Com 86.995 pessoas vacinadas com a 1ª dose, 84.521 com a 2ª e 33.450 com a dose de reforço, Erechim segue entre os municípios líderes em imunização no RS. O principal efeito positivo disso pode ser percebido observando-se a mais cruel das estatísticas relacionadas à pandemia: os óbitos. Desde 16 de dezembro de 2021 a Capital da Amizade não registra mortes causadas pela covid-19.
Ahhhhh, mas o leitor incauto pode se perguntar: então explica por que, mesmo assim, há situações em que vacinados morrem? E, mais ainda, por que temos um número tão alto de contaminados neste início de 2022?
Vamos por partes.
Em primeiro lugar, sabidamente, as vacinas não garantem 100% de eficácia contra o coronavírus Sars-CoV-2, como qualquer tratamento de saúde. Aliás, para ela ter efeito no organismo, vale frisar, a substância precisa de pelo menos 15 dias após a 2ª dose (no caso das vacinas aplicadas em duas etapas) para estabelecer proteção. Além disso, mesmo com a imunização completa, devido às novas variantes (ainda pouco estudadas), é inegável que o risco de infecção – e de mortes – siga existindo, em Barão de Cotegipe, Brasília ou Londres.
Em entrevista repercutida nacionalmente, a infectologista do Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR/Ebserh), Sonia Raboni, observou: “Os estudos (pré-vacina) contam com milhares de participantes, mas quando se começa a aplicar a vacina em milhões de pessoas, vão aparecer aqueles que desenvolvem a doença grave. O que os estudos dizem e o que vemos é que quem recebe a vacina tem um risco menor de adoecer”, diz. Pessoas mais velhas e com algumas comorbidades não fazem parte dos primeiros grupos a entrarem nos estudos – geralmente sendo incluídas depois e em menor número, completa a médica. Segundo Raboni, o grupo de pessoas mais velhas, que têm um sistema imune mais debilitado, pode ter respostas mais fracas.
O segundo ponto, a explosão de casos – só em Erechim tivemos acréscimo de 1.439% no total de contaminados entre 3 e 25 de janeiro de 2022 (salto de 23 para 331 positivados) –, parte de entendimento que dialoga com o parágrafo anterior (considerada a chegada da nova variante ômicron, somada ao ‘oba oba’ de fim de ano) e vai além, caminhando com o consagrado pela medicina, de que a vacina não impede o contágio pelo coronavírus, mas diminui a chance de agravamento da doença.
Por fim, ouvindo quem está na linha de frente, é justo considerar o que diz a coordenadora geral da secretaria da Saúde de Erechim, Leila Hofmann, para quem a adesão massiva da população tem contribuído para que as internações e as mortes apresentem, por enquanto, indicadores favoráveis.
Em tempo
Também é importante lembrar que as vacinas não causam Aids, nem tampouco têm chips embutidos ou, ainda, conforme prega Eric Clapton, os imunizados teriam sido vítimas de ‘hipnose em massa’ – contrariando fake news que correm léguas (confirmando o adágio de Winston Churchill, de que a mentira dá a volta pelo mundo antes de a verdade ter tempo de vestir as calças). Acredite: numa hora dessas, vale mais acreditar em organismos de saúde sérios, do que no WhatsApp ou Telegram daquele amigo, ou parente, negacionista.
Vacinação das crianças
Enquanto isso, é preciso informar que nesta quarta-feira, 26, prossegue nas UBSs de Erechim (das 8h30min às 15h30min) a vacinação das crianças – desta vez voltada àquelas com 10 anos sem comorbidades. Na quinta, 27, o chamado é para a galerinha com 9 anos. No sábado, a UPA estará aberta das 8h às 13h para todas as pessoas a partir de 9 anos.