Ontem (13) a Comil divulgou uma nota comunicando a decisão sobre o pedido de recuperação judicial feito na Comarca de Erechim.
A previsão é que o despacho fosse emitido ainda ontem, considerando que a empresa tem 60 dias para apresentar um plano econômico, financeiro e operacional com o propósito de enfrentar o passivo de R$ 430 milhões, oriundos principalmente, conforme o setor jurídico, de encargos financeiros com instituições bancárias.
No início da tarde, os advogados responsáveis pelo processo, Darsio Vieira Marques, Alvaro Marques e Claudio Botton falaram com representantes da imprensa. Conforme Darsio, a fase é delicada e transparece em preocupação a toda comunidade, considerando que uma empresa que contava com 4 mil colaboradores, tem hoje aproximadamente 1 mil. Ao mesmo tempo, ele destaca que está feliz em observar a bravura dos empresários. “Os gestores da Comil são pessoas corajosas, principalmente porque tomaram a difícil tarefa que é demitir”, disse, citando ainda, que a empresa buscava há dois anos alternativas para uma solução mais adequada diante da crise.
“Todos relutaram até esse momento, mas a única alternativa mais viável foi a recuperação judicial, a qual, não é um pedido de falência, mas sim, uma medida para ponderar sobre a situação financeira e projetar ações efetivas no combate ao momento difícil enfrentado nos negócios”.
O advogado destacou que neste momento é preciso dimensionar o plano à capacidade da empresa e que o acerto com os funcionários está entre as prioridades do planejamento. Nesta fase do processo, também pode ocorrer uma negociação com tentativa de abatimento da dívida.
Cláudio Botton explicou que o mercado retrocedeu em torno de 60% e a Comil teve que recuar e tomou algumas iniciativas nos últimos anos, tais como redução salarial e demissões e o fechamento da unidade de Lorena, para tentar superar este momento complicado e tentar recontratar essas pessoas.
Nota da empresa
Como é do conhecimento público, constituindo-se verdadeiro fato notório, a crise econômico-financeira que avassala as empresas brasileiras, especialmente o setor industrial automobilístico, trouxe dificuldades sem precedentes em nossa indústria. Nos últimos três anos, o mercado de ônibus caiu mais de 60%, atingindo níveis de mais de uma década atrás que, associado aos baixos preços e volumes praticados se tornaram insuficientes para cobrir os custos de produção, agravado com os encargos financeiros que restringiram drasticamente o capital de giro necessário para suportar a operação.
Essa crítica situação nos impeliu a tomar medidas duras e traumáticas tais como o encerramento das atividades industriais da unidade localizada em Lorena - SP e demissões de número expressivo de trabalhadores na planta de Erechim, o que fizemos com enorme tristeza.
Em que pese todas as alternativas adotadas, nos vimos compelidos a requerer, nesta data, pedido de recuperação judicial na Comarca de Erechim, RS, como medida para fazer frente às imensas dificuldades vividas atualmente e que são compartilhadas pela maioria das empresas no nosso país.
O procedimento é regulado pela Lei nº 11.101/2005 e visa garantir a preservação da empresa através de medidas de saneamento e da elaboração de plano de recuperação que contemple todas as suas dívidas, garantindo desta forma que a empresa continue com suas atividades, oferecendo seus produtos de excelência aos clientes.
Devido ao ajuizamento deste pedido, os passivos trabalhistas, sejam eles rescisões realizadas ou atrasos salariais antes desta data, inclusive de funcionários ativos, farão parte deste processo. A Comil irá viabilizar a melhor forma possível de pagamento dentro do plano de recuperação a ser aprovado junto a assembleia de credores. A Comil está realizando todos os esforços para que a liberação do fundo garantia e o acesso ao seguro desemprego aos funcionários desligados ocorram o mais rápido possível.
A empresa pretende continuar com suas atividades industriais, procurando manter os postos de trabalho e pagando os salários na forma do seu fluxo financeiro. Registra que o sacrifício que fez com o corte de pessoal é justamente para poder salvar a empresa e garantir a continuidade das suas atividades e dos trabalhadores remanescentes.
Contamos com o apoio de todos, certo de que teremos dias difíceis, mas haveremos de vencer.