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Saúde

Aumenta de forma expressiva a busca por serviços de saúde mental

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Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

O momento atual ainda exige muitos cuidados relacionados a pandemia do Coronavírus.  Contudo, com o avanço da campanha de vacinação, vários serviços e atividades intensificam seus trabalhos.

Nessa fase de retomada gradual, com alternativas conjuntas (imunizantes e protocolos), são demonstrados mais reflexos no campo da saúde, tais como o aumento na procura por atendimento de saúde mental. 

Se no ano passado o cenário era de diminuição, principalmente em função da necessidade de medidas mais restritivas contra a covid-19, agora, muitas pessoas sentem que é preciso procurar ajuda. Eis um passo importante e que mobiliza profissionais no atendimento à comunidade.

Um exemplo dessa realidade é observado em Erechim. Para se ter uma ideia, no primeiro quadrimestre deste ano, o Centro de Atenção Psicossocial (Caps 2) contabilizou 1.270 atendimentos. Já no segundo, esse número passou para 4.845.

Conforme a diretora de Saúde Mental, Juliana Deboni Conci, após ultrapassar fases mais graves do período pandêmico, é notável que voltou a aumentar a busca pelos serviços. “Percebo que as pessoas já tem acessado para cuidar da sua saúde por meio dos atendimentos especializados, como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e o Ambulatório de Saúde Mental. Muitas chegam mais adoecidas e para nós enquanto profissionais, é bem preocupante tanto pelas demandas de saúde como de assistência”, relata a psicóloga, acrescentando que as ações do setor contemplam tanto adultos como crianças.

De acordo com Juliana, entre os sintomas mais observados está a ansiedade e a tristeza, o que nem sempre caracteriza uma depressão, mas pode estar relacionada a essa fase em que muitas pessoas perderam familiares e amigos e encontram-se fragilizadas.

Continuidade nos tratamentos

Ao passo que o interesse pelo serviço se amplia, algo que merece atenção é a continuidade nos tratamentos. “Nem todas persistem mas é fundamental esse cuidado. Do mesmo modo, sempre orientamos que é essencial manter práticas saudáveis e vínculos com as comunidades, amigos, sempre com respeito às restrições sanitárias”, destaca, citando que os sofrimentos cotidianos (exacerbados pelo momento pandêmico) exigem estratégias coletivas de enfrentamento e resgate de valores estruturantes para a vida em sociedade como a solidariedade e a amizade.

Erechim dispõe das seguintes estruturas pelo Sistema Único de Saúde:

Ambulatório de Saúde Mental – atendimento psicológico e psiquiátrico de casos mais leves a moderados.

Caps 2 – voltado para pacientes com transtornos mentais severos e persistes – cuidados intensivos e atendimento multiprofissional.

Caps AD – atendimento de pessoas em uso prejudicial de álcool e outras drogas.

Ainda sobre o assunto no País

Um estudo de pesquisadores brasileiros publicado no periódico internacional The Lancet apontou uma queda do atendimento de saúde mental durante a pandemia. O trabalho indicou o impacto do período sobre este tipo de cuidado, em um momento de crescimento de transtornos mentais, como ansiedade e depressão.

Segundo análise de pesquisadores da Universidade de Brasília, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e do Hospital das Clínicas de Porto Alegre, foram registrados nos primeiros seis meses da pandemia 1,18 milhão de atendimentos ambulatoriais relacionados à saúde mental.

Esse número, segundo os autores, é 28% abaixo do que seria esperado. A expectativa a partir dos dados de períodos anteriores era de uma média de 1,66 milhão de procedimentos deste tipo.

Os atendimentos de grupo também tiveram uma queda de 68%.

 

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