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Saúde

Diabetes: doença silenciosa que merece atenção redobrada

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Endocrinologista, Paula Jaskulski
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Os indicadores apontam que, no mundo, há cerca de 400 milhões de diabéticos. Informações do Atlas da Diabete sinalizam que esse número pode aumentar expressivamente nos próximos anos.

Preocupada com esse cenário, a endocrinologista de Erechim, Paula Jaskulski, acrescenta que, em âmbito de País, entre 7 e 9% da população é diabética e a prevalência na região Alto Uruguai, não é muito diferente. Outro dado que chama a atenção é que, a cada duas pessoas com diabetes, uma não sabe que tem a doença. “Por isso, temos que manter esse alerta para que as pessoas façam o chamado rastreio. Todas acima de 45 anos devem fazê-lo e, no caso de já ter fatores de risco, isso precisa acontecer independentemente da idade. Caso contrário, podem se confirmar as previsões de que, até 2045 esses números aumentem pelo menos 30%”, relata a especialista, citando que a mudança de hábitos é uma importante aliada na prevenção.

Fatores envolvidos

O diabetes tipo II é o mais prevalente. Conforme explica a médica, a doença tem muita relação com o fator genético – onde cerca de 80% dos casos terão uma história familiar positiva – junto a obesidade, sobrepeso, maus hábitos alimentares e sedentarismo. “Um aspecto importante que deve ser considerado, ainda, é a circunferência abdominal: as mulheres que têm esse indicador acima de 80 centímetros e os homens, acima de 90 centímetros, também precisam ficar em alerta pois estão sob um risco maior de desenvolver a doença”, explica Paula.

Mecanismos da diabetes

Os maus hábitos provocam uma “resistência insulínica”. Desse modo, a pessoa que aumenta de peso, ganha também, mais tecido de gordura, o que dificulta a ação da insulina e o pâncreas começa a produzir cada vez mais o hormônio. Uma hora ele não consegue mais levar a glicose para as células, fazendo com que ela fique mais no sangue. “Pessoas que tem um familiar de primeiro grau com diabetes, precisam redobrar os cuidados e mudar o estilo de vida para prevenir a doença e outras complicações”, reforça.

Sinais de alerta para a doença

A imensa maioria dos pacientes com diabetes não apresenta sintomas. Contudo, há situações em que as pessoas estão com a doença mais descompensada ou nos casos de diabetes tipo I, é possível registrar alguns sinais, como: perda de peso, sede excessiva, vontade frequente de urinar, cansaço excessivo, dor muscular, fome frequente - e mesmo assim, a pessoa acaba emagrecendo.

Diabetes e a gestação

A especialista salienta que a diabetes é muito prevalente durante a gravidez, chegando a atingir em torno de 18% das gestantes no Brasil. Nesse período da gestação, há mais resistência insulínica, isso acontece por um mecanismo de proteção para o feto. Porém, se a mulher chega na gestação com obesidade, por exemplo, essa situação pode se agravar. A boa notícia é que, se realizamos uma mudança nos hábitos durante a gestação, é possível controlar a doença sem o uso de medicamentos em mais de 70% das mulheres. No entanto, há casos em que é preciso fazer uso da insulina.

Caso isso não for tratado, pode levar a complicações tanto para a mãe quanto para o bebê.

Tratamentos

Os tratamentos evoluíram muito com o passar do tempo e tornam-se um suporte essencial na qualidade de vida dos pacientes. “Hoje temos componentes que tratam a glicose e, principalmente, reduzem peso, melhoram a gordura no fígado, diminuem os problemas cardiovasculares, interferem na progressão da doença renal, entre outros benefícios”, pontua a endocrinologista, que acrescenta: “se o diagnóstico e o tratamento forem feitos precocemente, e o diabético perder mais de 15% do peso, pode ficar em remissão do diabetes, que é aquele caso em que ele não precisa mais usar remédios. Essa é mais uma motivação para investir na qualidade de vida”, enfatiza.

Dicas da especialista!

  1. Tenha um médico especialista de confiança que possa avaliar e indicar o melhor tratamento;
  2. Siga uma boa e equilibrada alimentação, que seja simples e de qualidade, evitando itens ultraprocessados;
  3. Mantenha a prática de exercícios físicos em no mínimo 150 minutos por semana.

 

 

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