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Opinião

A fúria das águas

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J. Figueiredo
Por J. Figueiredo
Foto Vivian de Mattos

Obrigado, e que Deus abençoe todos os bombeiros que vieram de vários estados do Brasil, a Policia Civil, a Brigada Militar, a Defesa Civil, ao Exército Brasileiro que também veio com seus soldados de outros estados, militares de outros países como Uruguai e Argentina com seus esquadrões de soldados e barcos.

Obrigado aos empresários que emprestaram os seus helicópteros (alguns pilotando os mesmos), as suas frotas de caminhões para os transportes necessários de alimentos e doações dos postos de arrecadação até os locais de distribuição.

Mas, um obrigado muito especial, as orbes de anjos alados simplesmente desconhecidos, sem rosto, sem nomes, os quais chamados de “VOLUNTÁRIOS”.

São centenas, milhares que deixaram as suas famílias, os seus trabalhos, suas cidades, o seu mundo normal, para se dedicarem sem prensar em mais nada, a não ser prestar a solidariedade e salvar vidas.

A turma dos Jet Sky, veículo usado para laser, diversão e competições, salvando vidas de desconhecidos.

O pessoal dos barcos de pesca, também usados para o laser, a serviço dos salvamentos.

As gaiolas, o Erechim Jeep Clube, a Associação Família Outdoor 4X4 de Erechim (da qual faço parte), de várias cidades, colocando as suas viaturas (camionetes e jeeps 4x4), e todo o seu tempo disponível para chegar a lugares onde nem mesmo os caminhões do exército conseguiram alcançar, localizando e salvando pessoas ilhadas, perdidas, apavoradas e desesperadas, com fome, com sede e com frio, à beira da morte. Trazendo todo este povo novamente para a vida.

Salvando seus pets, cachorros e gatos, assim como em várias situações as suas criações, como o gado os cavalos, porcos e até galinhas.

Vendo o que estes anjos voluntários já fizeram e continuam fazendo, tenho a certeza que está querência amada, onde tenho o orgulho de ter nascido na costa do Rio Uruguai, vai se levantar como uma Fênix, reconquistando o seu lugar como um estado forte e produtivo, com um povo aguerrido e guerreiro.

Juntos de mãos dadas, como o elo mais forte de uma corrente, gremistas e colorados, chimangos e maragatos, pois o sangue que corre em nossas veias e o mesmo, vamos vencer esta prova, esta batalha.

Nem que sejam embarrados, molhados, cansados, só com o cabo da espada entre os dentes, numa mão uma pá ou uma enxada e na outra uma garrafa de água, vamos manter de pé, tremulando, nas cidades, nos campos, nas montanhas, nas pradarias, a bandeira do nosso Rio Grande do Sul.

Quando as águas baixarem, elas vão baixar uma hora, vamos então enxergar a extensão da tragédia, a desolação, a destruição, o pós-guerra, a imagem do apocalipse.

Com certeza ficaremos mais tristes ainda, as lágrimas teimosas caíram pelo nosso rosto, por um momento apenas, mas depois o sangue gaúcho ferverá em nossas veias e os trabalhos de limpeza e reconstrução vão começar.

Não daremos importância para as lágrimas que vão retornar, nem as dores por todo o nosso corpo, nem o cansaço por vários dias e noites no trabalho voluntário, ele será feito, com a força e determinação que viram do fundo dos nossos corações e de nossas almas, para superar esta missão de erguer novamente o Rio Grande, salvando vidas sem distinção alguma.

Salve povo do meu Rio Mostro Grande do Sul amado.

Um abraço bem chinchado e um beijo no coração de cada voluntário e de cada voluntária que estão lutando bravamente nestas batalhas, que no fim seremos todos vencedores.

E as cicatrizes que ficarão, também vão servir de exemplos para toda a terra.

OBS: Escrito às 04h25min da madrugada de quarta-feira, 8 de maio.

 

 

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