O incentivo ao cuidado e equilíbrio da saúde mental é algo permanente, porém, ganha um destaque ainda maior neste mês por meio da campanha ‘Setembro Amarelo’, com o foco central na valorização da vida.
O movimento, difundido em âmbito nacional, recebe adesão expressiva em Erechim e região, por meio do trabalho dos profissionais da saúde. O propósito é chamar a atenção para a prevenção ao suicídio mas frisar, essencialmente, a importância do cuidado da saúde mental.
A psicóloga e diretora do setor de Saúde Mental da Secretaria de Saúde de Erechim, Juliana Deboni, relata que a abordagem visa trabalhar a prevenção e a promoção em saúde mental. Ela lembra que, muito antes da pandemia, pesquisadores da área de assistência em saúde mental, tem se preocupado sobre o quanto esse campo desencaminhou algumas discussões no sentido de individualizar e patologizar a pessoa que manifesta sofrimentos psíquicos. “Quando eu individualizo, diagnostico alguém, esqueço que o contexto que essas pessoas estão inseridas, pode estar adoecido. Desse modo, muitos estudiosos e nós profissionais da área, estamos desenvolvendo essa questão: porque as pessoas estão adoecendo? Como o mundo está organizado e como contribui nesse processo?”, explica a psicóloga ao pontuar que entre os aspectos que precisam ser levados em conta está a observação das condições de vida desse paciente. Para ter saúde mental, as pessoas precisam de moradia, alimentação, estudo, mas também de redes de lazer e suporte social. “É fundamental ter uma sociedade ancorada para que as pessoas adoeçam cada vez menos”, acrescenta.
Juliana salienta que é necessário considerar os impactos à saúde mental a partir dos momentos mais críticos da pandemia de covid-19, que de alguma forma intensificaram o adoecimento mental, mas deve ser pensado que, situações, laços e gestos tão óbvios, como a solidariedade, a empatia, o acolhimento, a paciência e, no limite, o amor ao próximo, devem prevalecer para fortalecer a comunidade no enfrentamento dos desafios. “É muito importante mantermos relações saudáveis com nossos pais, colegas de trabalho, não isolando quem está em adoecimento, e há momentos que será preciso buscar ajuda profissional, mas nem sempre é necessária uma intervenção técnica. Os psiquiatras, psicólogos desempenham um trabalho especial na construção do cuidado em saúde mental, mas há outras ações que são do cotidiano, da vida e que precisam ser lembradas”, enaltece.
Atenção às crianças e adolescentes
A psicóloga relata, ainda, que a proposta no município é construir uma política pública de saúde mental com um olhar que promove e previne o adoecimento e que se volta à infância e como as crianças estão se desenvolvendo. “Nesse sentido temos um projeto, que já foi aprovado pelo Governo do Estado e agora será enviado ao Ministério da Saúde, visando a implementação de um Capsi voltado às crianças e adolescentes”, pontua.
Atendimento
A Secretaria de Saúde de Erechim possui quatro serviços de assistência em saúde mental: dois Centros de Atenção Psicossocial (Caps AD e Caps 2), um ambulatório e uma equipe multiprofissional especializada.
Do mesmo modo que é oferecido suporte no atendimento individualizado, a ideia, afirma, a psicóloga, é fortalecer os grupos sociais de apoio junto às Unidades Básicas de Saúde. Atualmente, cada UBS do município tem uma psicóloga para fazer o acolhimento da população. Os profissionais, em parceria com a equipe da Estratégia de Saúde da Família, irão desenvolver linhas de cuidado de forma coletiva, com Práticas Integrativas e Complementares, para que as pessoas tenham espaços grupais de pertencimento.