Depois de um longo período afastada da Câmara de Vereadores de Erechim, por conta da covid-19, a vereadora Sandra Picoli (PCdoB) retornou às suas atividades. Ela contraiu a doença, o seu esposo e seu filho Bruno, de 18 anos, que acabou falecendo, por complicações da doença.
Emocionado e voz embargada
Muito emocionada, com a voz embargada, e seu marido em plenário, Sandra usou a tribuna para passar a mensagem da importância de se vacinar, pois a pandemia ainda não acabou, e fez vários agradecimentos: “Quando levamos ao conhecimento a situação difícil pela qual passamos a gente espera receber mensagens, apoio, manifestações de carinho. Mas não tenho palavras para agradecer tantas mensagens de carinho e apoio que recebemos”, falou Sandra.
“O que passamos, milhares no Brasil e milhões no mundo passaram”
“O que nós estamos passando e passamos é o que milhares de famílias brasileiras e milhões no mundo passaram também. Pais e mães órfãos de filho. Filhos órfãos de pais, avós, irmãos. E por mais forte que seja nossa fé, no momento da perda ela é abalada. Mas é na fé que a gente busca forças para se reconstruir, com a certeza que educamos nosso filho numa relação de confiança e de amor”, no momento que escorreu lágrimas de seus olhos.
“Que nossa dor, sirva para conscientizar as pessoas”
Em determinado momento de seu discurso, falou sobre o seu sofrimento, como algo para despertar a consciência dos outros: “Cabe a nós agora, uma grande tarefa. Que essa nossa dor, sirva para conscientizar as demais pessoas da importância dos cuidados, porque a pandemia ainda não acabou. E por mais que tenhamos tomado todos os cuidados, ela chegou até a nossa casa”.
Resistência pela vacina
Conclama as pessoas pela importância da vacina: “se vê uma resistência ainda muito grande na questão da vacinação. Vacinem-se. Concluam as etapas de vacinação, por vocês e por aqueles que morreram esperando essa oportunidade”.
“Quantas vidas poderiam ser poupadas?”
“Assistimos tristemente que a vacina atrasou, não só pelo negacionismo e sim porque havia uma articulação envolvendo propina. E isso nos causa uma revolta. Quantas vidas poderiam ser poupadas, inclusive a do meu filho, se essa vacina tivesse chegado um dia, uma semana, um mês antes. Cada dia de atraso, custou vidas, dilaceração de famílias”, salientou a vereadora.
“Eu preciso seguir”
De sua dor, Sandra tira forças para seguir em frente: “Parece que muitas coisas perderam o sentido. Mas por nós, pela minha família, e pelo Bruno (filho), eu preciso seguir, representando e lutando por quem precisa ser representado”, finaliza.