Nesta quarta-feira, 17 de novembro, é considerado o Dia Mundial da Prematuridade. O objetivo é sensibilizar a população sobre o tema e, assim, inspirar todos a refletir sobre as estratégias para a prevenção, com o foco na melhor assistência neonatal a esses pacientes.
O ponto alto da campanha ‘Novembro Roxo’ desse ano, é a separação zero entre mãe e bebê prematuro. A ideia é alertar sobre o crescente número de partos prematuros, os fatores de risco, e informar a respeito das consequências do nascimento antecipado do bebê para a família e a sociedade.
O roxo foi escolhido porque simboliza a sensibilidade e a individualidade, características peculiares aos prematuros.
A enfermeira, gerente da UTI Neonatal da Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim, Debora Giacomini Schneider, relata que essa é uma data que conclama a sociedade a refletir sobre a importância do tema e de como é essencial um pré-natal bem feito, além de cuidados ampliados em uma gestação de alto risco. “É um período que deve bem conduzido, com seguimento e realização dos exames que são preconizados tanto no primeiro, como no segundo e terceiro trimestre", destaca.
Debora explica que, uma criança que nasce antes da 37ª semana de gestação, com menos de 2,5 quilos, já é considerado prematuro. “Há vários casos e um dos principais fatores se refere ao pré-natal que nem sempre é seguido”, observa.
Segundo a enfermeira, que também é especialista em Gestão em Serviços de Saúde, os “prematurinhos” são muito guerreiros, sendo que nascem e já se separam do pai e da mãe, muitas vezes por quatro ou cinco meses, dependendo da situação. “É uma luta diária e estamos ao lado deles e, ao mesmo tempo, com os pais e toda a família, pois eles sofrem, se preocupam e acabamos criando um vínculo”, reforça, citando que, ao passo que os bebês estão muito frágeis, todos ficam muito sensíveis. “A cada dia, a cada minuto, é uma situação que acontece”, acrescenta.
Equipe multiprofissional na missão compartilhada
O trabalho humanizado desenvolvido no Hospital Santa Terezinha conta com uma equipe multiprofissional, composta por enfermeira, fisioterapeuta, nutricionista, médico, psicóloga, assistente social e muitos outros que atuam nessa missão compartilhada. “Cada vez que eles recebem alta da UTI, como é o caso de uma paciente que saiu há alguns dias após ficar internada por cerca de cinco meses, para nós é uma felicidade imensa. Saber que ela está bem e que nós a cuidamos, junto ao agradecimento dos pais, é algo muito especial. Não há uma palavra exata para definir toda a nossa satisfação em ver que o guerreiro vai poder ir para casa com seus pais”, comenta Debora.

‘Ambulatório do Prematuro’
Além de todo cuidado oferecido pelos profissionais ao bebê e seus pais, desde a chegada à casa de saúde e durante a internação, há um setor chamado de Ambulatório do Prematuro, onde, por meio de uma parceria com a Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) – campus de Erechim, as crianças, após receberem alta médica, continuam sendo acompanhadas por uma equipe. Desse modo, pediatra, nutricionista, profissionais de Enfermagem, Fisioterapia, entre outros profissionais, oferecem uma segurança ainda mais expressiva à família. “Esse serviço é muito importante para ter uma continuidade no tratamento”, enaltece Debora.
Do mesmo modo, na sala de esgota do leite materno há uma servidora que fica exclusivamente no local para fazer a retirada do leite para os bebês. Desde o nascimento, elas já fazem a administração terapêutica por meio da colostroterapia - consiste na exposição da mucosa da boca do bebê a pequenas quantidades de colostro cru, sobretudo para os recém-nascidos de MBP (muito baixo peso) para os quais o colostro representa verdadeiro suplemento imunológico.
Um dia de alerta
De acordo com a gerente da UTI Neonatal, sempre há prematuros na unidade e esse dia 17 é para chamar a atenção de todas as pessoas sobre a importância de se cuidar e obter informações. “No hospital conversarmos com as mães, realizamos palestras, sempre no intuito de orientar a todas”, declara.
Debora enfatiza que os pais dos prematuros têm livre acesso à unidade, o que é fundamental para o desenvolvimento do bebê e também impacta positivamente na saúde dos pais. “Com a pandemia havíamos restringido muitas visitas e agora, nesse ‘Novembro Roxo’, é como se fosse uma retomada”, salienta.