Iniciando a última das “reflexões de ano novo”, compartilho fragmento da obra “Cem anos da Revolução de 1923: História Mídia e Cultura” (Sulina 2023), um regalo que recebi de um de seus organizadores, o Prof. Dr. Juremir Machado da Silva (Álvaro Nunes Laranjeira é o outro), disponível na página nove, no primeiro capítulo, intitulado “Revolução de 1923: sangue e ruinas em jornal”. A assertiva “Narrar é fazer escolhas. Como olhar para o passado de maneira a ter algo a dizer que não seja uma simples paráfrase”, ouso dizer, que o questionamento proposto pelo autor, rende teses e dissertações infindáveis, sem serem mais do mesmo.
Esta formulação é a que melhor resume o que tenho buscado com a construção de minha tese e na execução das atividades pedagógicas no Arquivo Histórico. Caros leitores, nem de longe, quero que isto seja interpretado como petulante. Me ancoro na frase de Einstein: “Não são as respostas que movem o mundo, são as perguntas” como justificativa.
Quando se trabalha com História Local estamos constantemente no fio da navalha independe de qual seja nosso enfoque, algo será realçado e outro suprimido. Como falar de imigração, colonização, guerras, movimentos revolucionários ou sociais de maneira isonômica?
Existe espaço para a isonomia? A quem interessa que determinada narrativa se sobreponha a outra?
Historicizar estes processos são complexos, pois estamos entrando em uma nova seara inóspita. A reescrita (revisão / reanálise) traz novos atores sociais, desvela acontecimentos e pode questionar mitos, reabrir feridas (como as da centenária Revolução de 1923).
Ou seja, o debate acerca das narrativas pode modificá-las, e bem, isso pode desagradar alguns...
O historiador precisa levar em consideração todas estas nuances durante a análise do seu objeto de estudos, e de que forma impactaram na sua construção. A escrita da história nem sempre agrada a todos, cabe ao historiador, portanto, relembrar aquilo que as sociedades preferem esquecer.