O jornalista José Adelar Ody, autor do livro da história dos Atlangas, fez um relato perfeito do que foi a passagem de Pelé por Erechim, como segue.
Eu tinha 17 anos. Estava no Colosso da Lagoa.
Trabalhava no Posto Atlantic como frentista. Pertinho do Hotel Erechim.
Ali estava hospedado o Santos - ou melhor - o maior jogador de futebol da história.
Tudo girava em torno de Pelé.
As ruas Valentim Zambonatto e Torres Gonçalves foram fechadas na quadra próxima ao hotel.
A segurança era quase como normal, sem estardalhaços.
Pelé saiu para vários compromissos. Tirou fotos ao lado de pessoas e de erechinenses com suas famílias.
Era um cavalheiro. Um modesto com coroa de rei. Ali já era um dos homens mais reconhecidos do globo terrestre.
Nascido em família pobre e de negros, através da sua genialidade foi coroado rei - rei do futebol.
As maiores personalidades políticas, econômicas, religiosas, do entretenimento e sociais, do seu tempo - estiveram com ele.
Pelé chegou a Erechim e foi embora deixando sua marca nas redes recém colocadas pela primeira vez no Colosso da Lagoa e nos corações dos erechinenses que conseguiram ter acesso a ele sem cerimônias - e não foram poucos.
Pelé estava no jogo inaugural do novo estádio. Era uma quarta-feira de lua e céu estrelado.
Antes de entrar em campo, ainda nos vestiários, os dirigentes do Santos exigiram o pagamento da cota para o amistoso.
Talvez o Ypiranga se programara para pagar a cota ao final da partida. Dirigentes do Ypiranga correram e alcançaram dois cheques de 50 mil cruzeiros cada um e aí o Santos - com Pelé em carne osso -, apareceu na boca do túnel e, na retina do público que estava no estádio, permanece até hoje.
Erechim, a Campo Pequeno, imaginem só, deu cama, comida, abraços, e abriu-se para uma apresentação de luxo daquele que é para todo o sempre, insuperável, no futebol.