Em um período em que muitas pessoas optam pelas férias após uma sobrecarga durante o ano, outras apresentam sintomas de cansaço por um período mais prolongado e podem enfrentar a denominada Síndrome da Fadiga Crônica.
Em Erechim, a médica reumatologista, Árien Oldoni, chama a atenção para a doença que não é muito comentada, mas pode impactar na qualidade de vida, merece cuidados específicos pelo paciente e pessoas próximas, além de adaptações na rotina.
Em entrevista ao programa Equilibre-se, na TV Bom Dia, a especialista relatou que as causas do problema podem envolver tanto fatores genéticos como ambientais.
O diagnóstico da Síndrome da Fadiga Crônica envolve infecções virais e bacterianas, fatores comportamentais (incluindo o sono inadequado), também pode estar relacionado à saúde mental e problemas como ansiedade e depressão, falta de exercícios físicos, além de fatores hormonais (principalmente entre as mulheres). “Como é uma fadiga crônica, o paciente apresenta sintomas por pelo menos seis meses, sendo que são situações em que ele não se recupera pelo repouso, o que diferencia de uma fadiga de uma pessoa que esteja estressada ou sobrecarregada em determinado período”, comenta Árien.
Covid e a síndrome
Quando o paciente desenvolve uma infecção aguda pelo Coronavírus, por exemplo, há vários registros de cansaço excessivo. “Além disso, a covid tem mostrado, tanto na parte orgânica, como mental, reflexos importantes na qualidade do sono e sintomas de depressão e ansiedade”, acrescenta a médica.
Impactos na qualidade de vida
Além do cansaço, outros sinais de alerta para a síndrome são: esquecimento, falta de memória, déficit de atenção, dificuldade para dormir e manter o sono, ou o sono não é reparador – a pessoa dorme as horas necessárias e acorda com a sensação de que não dormiu bem -, dores generalizadas, intolerância ao exercício, dor de garganta frequente e ínguas, principalmente no pescoço e nas axilas.
Atenção mulheres!
Alguns estudos apontam que a doença atinge principalmente as mulheres. A reumatologista explica que não se tem ainda uma explicação específica para isso, mas acredita-se que são fatores hormonais associados aos comportamentais. “Geralmente são mulheres na “meia idade”, entre 40 e 50 anos. Contudo, crianças, adolescentes, idosos, homens, também podem apresentar essa síndrome”, assinala.
Formas de tratamento
De acordo com a médica, o ponto chave é o paciente aceitar a doença e entender que precisa modificar algumas coisas do dia a dia, tais como, as tarefas que pretende executar em determinado período e manter a prática de exercícios – considerando suas limitações, iniciando de forma gradual. “Com as medicações conseguimos ajudar em outros sintomas, contribuindo na qualidade do sono, no tratamento contra as dores e transtornos como ansiedade e depressão”, pontua.
Complicações à saúde na ausência de tratamento
A principal fator a partir dos sintomas, é a diminuição da qualidade de vida. “Ao passo que o paciente diminui a atividade física, esse sedentarismo aumenta o risco de problemas cardiovasculares e amplia as complicações na saúde mental. Do mesmo modo, um sono que não é reparador, pode desregular todo o nosso organismo. Vale mencionar que, pessoas mais estressadas geralmente tem mais dificuldade em dormir bem e isso preocupa muito”, reitera Árien, mencionando que a Síndrome da Fadiga Crônica não é uma doença grave mas necessita de acompanhamento para que possa haver mais bem-estar.
Dicas da especialista
* Faça a chamada higiene do sono: durma em local arejado, com pouca luminosidade, pouco barulho;
* Evite ficar em frente às telas – computador, celular, televisão – pelo menos duas antes de deitar;
* Mantenha refeições mais leves e não faça atividades físicas após às 18h;
* Diminua o consumo de bebidas estimulantes como o café;
* Faça exercícios regulares;
* Procure uma terapia cognitivo-comportamental, aliada no tratamento.