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Saúde

Perdas auditivas costumam ser silenciosas e exigem atenção redobrada

Neste Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, a fonoaudióloga de Erechim, Taciana Ribas, alerta sobre cuidados essenciais que podem evitar complicações à qualidade de vida

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“Ouvir bem é muito importante nas diferentes faixas etárias”, Taciana Ribas
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Nesta quarta-feira (10) é celebrado o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez. O objetivo é conscientizar a sociedade sobre a importância de cuidados diários com a audição.

De acordo com o Ministério da Saúde, a diminuição da capacidade de ouvir pode acontecer em decorrência de vários fatores. Para compreender um pouco mais sobre o assunto, a reportagem do Bom Dia conversou com a fonoaudióloga de Erechim, Taciana Ribas.

Audição interfere na qualidade de vida

Segundo a especialista, a audição é um dos sentidos mais importantes que o ser humano possui, não somente pelo fato de permitir que possamos ouvir e nos comunicar, mas por servir como um alerta na identificação de situações de perigo. “Quando não temos uma boa audição, independentemente do nível de perda auditiva, começamos a enfrentar dificuldades, principalmente de socialização. Algumas pessoas não querem mais sair de casa, participar de atividades com a família, e sabemos que isso acaba interferindo ainda mais na qualidade de vida, especialmente dos idosos”, explicou, citando que há muitas situações em que o idoso tem uma perda auditiva e não busca uma solução. “No momento em que a família consegue encontrar uma alternativa de tratamento, as mudanças são evidentes”, acrescentou.

Taciana reiterou que ouvir bem é muito importante nas diferentes faixas etárias, desde a infância. “O bebê precisa ouvir bem para conseguir falar. Se for identificada alguma dificuldade precocemente, pelos pais e profissionais, pode ser buscado um tratamento correto para evitar outras complicações à saúde”, salientou.

Na mesma linha, os adolescentes e adultos, como pessoas extremamente ativas, devem fazer um monitoramento e prevenção de problemas de audição.

Sinais de alerta

A fonoaudióloga pontuou que, os principais sintomas e sinais de alguma dificuldade, geralmente são observados, na fase inicial, por familiares: as pessoas podem preferir ficar mais quietas, sentir a necessidade de aumentar mais significativamente o volume da televisão, do rádio, do celular; também são percebidas algumas queixas de que a pessoa escuta mas não entende; se ela está em um lugar com mais pessoas, percebe um ambiente com muito ruído, como se fosse uma “zoeira” na cabeça, além de zumbido e dor de cabeça, que podem estar associados à perda auditiva. O problema normalmente é silencioso e, por isso, é mais difícil de ser percebido logo no início.

Os vilões da audição

Taciana mencionou que há múltiplos fatores que influenciam na perda auditiva e eles podem estar no ambiente ou ser de origem orgânica, fisiológica e por isso é essencial buscar um diagnóstico adequado. “Ao identificar a causa é possível saber a melhor conduta e tratamento a ser adotado pelo otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo”, enfatizou.

Entre os principais “vilões” estão:

  • Exposição à ruídos intensos ou qualquer situação em que há volume exacerbado – e isso não se refere unicamente a sons ruins, mas todos de maior intensidade;
  • Uso de alguns medicamentos, tanto em crianças que nascem prematuras, como em adultos que fazem tratamento contra o câncer e podem apresentar algum problema auditivo;
  • Problemas genéticos e hereditários;
  • Traumatismos, acidentes, entre outras.

 

Quando conhecemos os vilões, é mais fácil saber quais os fatores aliados e trabalhar a prevenção. “O ideal seria incluir a audiometria nos exames anuais para conseguirmos detectar cedo possíveis alterações. O monitoramento é imprescindível”, reforçou, completando que, nas empresas em que é registrado mais ruídos, os colaboradores devem usar os Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s), sendo necessária a avaliação do ambiente por profissionais adequados.

Vale ressaltar que algumas pessoas acima de 45, 50 anos, podem começar a desenvolver a perda auditiva, assim como as que tem algum tipo de doença metabólica, como a diabete. Por isso é importante fazer um acompanhamento.

Alternativas para ouvir melhor

Conforme Taciana, atualmente, a maioria das perdas auditivas não tem um tratamento específico, sendo que não tem cura. Isso porque, entre os fatores causadores, a maioria lesiona as células ciliadas do ouvido ou a região do nervo e vias auditivas. “Quando nos deparamos com esse tipo de situação, buscamos alguma alternativa para que o paciente possa ouvir melhor. Hoje, uma das principais soluções está na prótese, com aparelhos auditivos ou implantes cocleares, entre outras opções”, comentou.

A fonoaudióloga disse, ainda, que há outros tipos de perdas auditivas que são possíveis de serem tratadas, sendo chamadas de temporárias. “Um exemplo são as crianças que apresentam infecções recorrentes. O ideal é procurar um tratamento correto para prevenir uma perda definitiva”, orientou.

Do mesmo modo, há casos em que é necessária uma intervenção cirúrgica, mas fica a critério médico. Em outras situações, fazer uma limpeza e retirar o cerume também pode melhorar a audição. “Mas tudo isso depende de como esse paciente busca as alternativas. O principal é monitorar a audição, buscar profissionais especializados e seguir as orientações corretas”, finalizou Taciana Ribas.

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