Nesse momento em que, mais de 156 milhões de pessoas no Brasil receberam ao menos uma dose contra a covid-19 (mais de 122 milhões receberam as duas aplicações) e 180.955 pessoas na região 16 já receberam a segunda dose ou dose única, amplia-se a expectativa para que a imunização contemple mais faixas etárias, no caso, as crianças até 11 anos de idade.
Nessa linha, o pediatra de Erechim, Fernando Ferri, reforça que o período é de espera, sendo que, em relação a faixa pediátrica, alguns países asiáticos e até da América do Sul, como o Chile, já estão vacinando as crianças abaixo de 12 anos. “Vale ressaltar que essa vacina está em fase de estudos, principalmente em relação a Pediatria, mas não tenho dúvidas que a ampliação da campanha vacinal gera um impacto muito expressivo. Isso reflete, principalmente, na queda da disseminação da doença, pela redução dos casos positivos e, por sua vez, de gravidades a partir da doença, o que já é possível observar em nosso país e em todo o mundo”, destaca, citando que, com certeza há muitos campos que precisam ser percorridos e as informações são difundidas com o avançar das pesquisas.
Menos complicações
Ao fazer uma análise vislumbrando um cenário pós pandemia, o especialista relata que, na Pediatria foram observados muito menos situações de gravidade e internações, em comparação a fase adulta. “Felizmente, as consequências pós-covid foram muito menores e na maioria das vezes observamos que, as crianças que tiveram alguma complicação mais significativa, já apresentavam alguma patologia de base, como cardiopatias, pneumopatias ou doença neurológica associada desde o nascimento”, pontua.
Alerta para a obesidade
Por outro lado, o pediatra de Erechim chama a atenção para problemas como a obesidade, que registra aumento expressivo entre as crianças. “Durante esse tempo de pandemia elas permaneceram muito tempo em casa, sem desenvolver atividades físicas nas escolas, e tudo isso acabou gerando mais momentos de stress e ganho de peso. Vale um cuidado redobrado dos pais e responsáveis, e sempre orientamos sobre a importância da volta às rotinas escolares, atividades físicas e ações que contribuam tanto para a saúde física como mental”, enaltece.
O retorno presencial obrigatório às aulas nas escolas de todo o Rio Grande do Sul, desde a última segunda-feira (8) também é percebido pela Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul como um importante passo na necessária retomada das atividades.
Mais sobre o assunto imunização
Nesta semana, a farmacêutica Sinovac, parceira do Instituto Butantan no desenvolvimento da vacina CoronaVac, anunciou que os resultados preliminares dos ensaios clínicos de fase 3 que estão sendo realizados na África do Sul, Chile, Malásia e Filipinas, comprovam que o imunizante é seguro para crianças e adolescentes de três a 17 anos.
Segundo as informações divulgadas, os resultados dos dados de segurança revelaram que a incidência de efeitos adversos após a segunda dose da CoronaVac foi muito menor do que quando da primeira dose. Os efeitos adversos locais e sistêmicos envolveram principalmente dor no local da injeção, dor de cabeça e febre. Não ocorreram efeitos adversos graves suspeitos e inesperados.
O estudo fornecerá uma base científica mais sólida para que os países realizem com segurança a imunização de suas crianças e adolescentes contra o SARS-CoV-2. Várias nações, incluindo Chile, Equador, El Salvador, Colômbia, Camboja e Indonésia, já aprovaram o uso de CoronaVac para pessoas saudáveis na faixa de três a 17 anos.