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Saúde

‘Sem fórmula mágica’: fuja dos padrões e reconheça aliados do emagrecimento

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Endocrinologista, Gabriele De Geroni
Por Izabel Seehaber
Foto TV Bom Dia

A maioria das mulheres já se preocupou com a questão de peso ou conheceu alguém que manifestou esse cuidado ou aflição, especialmente ao que diz respeito ao emagrecimento. Isso acontece, por vezes, em relação à saúde e também, pela “pressão estética” enfrentada, especialmente, pelo público femino. Essa é uma queixa comum nos consultórios de Endocrinologia.

Para esclarecer melhor o assunto, o Programa Equilibre-se da semana passada conversou com a médica endocrinologista, Gabriele De Geroni. Ela alertou sobre as falsas promessas contidas em alguns produtos e orientou sobre medidas essenciais que favorecem o “bom relacionamento com a balança”. Confira os principais registros do bate-papo que pode ser conferido na página do Jornal e TV Bom Dia no Facebook.

Saúde em primeiro lugar

Inicialmente a médica pontuou que as mulheres costumam ter mais dificuldades que os homens na questão do emagrecimento e de manter um peso em equilíbrio. “O público masculino é geneticamente favorecido em ter um peso melhor, contudo, alguns hábitos e acompanhamento especializado podem auxiliar na perda de peso e, principalmente, para que a pessoa possa manter o novo peso. Temos muita atualização sobre o assunto, estudos e opções de tratamento, o que amplia o foco nas consultas das mulheres”, relatou.

A especialista, porém, ressaltou que o resultado estético é secundário. “Precisamos pensar em saúde em primeiro lugar e a estética é um fator secundário, uma espécie de bônus. Isso é essencial para não ficarmos tentando alcançar “padrões” que por vezes podem ser inatingíveis e muitas vezes as redes sociais pregam como algo ideal. Na tentativa de buscar resultados, algumas ações podem não ser saudáveis e seguras. Desse modo, vale o alerta”, enfatizou.

O ‘peso ideal’

Outro ponto relatado pela médica é o caso de pacientes que estão acima do peso e não tem alterações nos exames, e outros, magros, que podem estar com o colesterol alto. Segundo Gabriele, isso ocorre e vale a atenção de que, quando estamos um pouco acima do peso, mesmo que os exames estejam normais, há um risco aumentado para algumas doenças como diabetes, hipertensão e colesterol elevado. “Esse é o motivo principal de manter um peso ideal para cada pessoa, pensando no momento e, ainda, no futuro que poderá ter repercussões”, acrescentou.

Genética não é destino

A endocrinologista declarou que existe a tendência genética, quer dizer, alguns pacientes têm uma predisposição para serem magros e outros para apresentarem um excesso de peso, no entanto, ela reiterou que genética não é destino e um estilo de vida ruim favorece uma genética de peso superior ao desejável, por exemplo. “Em meio a isso, temos alguns mitos de que a tireóide seria a causa para ganho de peso, mas é preciso explicar que uma tireóide descontrolada acaba desacelerando um pouco o metabolismo, contudo, muitas vezes é retenção de líquido e não um ganho de gordura. Então, se a pessoa está 10, 20 quilos a mais, pode ser que outro fator esteja atrelado, como sedentarismo e alimentação desequilibrada”, salientou.

A própria pandemia reflete diversos problemas relacionados ao excesso de peso, onde muitas pessoas diminuiram os exercícios e descuidaram por vezes da alimentação, o que impacta no ganho de peso. Isso é preocupante e envolve, ainda, muitas crianças.

Medicamentos: são necessários?

Como é de conhecimento, não há ‘fórmula mágica’ para perder peso. Nesse sentido, vale um olhar redobrado para algumas falsas promessas de medicamentos e chás, facilmente obtidos, e que, consumidos equivocadamente, podem causar problemas à saúde. “Há remédios liberados e que funcionam no tratamento da obesidade e há algumas medicações que podem ser adquiridas até mesmo pela Internet ou diretamente nas farmácias mas não tem evidências científicas que funcionam. Vimos recentemente algumas notícias de mulheres que acabaram tendo complicações ou perdendo a vida por mistura de medicamentos ou intoxicação hepática”, alertou a médica de Erechim.

Sendo assim, é preciso atentar para as “misturas”, sendo que as fórmulas para emagrecer já foram proibidas de serem feitas no ano passado e agora a Anvisa divulgou uma relação de diversas substâncias que estão proibidas de serem comercializadas por esses problemas que podem causar. “Muitas vezes são ervas que misturadas, podem gerar efeitos graves à saúde. Por isso, é imprescindível buscar um endocrinologista, especialista na área para tratar a obesidade. Há itens que podem ser indicados, contudo, depende de cada metabolismo e deve ser adequado a um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada e exercícios físicos”, assinalou.

Ao mesmo tempo, Gabriele recomendou que é preciso estruturar um planejamento, para que, além de perder peso, possa ser mantido um peso ideal. Essa manutenção por vezes é a fase mais desafiadora e não é fácil perder peso. Temos o mito de que vamos comer pouco por dois dias e emagrecer ou usar diurético e “secar”. Não é bem assim, pois ganhamos peso ao longo de um tempo e, assim, não vamos conseguir perder o que ganhamos em dois anos, em 15 dias. Quando tentamos fazer algumas “loucuras”, colocamos a nossa saúde em risco”, frisou.

A especialista enalteceu que não indica nada muito restritivo, pois, a curto prazo pode até funcionar, contudo, pode até desmotivar a pessoa a prosseguir uma alimentação adequada.

Veja a seguir algumas dicas básicas:

* O ideal é comer comida de verdade, nas porções recomendadas e aumentar o gasto calórico por meio do exercício que é fundamental para tudo: coração, pulmão, cérebro, para a parte psicológica, fortalece os músculos e os ossos.

* Evitar itens industrializados;

* Os cuidados são importantes e no início pode ser mais difícil, mas é importante começar, pois, aos poucos, deixa de ser uma obrigação e é possível ver resultados e envolver toda a família em hábitos saudáveis.

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