Nos últimos dias um dos assuntos de grande repercussão é o “clima de volta às aulas”. Levando em conta que a sociedade ainda vivencia uma pandemia, ao passo que há uma expectativa para o retorno às aulas e manutenção das atividades presenciais, muitos pais não escondem as dúvidas frequentes a essa retomada nas instituições.
Para esclarecer e orientar as famílias e educadores, a reportagem do Bom Dia conversou com o infectologista de Erechim, Vanderlei Madalozzo, que afirma: esse período requer uma atenção especial em relação à saúde de crianças e adolescentes. “Trata-se de uma das situações que mais preocupam os órgãos de saúde, pois é uma oportunidade em que há aglomerações de pessoas e há mais de dois anos falamos sobre a necessidade de evitar esses tipos de situações. Por isso, é necessário que haja cuidados especiais não somente diante da covid-19 mas em relação a outras doenças respiratórias”, reforça o especialista.
Conforme o médico, mesmo que estejamos no verão, existem algumas viroses respiratórias que também são transmitidas da mesma maneira que a covid-19 e geram sintomas como tosse e espirros, os quais podem representar complicações em ambientes fechados e com aglomerações. “Desse modo, mais do que nunca, as escolas devem estar preparadas e acredito que todas estejam organizadas para receber esses alunos, seguindo as medidas de controle para evitar contaminações, a exemplo da disponibilização de álcool gel e a priorização de ambientes arejados”, pontua, citando que é um período diferenciado, em que a maioria das escolas adere às aulas presenciais, tornando-se, assim, uma situação nova nessa fase de retomada.
Vacina: aliada fundamental
Nesse momento, uma importante aliada de todas as faixas etárias contra a covid-19, é a vacina. No caso das crianças e adolescentes, é preciso considerar, ainda, as outras doses de rotina. “Sou um fã da vacina. O fato de termos à disposição uma medicação que, ao ser injetada no organismo é capaz de criar anticorpos para prevenir a evolução da doença, é algo fantástico. Diante disso, mais do nunca a vacinação contra a covid é essencial. Temos estudos e o exemplo de outros países da Europa, por exemplo, que fizeram a vacina e com êxito. Os possíveis efeitos colaterais, que até hoje não estão muito bem compreendidos, são muito inferiores em relação aos benefícios da vacina que permite mais segurança para nossos filhos, familiares, amigos e para todos nós”, comenta o infectologista.
Ao mesmo tempo, há uma diminuição da circulação do vírus e, possivelmente, da formação de novas cepas. “Sempre aconselhamos as pessoas para que façam a vacina, não acreditem em fake news e, sim, no que a ciência mostra por meio de vários dados que demonstram a eficácia dos imunizantes”, enfatiza Dr. Madalozzo.
Vale ressaltar que há outras vacinas que integram o calendário e, desse modo, os pais e responsáveis precisam estar atentos aos períodos indicados e às doses que faltam.
Em caso de dúvidas, a dica é procurar um pediatra que irá esclarecer e orientar sobre a postura mais indicada. “A Sociedade Brasileira de Pediatria, de Imunizações, Infectologia e outras, do mundo todo, orientam para a adesão à vacina. São estudiosos e profissionais que estão no dia a dia das questões voltadas ao Coronavírus e combate à pandemia, fato que reafirma a importância de confiar nas pesquisas”, enaltece o médico de Erechim.
Sintomas e cuidados
Durante a conversa, o infectologista destacou outro aspecto que diz respeito a alguns sintomas característicos e o olhar redobrado dos pais. “Tivemos no início da pandemia vários quadros típicos de infecção respiratória, com tosse, febre, dor de garganta e com o passar do tempo percebemos que a covid-19 não se apresentava somente dessa maneira. Agora, com os estudos que envolvem a Ômicron, variante predominante do mundo, foi identificado que a dor de garganta seria o único sintoma. Assim, preconizamos que, quando alguém estiver com a denominada ‘síndrome gripal’, com sintomas que podem incluir: dor no corpo, um pouco de coriza, de dor de garganta, o indicado é não encaminhar para a escola e aguardar por pelo menos 24 horas em casa”, mencionou.
Se no outro dia os sintomas permanecerem, o indicado é procurar um médico ou fazer o exame a partir do terceiro dia. “A testagem é muito importante. Sabemos que há questões como a dificuldade financeira, mas temos o serviço público que também oferece os testes, conforme protocolos de atendimento”, acrescentou o especialista.
Em um cenário de dúvidas e questionamentos o que não deve ser esquecida é a preocupação com o cuidado de si e do próximo. Dessa maneira, todas as ações evidenciadas pelos especialistas, pode ser motivo de esperança e retomada oficial de atividades.