. A mulher alemã, na imigração, era levada a ter um comportamento ideal de mulher germânica. Nos fins de semana ou à noite, quando lhe sobrava tempo, dedicava-se aos trabalhos manuais, principalmente ao bordado.                        

 

Provérbios na parede

Ainda hoje, em algumas casas de alemães no interior ou em museus, encontramos painéis bordados com frases como provérbios em alemão. Eram colocados geralmente na parede da cozinha, atrás do fogão à lenha ou da mesa. Eles não eram nada menos do que como deveria ser a conduta da Mulher naqueles tempos, ou diria, das nossas avós. Eis algumas das frases: “Deus acompanha o seu serviço” – “Esforço traz pão: preguiça necessidade” – “Onde o trabalho vigia a casa, não entra pobreza”- “Nunca te queixes do dia que traz trabalho e fadiga, é tão bonito cuidar   da gente que se ama” - e outros semelhantes...A dona de casa tinha prazer em fazer esses bordados e depois mostrar na parede...          

 

Finalizando

As mulheres alemãs, que aqui chegaram, vinham para uma situação desconhecida. Sabiam que deveriam criar um novo lar domando a natureza e os obstáculos com muito trabalho. Elas não vieram para somente auxiliar diante da imposição do meio ou para superar o primitivismo. Vieram para ajudar a construir, tornando-se indispensáveis na construção do nosso Estado, na economia, na educação, na política, na literatura, nas artes. Os 200 anos de Imigração estão provando isso e é um grande momento de celebração e de reafirmação da diversidade cultural e influenciadora que homens e mulheres, vindos da longínqua Alemanha, um dia, acreditaram no Rio Grande do Sul.

 

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