A pandemia e todos os seus reflexos que impactam diretamente a população, afetou hábitos diários e contribuiu para que a rotina dos brasileiros fosse alterada.
O sono, considerada uma das áreas bases, essenciais para a qualidade de vida, também sofreu mudanças e muitas pessoas precisaram recorrer a assistência médica e, em várias situações, necessitaram de medicamentos para tentar restabelecer horários para acordar e dormir.
Isso provocou o aumento na venda desses itens. Conforme o Farmácias APP, aplicativo de saúde e beleza, durante o período de janeiro a outubro de 2021, medicamentos para o sono cresceram 15% em faturamento, quando comparado com o mesmo período do ano anterior.
Ao avaliar os resultados nacionalmente, São Paulo foi o campeão de vendas dessa linha de medicamentos e o Rio Grande do Sul aparece em quinto lugar.
Atenção redobrada!
Em Erechim, o professor do curso de Farmácia da URI, Luís Carlos Chicota, concorda com o aumento expressivo no consumo de remédios para induzir o sono e alerta que, assim como toda medicação, o tema merece uma atenção redobrada. “No caso desses itens chamados de ‘tarja preta’, o controle deve ser efetivo, pois podem causar dependência e complicações à saúde caso não sejam observados critérios como: interação com outros medicamentos e substâncias, tais como o álcool, por exemplo”, assinala.
O docente acredita que o principal fator que contribui para essa disparada no uso de medicamentos para o sono, são doenças como depressão e ansiedade, que registram um aumento em razão do cenário pandêmico. “Manter a qualidade do sono e da alimentação é fundamental para o bem-estar. Do contrário, é possível observar que uma noite mal dormida pode provocar alterações significativas no metabolismo humano”, explica o farmacêutico, citando que o Rivotril está no topo da lista de medicamentos com mais saída.
Outro ponto que chama a atenção é a procura expressiva de jovens por esses remédios. “As pesquisas são constantes e, cada vez mais, surgem opções mais modernas. No entanto, o cuidado deve ser permanente, levando em conta que, o uso prolongado é passível de alterações no sistema nervoso e, por sua vez, na pressão arterial e no comportamento, como um todo”, alerta professor Chicota.
Vale ressaltar que para adquirir os medicamentos de tarja preta é necessário apresentar a receita azul concedida pelos médicos. “Felizmente há um controle rígido pelo sistema das farmácias que é interligado com a Vigilância Sanitária”, acrescenta.
De qualquer maneira, reitera o docente da URI, é imprescindível que o paciente busque orientações com seu profissional de confiança e, ao mesmo tempo, melhorias nos hábitos do cotidiano, o que irá refletir em benefícios à saúde mental e, por consequência, na qualidade do sono.
Mais sobre o aumento
Em uma análise mensal, entre os meses de julho, agosto e setembro de 2021, também em comparação com esse mesmo período em 2020, os medicamentos da classe cresceram 9% em faturamento. Enquanto em outubro, apesar de ser em menor escala, houve um crescimento de 5%, se comparado ao mesmo mês de 2020. No top 3 dos meses em que a população apresentou maior índice de compra desses medicamentos, julho desponta em primeiro lugar, sendo responsável por 11,5% do faturamento das farmácias. Março aparece em segundo, com 10,9%, seguido de junho e agosto, que representam 10,4% cada.