O Ministério da Saúde lançou a terceira edição da SB Brasil – Pesquisa Nacional de Saúde Bucal. O projeto foi apresentado ao público na sexta-feira (11), em Brasília (DF), e pretende contemplar as diferentes regiões do país na identificação das principais demandas, aspectos positivos e ações que podem ser ampliadas no que se refere às condições dentárias da população.
O trabalho será baseado na busca ativa: a equipe de campo irá até a casa das pessoas para fazer a avaliação bucal. No total, serão examinados 50,8 mil brasileiros de 422 municípios.
No Alto Uruguai
Na região de Erechim, o clima é de expectativa para o início dos trabalhos. O presidente da Associação Brasileira de Odontologia (ABO) Alto Uruguai, Alexandre Binotto, avalia como extremamente importante um levantamento de dados dessa proporção que, segundo ele, irá permitir melhorias tanto nos serviços competentes ao sistema público, como privado. “A partir disso teremos subsídios para direcionarmos as atenções, por exemplo, na saúde pública, para que as práticas desenvolvidas sejam certeiras, conforme as demandas das realidades regionais e locais. Desse modo, os investimentos e o direcionamento de recursos podem ser mais eficientes”, afirma.
Segundo o dentista, a estimativa é que a pesquisa chegue à região o quanto antes, contudo, a pandemia irá influenciar nesse processo. Outro aspecto, pontua o especialista, é que a maioria da população é resistente em receber as pessoas em casa, principalmente quando é levantamento de dados. “Vale ressaltar que, no momento em que um cidadão for questionado se quer receber um cirurgião-dentista e sua equipe (os quais farão contato prévio), para que ele aceite e possa contribuir para essa pesquisa, pois as informações podem auxiliar em âmbito regional”, orienta.
Crianças e idosos: uma atenção especial
Em relação às áreas que merecem uma atenção redobrada quando o assunto é saúde bucal, Alexandre comenta que vale um cuidado especial nas faixas etárias que envolvem crianças e idosos. “Atualmente percebemos que na fase infantil há uma assistência muito positiva, mas que claro, pode melhorar ainda mais. Por isso, se torna essencial intensificar as ações preventivas, com orientações às crianças para que elas saibam como fazer a escovação, usar adequadamente o creme dental, o fio. É muito interessante que, quando elas aprendem de forma correta, conseguem replicar de forma mais efetiva e toda a família segue os hábitos”, reforça.
Na opinião do especialista erechinense, a Odontologia precisa estar cada vez mais inserida e atuante nas escolas. "Percebemos, por exemplo, nos hospitais, durante o acompanhamento de pessoas internadas nas UTI’s, com complicações da covid-19, se há orientação odontológica, é possível obter uma maior expectativa de vida do paciente”, observa.
Outro público que merece estar entre os focos de trabalho, são os idosos. O presidente da ABO Alto Uruguai menciona que, uma das preocupações é o fato de muitas pessoas na região sofrerem com a falta de dentes, sejam superiores ou inferiores, o que compromete bastante a Nutrição, o desenvolvimento intelectual e várias ações do dia a dia, como um todo. “É algo que pode ser facilmente resolvido e evita outros problemas por meio de uma atenção básica de saúde ao idoso”, enaltece Alexandre, citando que o Pré-Natal Odontológico é outro programa incentivado pelo governo federal e visa prevenir complicações como o próprio parto prematuro que em algumas situações pode estar atrelado a alguns problemas dentários. “É uma bandeira que deveria ter sido levantada há muito tempo, pois propicia o repasse de informações à mãe, sobre cuidados que ela precisa ter durante a gestação, extensivo à fase posterior ao nascimento”, acrescenta o dentista, reiterando que esse questionário pode levar melhores orientações a todos os profissionais.
O início do trabalho será nas capitais e posteriormente contemplará municípios do interior. A coordenação recebeu um treinamento em Brasília, o qual será repassado às equipes de saúde que atuam nos postos de todo Brasil.
Outras iniciativas
O Ministério da Saúde lançou, também, a segunda edição do Guia de Orientações para a Atenção Odontológica no Contexto da Covid-19. O material foi desenvolvido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Conselho Federal de Odontologia para orientar gestores e profissionais.
Na oportunidade foi anunciado o Censo Demográfico da Força de Trabalho Odontológica no Brasil. A pesquisa tem o objetivo de descrever o perfil dos trabalhadores da área de Odontologia, consideradas as cinco categorias profissionais regulamentadas hoje: cirurgiões-dentistas, técnicos e auxiliares em saúde bucal e técnicos e auxiliares em prótese dentária.