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O tráfico deve ser combatido de forma constante, afirma delegado

O caminho obscuro do tráfico é assunto de uma entrevista exclusiva com o delegado Gustavo Ceccon

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Izabel Seehaber
Por Izabel Seehaber

Os acusados de tráfico presos na Operação Santo Cristo devem passar o Natal na cadeia. O cumprimento dos mandados judiciais foi efetuado na última semana e, segundo a polícia, mesmo que algumas pessoas possam voltar logo à liberdade, há grande probabilidade de condenação pelo crime de tráfico de drogas. 

E foi esse caminho obscuro do tráfico o assunto de uma entrevista exclusiva do Bom Dia com o delegado titular da Defrec de Erechim, Gustavo Ceccon. Na ocasião ele destacou que muitas vezes a prisão faz com que o traficante repense se vale a pena entrar para o tráfico, ou não, pois, segundo ele, "o dinheiro vem fácil e também vai fácil". 
Avaliando o reflexo da última ação especial realizada em parceria com a Brigada Militar, "Operação Santo Cristo", o delegado disse que a polícia acredita que, ao retirar das ruas alguns acusados de tráfico, a situação em Erechim foi amenizada, mesmo sabendo que surgem outras pessoas que se organizam e 'assumem' o lugar daqueles que foram presos. "Aos traficantes, além do prejuízo de ficarem presos, também há um prejuízo financeiro significativo, gastam com advogados, perdem dinheiro que estavam ganhando com a atividade. Muitas vezes isso acaba fazendo o próprio traficante repensar se realmente vale a pena entrar para o tráfico, ou não, pois como o dinheiro "vem fácil, também vai fácil", enfatizou.
Ainda conforme Ceccon, se for analisada por exemplo, somente a parte financeira, os traficantes podem ter mais prejuízo com a prisão do que se não tivessem começado a traficar.  


Combate às drogas
Outra situação também, é que o traficante, após ser preso e em seguida retornar à sociedade, começa a ser observado com 'outro olhos' pela polícia que já sabe que ele se envolveu com tráfico. "O tráfico de drogas deve ser combatido de forma ininterrupta, não vamos parar de atuar e provavelmente mais traficantes serão presos logo, pois o tráfico não para em razão de que há usuários", pontuou.
Em relação ao trabalho realizado pela polícia, o delegado ressaltou que são basicamente duas frentes: repressão e prevenção, sendo que a Polícia Civil atua especialmente na repressão. "A prevenção se dá pela educação, pelas campanhas, inclusive a Brigada Militar tem o Proerd. Já a PC tem um departamento no Denarc que realiza palestras. As duas frentes aliadas são fundamentais, quanto menos procura tiver pelas drogas, menos pessoas estarão vendendo", reiterou. 
Um dos crimes mais graves
O tráfico vem crescendo significativamente nas últimas décadas. "Isso é muito preocupante, causa um prejuízo social muito grande, afinal existem mais usuários e há drogas novas e o pessoal fica curioso, acaba se viciando e em seguida ocorre o ciclo que conhecemos: destruição de famílias, além de que a pessoa viciada muitas vezes acaba não conseguindo se manter", comentou, reforçando que, para quem entra nesse "mundo" é complicado, considerando que muitas pessoas que superaram o vício, acabam tendo uma vida bastante limitada e a qualquer momento podem ter alguma recaída.
Outra questão é que o tráfico pode estar interligado a muitos outros crimes e para a polícia, é um dos crimes mais graves que existe na legislação. 

Sobre os presos da Operação "Santo Cristo"
Na operação realizada na última semana, 24 pessoas foram presas preventivamente, acusadas de envolvimento com o tráfico de drogas. Conforme o delegado, nesse tipo de enquadramento, não tem um período mínimo de prisão que irá persistir enquanto se manterem os fundamentos que possibilitaram que elas fossem decretadas.
"Depende muito da situação pessoal de cada pessoa presa, mas no Judiciário local acredito que será difícil reverter a decisão inicial. Já no Tribunal, há posições divididas a respeito da matéria. É difícil fazer alguma projeção, não sabemos quem vai recorrer. Depende se a pessoa é ré primária, ou até mesmo a questão da mulher que está grávida e o bebê está prestes a nascer. É uma situação específica", explicou Ceccon, destacando que "embora, mesmo que alguém consiga sair logo, acredito que a maioria será condenado por tráfico de drogas. Uma coisa é a prisão preventiva e a outra é a condenação".

Prisões e condenações
O delegado salientou ainda, que na maioria das operações realizadas pela Defrec, o índice de condenações é muito alto.  
"O primeiro passo é ter certeza sobre o tráfico de drogas e por quem é praticado. Depois é reunir provas para que essa pessoa seja oficialmente condenada. No caso das últimas prisões, foram identificados vários elementos em cada acusado, os quais demonstram que eles tinham no tráfico de drogas o próprio meio de vida", completou. 

 

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