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Erechinense Karla Loureiro conquista tríplice coroa no Corinthians

Campeã paulista, do Campeonato Brasileiro e da Libertadores Feminina nesta temporada, a preparadora física do Corinthians Futebol Feminino, Karla Chaves Loureiro, visitou sua terra natal, Erechim

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Karla Loureiro conquistou a tríplice coroa com o Corinthians em 2021
Por Redação
Foto Heric Oliveira

A história com o futebol reservou a Karla Loureiro algumas reviravoltas. O sonho era ser atleta profissional, mas as circunstâncias a levaram trabalhar na beira dos gramados. Ainda graduanda, ajudava amigos com equipes amadoras. Em Porto Alegre, foi atleta universitária e recebeu oportunidade na base do Internacional. Apesar do desafio, ela encarou e chegou ao profissional, passou pelo Grêmio e depois desembarcou no maior clube do país na modalidade Futebol Feminino. Aos 28 anos, a erechinense venceu a tríplice coroa com o Corinthians em 2021.

 

Divisor de águas e oportunidades

Com a família em Erechim, Karla frequentemente volta ao município. Na segunda-feira (27), concedeu entrevista à TV Bom Dia e falou sobre sua história. Ela visitou o Colégio Marista Medianeira e expressou o quanto foi um ‘divisor de águas’ em sua vida. “É sempre um prazer imenso voltar a Erechim e compartilhar o quanto o Medianeira fez parte da minha história, é imensurável. Tudo começou aqui, ainda muito jovem, dentro do campo e das quatro linhas, através de uma oportunidade que me foi dada pelo professore Juliano Mirello e pelo irmão Adelmo Bald, para ser atleta. Comecei defendendo as cores da escola e tive contato com as primeiras competições, ainda jogando com os guris, já tendo grandes desafios e outras vezes jogando no feminino. Realmente é um ambiente que me traz nostalgia, saudade, marca momentos incríveis que vou lembrar para sempre e pessoas que fazem parte da minha trajetória”, comentou.

 

Voltar a Erechim é especial

“É um sentimento único e não tenho uma palavra para caracterizar o que sinto. Sempre fui uma pessoa privilegiada pelas pessoas que tive à minha volta, desde minha família, que sempre incentivou e me apoiou em todos os meus sonhos, até os professores, aqueles que me abriram portas. Poder voltar para cá e ver que as pessoas me enxergam com o olhar de alguém que deu certo, que acreditou na modalidade, é especial. Ser lembrada com tanto carinho, reencontrar pessoas que me conheceram mais jovem, admiram onde cheguei e ver meninas que não conhecia e que falam da minha trajetória como uma forma de se espelhar em tudo que aconteceu, é realmente muito diferente porque não consigo ter a dimensão. É excepcional”, relatou Karla.

 

Transformação na modalidade

A preparadora física contou que no começo, o incentivo à modalidade feminina ainda era muito pequeno, apesar do apoio da comunidade. Para ela, ter acompanhado as mudanças e chegado ao topo no país, é uma satisfação. “A transformação que a modalidade passou é bastante expressiva. Ainda aqui, tive a chance de jogar como atleta amadora. Fui muito abraçada pela cidade e região desde sempre. Depois busquei voos maiores, tentei ser profissional, fui atleta universitária e hoje posso trabalhar dentro de uma comissão técnica, vivendo uma nova realidade, que nos dá toda estrutura e condição para trabalhar, sonhar e viver disso”.

“Me sinto privilegiada por ter a oportunidade de ter atuado em um momento onde tudo estava se desenvolvendo. Hoje, através da educação e estudo, tenho a possibilidade de cumprir meu papel, em um dos maiores clubes do mundo no futebol feminino que é o Corinthians. As conquistas recentes que tivemos, estão sendo uma experiência extraordinária”, disse a erechinense.

 

Do sonho de atleta para a preparação física

Aos 24 anos, o destino a levou para a capital gaúcha, onde concluiu a faculdade de educação física e foi atleta universitária na Sogipa – Sociedade de Ginástica de Porto Alegre. Neste período, teve que tomar a decisão de desistir do sonho e preferiu estudar. O caminho reservava algo positivo e Karla entrou em um projeto de mestrado na UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ela chegou ao Internacional e depois ao Grêmio, exercendo a função de preparadora física.

“Na época, já estava no Grêmio. Antes tinha tido a primeira experiência no Internacional, onde trabalhei com a base, no Sub-14, Sub-16, Sub-18 e auxiliei no time principal. Foi muito importante ter esse contato com gurias mais jovens que tinham a ambição de serem profissionais, em um ambiente que estava começando a ser profissionalizado no Brasil. Vejo a base com um olhar de formação, desenvolvimento, inserção e inclusão. Foi um momento rico e gostei muito do que passei no Inter, amadureci e cresci muito”, ressaltou.

 

Sonhei muito alto e não tive medo de arriscar

Para ela, “o Grêmio foi um desafio, em ser preparadora física da equipe profissional, conseguir o acesso à Série A1 e ver as coisas acontecendo. Com certeza carrego no meu coração esses dois clubes, abriram as portas para chegar onde estou e foi difícil, sair de uma cidade menor, em uma caraterização quase amadora e o começo das novas possibilidades. Sempre sonhei muito alto e nunca tive medo de arriscar, cheguei em São Paulo, grande centro e pioneiro dentro da modalidade, não é à toa que vivenciamos tudo isso”.

 

No Corinthians, o auge da carreira

Karla falou sobre o convite do Corinthians e a mudança de rumo. “Faz exatamente um ano da primeira ligação, recebi como uma grata surpresa, na verdade não esperava esse contato. Quando veio, encarei com muito respeito e atenção, para com o clube que estava. O Grêmio entendeu o que estava acontecendo e me poiou nas minhas decisões. Ir ao Corinthians foi, com certeza, sair da minha zona de conforto. Recomeçar a minha vida, com pessoas novas, em um clube que acompanhava desde criança. Principalmente o trabalho de quem estava lá. Me transformou como profissional e como pessoa. As conquistas em medalhas não expressam as do cotidiano, na vida pessoal. Claro que dá saudade de casa e da família que fica aqui, é um preço alto a se pagar, mas tenho sido cada vez mais feliz e realizada. A caminhada é árdua e dura, mas vale muito a pena”. 

 

Realização de um sonho

“É a realização de um sonho, já era em estar lá, porque todos são de excelência. É um grande projeto que está sendo desenvolvido. Vale ressaltar que o presidente do clube, Duílio, é muito presente. A Cris, que é nossa diretora, está todos os dias com a gente e é incrível. O treinador Arthur Elias, há 15 anos milita no futebol feminino e a comissão tem um trabalho consolidado. Fazer parte disso, transcende tudo que imaginei para minha vida. Tem sido algo que me impulsiona. Quanto mais pessoas puder levar junto, ajudar a crescer a modalidade e fazer com que todos acreditem eu seus sonhos, que são possíveis, para mim são especiais. É muito maior que almejei. Com certeza, o peso disso tudo eu ainda não sei, mas a sensação de satisfação é muito grande”, manifestou Karla.

 

Evolução no cenário

Karla ressaltou que os números mostram que o cenário nacional do futebol feminino está em evolução. “Acho que é questão de tempo, dentro de um processo, ressaltando o que vem acontecendo e que a gente não acelere etapas, para que cada passo seja sólido. Viemos de 2017 para 2018 em um crescimento de 325% em número de equipes participantes. Em 2022 teremos mais um crescimento com a inserção da Série A3 no Campeonato Brasileiro, serão mais 60 clubes disputando. No Paulista, teremos duas séries de competições. Além da Supercopa do Brasil, que é uma novidade que está voltando. Estamos em uma constante e dando passos importantes cada vez mais para frente, com cada vez mais condição de trabalho”. 

 

Ter paciência e valorizar o que está sendo feito

“Observo com excelentes olhos, acho que é importante termos paciência, valorizarmos o que está sendo feito. É preciso visualizarmos que há evolução em todos os contextos, na questão física, técnica, tática, alcance, públicos nos estádios e não nos boicotarmos e nos compararmos aos gêneros masculinos. Às vezes, fazemos isso e não é essa a questão. Precisamos encontrar uma equidade em relação aquilo que podemos chegar, continuarmos dando espetáculos como estamos dando dentro de campo. E fora dele também, falando sobre pautas importantes e se posicionando, levando o esporte muito além do que o estádio permite”, finalizou a preparadora física.

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