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Saúde

Dia do Orgulho Autista: a história de superação e evoluções do Augusto

Dois anos após o diagnóstico, a família Pasqualotto revela a importância das intervenções precoces no processo de tratamento da criança

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Família Pasqualotto realizando um passeio
Por Ragnara Zago
Foto Arquivo pessoal

Orgulhar-se de uma condição, que nos torna diferentes e com algumas limitações, nem sempre é fácil. Sabemos que tudo que não segue um determinado padrão, seja de beleza, comportamento, gênero, ainda causa impacto na sociedade.

Imagine agora uma mãe em seu processo de gestação, que abriga uma vida em seu ventre e deposita nela todas as melhores expectativas possíveis. Quando essa criança nasce, a família percebe que em seu desenvolvimento, algumas questões deixam a desejar, por isso procuram ajuda. Infelizmente, em alguns casos, a pior notícia pode ser dada, revelando alguma doença ou condição que poderá mudar o curso da vida daquele ser humano para sempre.

Assim é o autismo, ele chega em nossas vidas sem avisar, não bate na porta, apenas vai entrando e alastrando suas características, que nem sempre são as melhores. Dados recentes revelam que a cada 36 crianças, uma nasce com autismo, ou seja, essa realidade já é palpável para todos. Não apenas fatores genéticos, mas os ambientais, contribuem para que esses números cresçam, além do aumento do conhecimento das pessoas e a facilidade do diagnóstico precoce, fato que antigamente não era possível.

Felizmente, o avanço das informações facilita a intervenção precoce, que consiste em um acompanhamento terapêutico intensivo, recuperandovários prejuízos adquiridos pela condição e fazendo com que o indivíduo possa levar uma vida completamente normal. Por isso, no dia 19 de junho é comemorado o Dia do Orgulho Autista, para que cada vez mais a condição faça parte do dia a dia das pessoas, e o preconceito se transforme em apoio e incentivo aos portadores de TEA.

A história do Augusto 

Todo esse processo aconteceu com a família Pasqualotto. Quando Augusto ainda era bebê, o casal Anissara e Gabriel, percebeu algumas questões que chamavam atenção em seu filho. “Quando ele mamava, não olhava nos olhos, chamávamos pelo nome e ele não atentava, na escolinha ficava de bruços no tapete, olhando para longe. Como era muito pequeno, não associamos a nada. Com um ano, não pronunciava nenhuma palavra, nem se quer balbucios e continuava sem responder quando era chamado”, revela a mãe.

Coincidentemente, iniciou o período mais crítico da pandemia, e a família não pode buscar uma opinião profissional a respeito do assunto. “A situação piorou com o isolamento, ele desenvolveu um brincar atípico, enfileirando objetos, girando a rodinha dos carrinhos, sem dar a função correta aos brinquedos. Em outubro de 2020, resolvemos buscar ajuda. A primeira neurologista que fomos, nos informou que poderia ser autismo. Buscamos uma segunda opinião que já o encaminhou para testes e tratamento com terapeuta ocupacional e fonoaudióloga”, conta.

CID 10:F84 – autismo 

Após a testagem, com uma profissional capacitada da área da psicologia, que dura em torno de um mês, Anissara e Gabriel receberam o diagnóstico: CID 10:F84, Transtorno do Espectro Autista. “Já imaginássemos que ele pudesse ser autista, mesmo todos nos dizendo que não e afirmando que cada um tinha seu tempo. Quando procuramos ajuda, no fundo, tínhamos uma esperança de que os profissionais nos dissessem que não era, sendo apenas um atraso em função da pandemia”, lembra. 

Com a notícia concreta, a família sofreu ao perceber que precisava lidar com aquela nova realidade. “Foi difícil, eu e meu marido chegamos em casa e enquanto ele estava dormindo, choramos muito. Pensávamos, por que com o nosso filho, o que seria dele a partir daquele momento. No outro dia, decidimos que precisávamos agir, buscando o que fosse preciso para ajudá-lo”, salienta.

Em busca de um futuro bom 

No dia seguinte, a mãe conta que já encaminhou as terapias solicitadas pela neuropediatra, iniciando a intervenção precoce. “Com um ano e sete meses ele já estava fazendo duas horas por dia de ABA (Análise do Comportamento Aplicada), duas horas por semana de fonoterapia e uma hora por semana de terapia ocupacional, rotina que é seguida até os dias atuais, com quatro anos”, ressalta. 

Apoio da escola é fundamental no processo 

Além da equipe multiprofissional e a família se adaptarem ao dia a dia da criança, a escola também é uma importante aliada no processo de evoluções, pois boa parte da semana, o estudante permanece na instituição de ensino. “Felizmente contamos com uma escola acolhedora, que ajuda em tudo e está sempre aberta a trocar ideias com os profissionais que o acompanham. Esse papel é fundamental”, afirma a mãe. 

Melhoras significativas

Anissara revela que nesses dois anos e meio de intenso tratamento, o filho Augusto já apresenta melhoras em várias áreas de sua vida, que sem as ações, poderiam ser comprometidas. “Desde que começamos as intervenções, já é outra criança. Toda vez que chamamos ele responde pelo nome, fica atento ao que acontece ao seu redor, procura outras crianças para brincar, olha nos olhos com mais frequência, fala várias palavras, forma algumas frases. Ainda não consegue fazer um diálogo, mas estamos no processo”, destaca.

Hoje, o desejo mais profundo da mãe é que o filho seja feliz e possa realizar suas vontades. “Quero que ele saiba que sempre estamos aqui para auxiliá-lo. Espero que ao longo de sua vida ele não sofra preconceitos e consiga se desenvolver ao máximo, dentro de suas limitações, levando uma vida independente”, frisa. 

 

Dia do Orgulho Autista 

Para a família é fundamental que exista um dia voltado ao Orgulho Autista, para que o preconceito que existe na sociedade seja a cada dia, quebrado. “É um dia importante para a comunidade autista, para trazer mais conhecimento e diminuir o preconceito, além de trabalhar a conscientização e aceitação, o respeito e a inclusão, para que todas as pessoas com TEA possam ser inseridas no convívio social”, finaliza.

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