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Saúde

Temperos e chás agregam valor na alimentação dos pacientes

teste
Os cardápios são adequados conforme as necessidades das dietas
Por Izabel Seehaber
Foto Izabel Seehaber

Convido você para um teste: por dois minutos feche os olhos e mentalize alguns momentos bons registrados ao longo de sua vida. Provavelmente em muitos deles você vai perceber que há presença de alimentos e parece que é possível sentir cheiros, sons e sabores, certo? Saiba que tudo isso são memórias e os temperos e chás e outras plantas, são itens aliados nesse processo de recordações.

A ‘comida de hospital’

Se em meio às lembranças surgiram os almoços com a comidinha da mãe, da vovó, o churrasco do pai, entre muitas outras ocasiões especiais, é possível perceber que a alimentação é carregada de sentimentos. E isso pode ser percebido em todos os locais, inclusive, nas casas de saúde. Porque não dizer que a comida de hospital – muitas vezes “rotulada” por seguir critérios específicos no cuidado da saúde – pode sim, ser muito atrativa e saborosa?

Na opinião da nutricionista e gerente do Serviço de Nutrição e Dietética do Hospital Santa Terezinha de Erechim, Tanise Fitarelli Pandolfi Fridrich, o alimento tem vida. “No hospital sempre trabalhamos com uma comida bem caseira. Nos últimos anos, como atuei mais no atendimento aos pacientes oncológicos e em consultório, percebi que, ao introduzir temperos diferentes na alimentação, é possível tornar tudo muito mais atrativo. A partir disso, começamos colocar outros temperos na alimentação dos pacientes”, explica.

Segundo Tanise, no início foram adquiridos alguns produtos e outros foram trazidos pelas próprias funcionárias, familiares e outras pessoas que também se engajaram na ideia.

A campanha com a comunidade

Com o passar do tempo, acabaram os temperos e o grupo pensou em pedir para a comunidade os temperos e chás. “Sabemos que a maioria das pessoas costuma ter em casa algum tipo de planta e até mesmo, hortas, sendo um costume da nossa região. A iniciativa surpreendeu a todos, pois muitas pessoas contataram conosco, nos entregaram doações das suas próprias casas, como manjericão, hortelã, cidreira, camomila e muito mais. Uma empresa também nos doou uma cesta com produtos secos. Foi interessante essa resposta da comunidade”, ressalta a nutricionista.

Ela salienta que a equipe sempre informa as pessoas interessadas que, não precisam ter pressa em levar os temperos e isso pode ser feito no dia que realizarem a poda ou alguma outra ação com as plantas, e perceberem que há grandes quantidades de algum item. “Fiquem à vontade para compartilhar o quanto puderem, pois já é o suficiente para auxiliar muito nosso trabalho. Recebemos também as frutas da estação. Se tiverem de sobra, podem nos trazer que faremos cremes, sucos, chás. Tudo para nós é bem-vindo e valorizamos muito essa participação da comunidade regional”, destaca Tanise.

Múltiplos benefícios

Em relação a importância dos temperos, a profissional reforça que, em primeiro lugar, eles trazem à memória muitos sentimentos. Ao mesmo tempo, outro ponto é a questão de diversificar o cardápio. “Comer todos os dias a mesma coisa, é ruim. Quando conseguimos usar os temperos a nosso favor, tornamos o alimento versátil e ele passa a ter outros tipos de texturas e sabores. O que era um “simples tempero”, pode mudar toda a vida de um prato. Um exemplo: se for colocado no feijão somente o sal, é um sabor. Agora, se for inserido louro, temperinhos verdes, entre outros, isso já se altera”, pontua.

Menos sal e mais temperos

De acordo com a nutricionista, tudo que agregamos nos alimentos, pode trazer mais vida por meio da diversificação. “Os pacientes muitas vezes se queixam porque a comida no hospital precisa ser menos salgada que a habitual. Sabemos que o brasileiro consome muito sal e o gaúcho ingere uma quantidade muito maior do que a indicada. Ao mesmo tempo, sempre brinco com as meninas que trabalham na cozinha: a comida não pode ser muito salgada mas sim, temperada. Isso porque, a maior parte dos temperos, além de trazer muitos benefícios (são ricos em antioxidantes, vitaminas, minerais e alguns tem propriedades antibacterianas e antimicrobianas), também podem ter um efeito terapêutico sobre o paciente. A questão dos chás, a mesma coisa, podem ser usados como fitoterápicos ou mesmo para mudar o sabor”, comenta, acrescentando que, geralmente temos por base o chá de maçã, mas porque não usar funcho, erva-doce, hortelã, melissa, alecrim, camomila, entre muitos outros?

Nutrição é parte do tratamento

De acordo com a gerente do Serviço de Nutrição e Dietética do Santa Terezinha, a Nutrição no atendimento hospitalar, é parte do tratamento do paciente. “Quando ele está internado, a alimentação será organizada de forma balanceada. Desse modo, trabalhamos com cardápios e as nutricionistas atendem os pacientes, fazem adequações nas dietas, conforme as necessidades, tudo para que o paciente consiga se alimentar, afinal, a alimentação provê tudo o que é necessário na questão de nutrientes para a recuperação. Por isso, além do medicamento, os alimentos interferem nesse processo e proporcionam aconchego e harmonia. O papel da Nutrição é nutrir muito mais que o corpo, mas sim, todos os sentidos do ser humano”, enaltece a nutricionista. 

 

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