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Opinião

Dia Mundial Ambiente – 05 de Junho (“Tragédias fazem parte do ambiente, neste dia nada a comemorar”)

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Por Engenheiro Florestal Roberto Magnus Ferron – Consultor Florestal/Ambiental

Como já mencionei em diversas ocasiões “que todo o dia é dia do meio ambiente”. Entretanto, dia 05 de junho é a data alusiva ao meio ambiente, mas em razão da tragédia no RS nada temos a comemorar, a não ser esta dadiva que Deus nos deu – o planeta terra e o ambiente em que vivemos!

Segundo os cientistas e pesquisadores do clima, estes eventos extremos são recorrentes. Pode levar 100 anos ou até mais, todavia retornam a fazer estragos. Os desastres ambientais extremos sempre ocorreram em muitas regiões do planeta, como ciclones, tornados, furacões, erupção vulcânica, incêndios florestais, inundações, secas, terremotos, tsunamis, e até endemias e epidemias. Desta vez, chegou até nós, os gaúchos.

Cito como exemplo, as enchentes ocorridas no RS em 1941, que foram muito semelhantes a atual. Mas, este exemplo a seguir diz bem a situação e o porquê nos encontramos nesta tragédia.

Em 1850, Herr Blumenau, imigrante alemão chegou a região que hoje é o município que leva seu sobrenome. Se estabeleceu do outro lado do rio, longe dos indígenas que habitavam as partes mais altas no lado oposto. Depois de alguns anos, estabeleceu contato amistoso com os índios. Nas conversas com o cacique, perguntou-lhes por que eles não os hostilizaram já que estavam habitando suas terras, e prontamente o cacique lhes respondeu “essas terras não são nossas”. Incrédulo o alemão Herr lhe perguntou: “então de quem são? ”, respondeu o chefe indígena “das águas do rio”. Em 1857, Blumenau em SC teve uma grande enchente, que ocorreram de forma recorrente, como aconteceu a alguns anos atrás.

Portanto, os habitantes aborígenes da região já sabiam que não poderiam se estabelecer a margem dos rios, pois o local seria tomado pelas águas das enchentes. Entretanto, grande parte dos imigrantes alemães que chegaram primeiramente no Brasil, se estabeleceram justamente nas planícies a beiras dos mananciais de água.  

Da mesma forma, ocorre em outros países dias de intenso calor, acima de 45ºC, causando grandes estragos em plantações, e levando criações e pessoas a morte.

Hoje estes acontecimentos que ocorrem em qualquer parte do planeta, chegam rapidamente até nós instantaneamente via noticiários de TV e pelas redes sociais.

 A dinâmica geológica e climatológica do planeta faz com que a grande maioria dos agentes causadores destes desastres climáticos extremos não podem ser simplesmente evitados. Entretanto, seus impactos podem ser reduzidos e minimizados mediante conhecimento científico sobre estes fenômenos, associados ao monitoramento e adoção de ações de prevenção. Bem como, agentes treinados e preparados para avisar a população dos riscos eminentes de tais eventos climáticos, assim como intervir na salvaguarda da população e seus bens materiais e físicos.

Neste contexto, há algo fundamental e importante, que é o principal causador de perdas significativas, seja sociais, econômicas e ambientais: 1º) a negligencia (omissão ou falta de observação no dever de prevenção, preparação e respostas rápidas); 2º) a imprudência (falta de cuidado e atenção); 3º) a imperícia (falta de conhecimento, técnica, ou falta de habilidade, erro, engano na execução de tarefas; 4º) a ineficiência (baixíssima capacidade de investir rápido e bem em ações contra os efeitos dos desastres naturais); 5º) e a desídia (comportamento negligente, usado para representar a atitude de um funcionário que executa suas funções com desleixo, preguiça, desatenção, má vontade, procrastinação excessiva, falta de zelo,  compromisso e comprometimento). Por acaso, alguém identificou tais adjetivos?

Nestes casos, percebe-se que o Estado é ineficiente em todos os níveis, que o poder público no Brasil gasta muito e gasta mal. E que todos nós estamos despreparados para enfrentar estes desastres, até porque em nossa vida terrena ainda não havia ocorrido.

Relembrando, o artigo 225 da constituição Federal: “todos tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial a sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e a coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

Perante a lei dos homens e a lei divina, “o dever (o bônus e o ônus) de se preservar e manter o ambiente equilibrado é de todos!

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