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Saúde

Adeve: uma ‘segunda casa’ no estímulo à autonomia

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Entre as ações estão as dinâmicas em grupo com o objetivo de promover a autoestima
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação/ Adeve

A Associação dos Deficientes Visuais de Erechim (Adeve) é uma entidade sem fins lucrativos criada há nove anos para atender cegos e pessoas com baixa visão por meio do desenvolvimento de atividades que visem promover a autonomia.

Em meio às diferentes ações realizadas com os usuários, uma das áreas que merece atenção é a saúde mental.

O Bom Dia conversou com a psicóloga, Marisa Calgarotto, que atua há dois anos na entidade, e explicou um pouco mais em relação ao trabalho envolvendo as famílias.

Segundo Marisa, os projetos e práticas são colocados em prática de acordo com as necessidades e demandas dos usuários. Entre os destaques está a escuta e orientação psicológica, dinâmicas em grupo - promovendo a autoestima, além de debates sobre as dificuldades, medos e preconceitos que o deficiente visual enfrenta. “Nas oportunidades também há troca de experiências e vivências do dia a dia entre os membros do grupo, visitas domiciliares, convívio e fortalecimento de vínculos entre família e deficiente visual”, comenta a psicóloga, citando que, devido a pandemia, os atendimentos e atividades de grupo foram reduzidas e, nesse período, 38 pessoas são atendidas na Adeve.

O cuidado da saúde mental

Marisa reitera que, cuidar da saúde mental sempre foi tão importante quanto cuidar da saúde física, pois uma complementa a outra e se as duas estão sadias, consequentemente a pessoa estará bem, feliz, com estímulos internos saudáveis para trabalhar, estudar e socializar. “No momento atual enfrentamos as consequências da pandemia, fase que alterou as formas de vivência e socialização e prejudica a saúde mental e emocional. Isso não foi diferente para os usuários da Adeve”, pontua.

Segundo a psicóloga, os principais reflexos da saúde mental das pessoas atendidas é a insegurança, medo, dificuldade de socializar na comunidade e sobre a forma como são vistas e auxiliadas por pessoas estranhas. Outro aspecto se refere aos problemas que cada pessoa enfrenta rotineiramente, afinal todos têm família, sentimentos e emoções que precisam ser vistas, ouvidas e resolvidas”, salienta.

O principal desafio

Entre os desafios mais expressivos, Marisa menciona que é mostrar para a sociedade que o deficiente visual existe, tem condições e possibilidades de exercer suas funções em meio às suas limitações e, assim, serem mais respeitados. “Do mesmo modo, há situações que precisam ser trabalhadas, a exemplo de fatores como negação, aceitação e empoderamento do deficiente visual frente ao seu problema com o diagnóstico”, declara.

Uma ‘segunda casa’

Receber o auxílio e amparo da família é essencial e hoje a Adeve é considerada uma segunda casa de seus usuários. Vale reforçar que, a falta da visão pode limitar situações, porém, desenvolve habilidades não pensadas até então. “A Associação tem como objetivo dar suporte às pessoas que necessitam, mas para isso também precisa de uma estrutura financeira. Atualmente a sociedade tem auxiliado com doações espontâneas e somos gratos a todos”, enfatiza a psicóloga.

Ao mesmo tempo ela relata que as parcerias com o poder público são chamamentos públicos e o objetivo da Adeve para esse ano é prosseguir com a colaboração de pessoas físicas e empresas privadas para continuar arrecadando fundos em benefício de cada um que necessita da instituição. O intuito, afirma Marisa, é ampliar o oferecimento de serviços, oficinas e atividades aos deficientes visuais.

 

 

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