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Saúde

Retinoblastoma: doença rara exige atenção redobrada desde o nascimento

teste
Daniele Bica Madalozzo
Por Izabel Seehaber
Foto TV Bom Dia

Tiago Leifert e sua esposa, a jornalista Daiana Garbin, revelaram recentemente que Lua, filha de um ano do casal, foi diagnosticada com um tipo de câncer raro nos olhos, denominado retinoblastoma. O vídeo gravado por eles teve o objetivo de alertar sobre os principais sintomas da doença, além de destacar a importância do diagnóstico precoce.

O tumor intraocular é o mais comum da infância e corresponde de 2,5 a 4% de todas as neoplasias pediátricas. O Bom Dia resolveu trazer esse assunto para a reflexão em âmbito regional, afinal, falar em prevenção, nunca é demais. Para auxiliar na melhor compreensão sobre esse problema de saúde, a convidada foi a médica oftalmologista que atua no Instituto de Olhos Santa Luzia de Erechim, Daniele Bica Madalozzo. A especialista participou do Programa Equilibre-se transmitido na sexta-feira (18), pelo Facebook do Jornal e TV Bom Dia. Confira a seguir os destaques da conversa:

Fatores que podem estar relacionados

Segundo a especialista, o retinoblastoma é diagnosticado, geralmente, até os três anos de idade, sendo raro após os cinco anos. “É uma faixa etária em que as crianças não falam direito, não sabem identificar exatamente os sintomas e por isso é essencial as triagens para que possa ser feito o diagnóstico precoce dessa doença tão rara, mas agressiva, pois pode causar metástases”, alerta, citando que podem estar envolvidos fatores genéticos (hereditários ou não).

Os cuidados da visão das crianças iniciam ainda na maternidade, com o Teste do Olhinho, feito normalmente pelo pediatra. “Há crianças que já nascem com tumor, sendo uma desordem nas alterações das células mais primitivas da retina, exatamente na fase infantil, enquanto ocorre a diferenciação”, explica Daniele.

Vale ressaltar que o teste também faz a triagem para doenças como catarata congênita e glaucoma.

Na sequência é recomendada a primeira consulta com o oftalmologista entre seis meses e 1 ano de idade do bebê, antes de surgir qualquer sintoma, que por vezes não é identificado e pode resultar em baixa de visão e outras complicações.

Sinais de alerta

De acordo com a oftalmopediatra, um dos primeiros sintomas do retinoblastoma é o popularmente conhecido ‘olho de gato’, chamado de leucocoria – uma espécie de reflexo branco na região da pupila. Geralmente isso é observado em fotografias, por exemplo, quando o reflexo de um olho é vermelho e de outro, branco.

O estrabismo – desalinhamento ocular em que os olhos não conseguem olhar para a mesma direção – também pode estar relacionado à doença.

Consultas de rotina

A Dra. Daniele e todo o corpo clínico do Instituto de Olhos Santa Luzia sempre enfatizam a necessidade das consultas de rotina. Nesse caso, essa orientação é ainda mais importante. “Nosso propósito é confirmar que não há doenças e que a visão da criança está plena. Desse modo, o quanto antes for a visita ao especialista, melhores serão os resultados e a qualidade de vida na infância e fase adulta”, reitera.

Opções de tratamento

No que se refere às opções de tratamento para o retinoblastoma, a médica salienta que essa atenção geralmente é encontrada em centros especializados de saúde, como em São Paulo, por exemplo. “Existem tratamentos atuais como a quimioterapia intra-arterial que leva a medicação diretamente para o olho, proporcionando menos efeitos colaterais para a criança e um índice de sucesso muito grande, podendo registrar mais de 90% de chances de cura quando a doença está somente no olho”, pontua.

Cuidados permanentes

Após o ciclo de tratamento, vale ressaltar que é necessário um acompanhamento para verificar a cicatrização do tumor e o quanto a doença pode impactar na qualidade da visão e se há necessidade do uso de óculos.

Dica da especialista na fase de ‘volta às aulas’

Na avaliação de Daniele, esse período de retomada das atividades escolares é muito importante pois as professoras muitas vezes conseguem observar quando uma criança apresenta alguma dificuldade para enxergar. Ao mesmo tempo, é interessante que os pais perguntem se o filho enxerga bem no quadro e também observem se a letra ficou estranha ou surgiu uma coceira nos olhos que pode surgir de uma alergia e levar até mesmo a um astigmatismo ou, posteriormente, a um ceratocone.

A médica chama a atenção, ainda, para o uso excessivo do celular que está elevando o número de casos de miopia em crianças e adolescentes. “Alguns estudos sinalizam que até 2050, metade da população será míope e isso refere-se ao uso de telas”, menciona.

Em caso de alguma mudança na rotina ou dúvidas, o ideal é procurar um especialista para fazer uma avaliação.

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