Ocorreu entre os dias 22 e 29 de abril de 2023, na Praça Prefeito Jayme Lago, a 24ª Feira do Livro de Erechim, e nas últimas duas colunas passeamos pelas histórias das Feiras anteriores. E, optamos por não abordar o local de realização de cada uma delas, para produzirmos uma reflexão acerca da ocupação dos espaços públicos para a difusão cultural e da leitura.
Das vinte e quatro Feiras, nove ocorreram na Praça da Bandeira, uma no subsolo da Catedral, duas no Parque da ACCIE (concomitante a Frinape), uma na Avenida 15 de Novembro, duas na Nelson Ehlers, três no Seminário Nossa Senhora de Fátima, uma na Av. Sete de Setembro, uma On-line e quatro na Praça Prefeito Jayme Lago que no ano de 2023 recebeu a alcunha de Praça do Livro durante as atividades da Feira do Livro.
Ocupar o espaço público afim de promover, acessibilizar, democratizar ou qualquer outro verbo com a mesma conotação dos anteriores, é um processo complexo. O primeiro ponto a ser compreendido, é que “o espaço público não é um lugar definido por coordenadas precisas e estáveis. Essa designação aparentemente espacial na verdade é o efeito combinado e instável de uma ordem simbólica do aparecer e do fazer-se ouvido, um conjunto de práticas de articulação de identidades coletivas e instituições que definem scripts e cenários para a atribuição legítima da voz e da visibilidade e para os agenciamentos das relações e articulações entre as muitas vozes e suas formas de aparecer social e politicamente” (Burity, 2016, p.17).
Assim, compreender o espaço público, como público na acepção da palavra exige que todos os grupos sociais se apropriem da noção de pertença, de que praças, parques, largos e afins não pertencem a apenas a determinado grupo. Aliviar este sentimento de estranhamento de ambos os lados (do nós e do eles) é uma das atribuições da educação patrimonial.
Ao mesmo tempo, a realização de eventos como a última Feira do Livro em uma Praça da cidade que é amplamente visitada por um determinado contingente populacional, possibilita que os frequentadores do espaço tenham contato com atividades culturais e com o comércio de obras literárias, permite que outro grupo frequente a Praça e perceba que o espaço também pode ser utilizado em outros momentos.
Atualmente a consolidação dos espaços “instagramáveis” onde se tiram fotos como por exemplo o telhado de guarda-chuvas da última Feira do Livro, permitem um maior fluxo de pessoas em determinado ponto da cidade.
Portanto, a ocupação dos espaços públicos para realização de atividades de educação patrimonial, eventos, lazer ou como ponto “instagramável” são formas de democratizar o acesso á estes espaços outrora restritos a grupos específicos. Afinal os espaços são de todos.
Referências
BURITY, Joanildo. Religião, cultura e espaço público: onde estamos na presente conjuntura. Religião, Cultura e Espaço Público. São Paulo/Campo Mourão: Olho D’Água/Fecilcam, p. 13-50, 2016.