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Saúde

Significados e expressões a partir do silêncio

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Luana Gasparetto Fontanella
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Esse sábado, 07 de maio, é considerado o ‘Dia do Silêncio’. A data convida para uma reflexão sobre as formas de evitar a poluição sonora – seja ela por barulhos excessivos de objetos ou incômodos de qualquer natureza, incluindo as conversas em tom elevado.

Nesse sentido, a psicóloga que atua na Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim, Luana Gasparetto Fontanella, explica a importância de respeitar os diferentes ambientes e observar os momentos em que não é preciso falar para se comunicar.

Segundo Luana, o barulho possui um significado diferente para cada pessoa. “Um exemplo refere-se a uma pessoa que escuta uma música alta, diferente do estilo que eu admiro. Para mim pode ser uma poluição sonora ou, caso contrário, posso gostar de ouvi-la. Por isso, acredito que precisamos dosar essas questões e ter limites para não atrapalhar, mantendo a preocupação em respeitar o outro”, explica, ao citar que, se em locais como hospital, velório ou algumas igrejas, respeita-se um pouco mais o silêncio, essa ideia deveria ser mantida em todos os outros espaços. “Sabemos que algumas pessoas costumam falar mais alto, no entanto, para quem está doente, enfrenta crises de enxaqueca ou não está bem por algum outro motivo ou, ainda, tem dificuldades de dormir e tem sensibilidade aos ruídos, isso é muito ruim”, acrescenta.

No hospital há um fluxo expressivo de pessoas e, em alguns momentos, o barulho pode atrapalhar, no entanto, a equipe sempre busca alternativas para manter uma rotina bem organizada, principalmente à noite. “Cuidamos para que as pessoas falem mais baixo e as conversas não interfiram na recuperação. Isso tudo representa respeito e cuidado ao próximo”, enfatiza.

‘Ouça o que o silêncio quer dizer’

Quando estamos em uma conversa com alguém e essa pessoa fica em silêncio, seja numa discussão, durante um atendimento, ou, ainda, no momento que um amigo fica mais quieto, costumamos ter dificuldade de compreender essa postura. “Contudo, é preciso pensar que ele diz muitas coisas, pois é uma forma de comunicação, do mesmo modo que a linguagem corporal. Por isso, não podemos ignorá-lo. Ao mesmo tempo, há pessoas que estão em sofrimento e ficam mais quietas. Isso representa que ela não precisa falar o que está sentindo. Por isso, é preciso respeitar, afinal, as vezes também precisamos de silêncio, onde ficamos mais introspectivos e ouvimos mais o nosso interior”, destaca a psicóloga.

Acolher sem falar

O silêncio, muitas vezes, entra também como uma questão de conforto, cuidado e acolhimento. Conforme Luana, em um momento difícil, por exemplo, nem sempre é preciso falar. “As minhas atitudes em silêncio, de ficar ao lado do paciente, em poder estar ali como um ponto de apoio, já pode ajudar. A presença, por si, pode transmitir segurança e tranquilidade”, reitera a psicóloga.

Atenção desde cedo

Quando nos referirmos especialmente à saúde mental, Luana chama a atenção voltada às crianças, principalmente na escola. “Aquelas que costumam ‘chamar mais a atenção’, que são mais hiperativas, conversam mais, normalmente são motivos de “preocupação”. Por outro lado, quem costuma ficar mais em silêncio, geralmente não é visto com mais critério. Porém, esse aluno pode ter um sofrimento tão significativo quanto outro que manifesta pela fala. Assim, é necessário ampliar esse olhar”, salienta.

Na mesma linha, muitos pacientes chegam ao hospital com sintomas físicos e, no momento de conversar, geralmente estão mais quietos e com um sofrimento enorme. “Eles nem sempre traduzem isso em palavras e a expressão é pelo corpo”, relata a psicóloga que atua no Hospital Santa Terezinha. 

 

 

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