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Saúde

Melatonina como suplemento alimentar: uso merece cuidados

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Médica Paula da Rocha Jaskulski
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso da substância melatonina para a formulação de suplementos alimentares, destinados exclusivamente a pessoas com idade igual ou maior que 19 anos e para o consumo diário máximo de 0,21 mg.

O órgão reforçou que os suplementos devem conter a advertência de que o produto não deve ser consumido por gestantes, lactantes, crianças e pessoas envolvidas em atividades que requerem atenção constante.

Do mesmo modo, a endocrinologista de Erechim, Paula da Rocha Jaskulski, alerta que, pessoas com comorbidades, em uso de outras medicações, devem consultar seu médico antes de consumir a substância. “É extremamente importante que, até mesmo as saudáveis conversem com um profissional sobre o assunto”, destaca.

Afinal, o que é a melatonina?

A melatonina é um hormônio produzido naturalmente no cérebro, durante a noite, mais precisamente na glândula pineal. “Com exposição à luz, reduz sua produção, auxiliando, portanto, no nosso ciclo sono-vigília – alternância entre os períodos que passamos acordados e os períodos em que dormimos”, explica a médica, citando que essa substância pode ser adquirida em alguns alimentos, como: morango, cereja, uva, abacaxi, manga, vinhos, entre outros.

Paula esclarece que, com a aprovação da Anvisa, a melatonina pode ser vendida sem receita médica como um suplemento alimentar para complementação dietética. “Em relação a outras aplicações potenciais da melatonina, como no combate a insônia, ela já foi aprovada em outros países. Foi concedida autorização pelas autoridades Europeia (EMA) e Australiana (TGA) para tratamento a curto prazo de insônia primária em pacientes principalmente com idade de 55 anos ou mais”, pontua.

De acordo com a especialista, para a insônia, as doses estudadas variam desde 0,3 a 5 mg ou até um pouco mais. Lembrando que doses acima de 10 mg não possuem muitas pesquisas e demonstraram efeitos adversos mais graves. “Os estudos são controversos. Faz sentido a tentativa de uso para pessoas que possam potencialmente ter melatonina baixa, como é o que ocorre com o decorrer dos anos, principalmente a partir dos 50 anos. Porém, sempre temos que buscar e investigar outras possíveis causas de insônia”, observa a médica de Erechim.

Ela acrescenta, ainda, que não temos um bom método para dosá-la, o que atrapalha um pouco, mas é possível pensar na sua redução nas situações citadas. Porém, no Brasil, ainda não há essas dosagens em forma comercializada.

Vale reforçar que, muitas vezes a causa da redução de melatonina pode ser pelo uso excessivo das telas (celular, computador, televisão, por exemplo). Paula orienta que, reduzindo essa exposição é possível melhorar a produção da própria melatonina. “Nunca esqueça que uma boa higiene do sono – que acontece por meio da mudança de hábitos não saudáveis que nos impedem de ter uma noite tranquila - é essencial para um sono reparador”, enfatiza.

 

 

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