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Esportes

Uma viagem ao tempo de “Arquibaldo”

Piloto de arrancadas Joares Munaretto lembra história do Opala que emocionou amantes da categoria na década de 80

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Por Carlos Silveira
Foto Arquivo pessoal

 Uma viagem ao passado, numa época em que o ronco dos motores V8 e os 6 cilindros eram um verdadeiro elixir para os ouvidos e uma sinfonia para a juventude que iniciava o gosto pelos motores em um tempo em que reinavam os fuscas, os chevettes, corcel, Fiat 147 e outros tantos modelos da década de 80, um mundo à parte para a juventude de hoje que hoje vive com a vida ligada na internet e suas redes sociais.

Joares Munaretto

         Estamos falando da época em que o empresário Joares Munaretto, natural de Erechim, hoje com 73 anos de idade brilhava nas pistas de Erechim, Passo Fundo, Chapecó, Caxias do Sul, Porta Alegre, Tapejara e outros tantos municípios com seu opala seis cilindros totalmente transformado e que, para aquele tempo, chegava a uma velocidade absurda, principalmente no final de pista. Como ele mesmo diz, os freios eram ruins naquela época mesmo com um quilômetro de pista.

Saudoso Livino Tagliari

         Joares destacou a reportagem do Grupo Bom Dia que amava o que fazia através de uma paixão de Livino Tgaliari, que foi um dos pioneiros em Erechim em corridas de automóveis. “Escutava a rádio Guaíba que transmitia as corridas em que Livino corria na capital do Estado. Fui pegando gosto pela coisa e acabei montando uma oficina mecânica e entrei para este mundo do automobilismo”.

Anos 60

         Foi nos anos 60 de Joares deu os primeiros passos para trabalhar com motores, sendo o primeiro um fusca correndo em pista livre no município de Joaçaba que tem pista, local onde também recebeu uma grande homenagem dos amantes de automóveis na reinauguração da pista local.

  Mesmo sendo empresário como profissão, Joares lembra como muito antiga a sua paixão por automóveis. “Desde guri, pois sempre fui louco por automóveis, sempre dava um jeito de dar uma saidinha com o do meu pai. Tinha somente 14 anos quando saia de Erechim até Passo Fundo com um monte de piazada dentro, era nossa saída”, lembra.

Quilômetro de arrancada

         Quando se fala em paixão, Joares destaca que escolheu as pistas de quilômetro de arrancada porque na época era o que tinha e começou a gostar lembrando o piloto Tagliari. “Eu via a sua participação em corridas e acabei pegando gosto, entrando nessa aventura. Para tanto tínhamos uma equipe com mecânico, o Nego que ainda atua em sua oficina na preparação de motores”.

Quantos Opalas

         Questionado com relação quantos Opalas teve em sua vida, lembra que foram três para uso familiar e um que foi o ícone nas arrancadas que levava o nome de Arquibaldo. “Comprei ele do artista plástico Magrão Testa que também acabou fazendo a pintura que era uma frente de leão e fogo nas duas laterais. Me custou caro aquela pintura”, lembra.

O Arquibaldo

         Mas, o que representou o Arquibaldo na vida da juventude daquela época e os que ainda vivos se lembram das façanhas nas pistas. “Tenho um monte de pessoas e amigos, mas também acabo conhecendo outras pessoas que passam por mim na rua e perguntam se sou realmente o Joares daquela época. Até hoje não passam alguns dias em que acabo encontrando alguém que questiona se sou o homem do Opala preto das pistas. Eu era mais conhecido pelo Opala do que por mim mesmo”, destaca com alegria.

Mais de 40 troféus

         Durante a sua trajetória nas pistas foram mais de 40 troféus na Força Livre com motor V6 totalmente mexido. “Naquela época era com carburador, sendo seis, um para cada pistão. Hoje não existem mais estas categorias, ou seja, são somente 200 metros de arrancada devido a dificuldade do piloto conseguir segurar no final da pista. Naquela época chegávamos no final a mais de 250 quilômetros por hora sem para quedas, cansei de levar os cavaletes junto”.

Injeção eletrônica

         Hoje, garante ele, os automóveis com injeção eletrônica estão alcançando o dobro de velocidade e, 200 metros do que eles em um quilômetro. “São cerca de 330 quilômetros por hora nesta curta distância”. Com relação a nova juventude, Joares ressalta que o amor pelo barulho de um V8 ou um V6 ainda é insubstituível, ou seja, não existe comparação com um motor que não faz barulho nenhum, mas ter um destes automóveis nos dias de hoje é muito difícil, pois são muito raros e quem tem não vende”, lamenta.

Carros elétricos

         Ao falarmos de valores para manter uma paixão como esta, Joares deixa bem claro que o custo era alto. “Para mim tinha um certo custo, pois fazíamos de tudo e quando necessitávamos de peças mandávamos para Caxias do Sul que tinha usinagem”. Agora, se vale a pena os jovens se aventurarem nesta paixão por motores, Joares garante que não, pois não existe pista suficiente e os altos custos. “Com a chegada dos carros elétricos as coisas irão mudar muito”, finaliza.

 

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