Você já parou para observar como está a sua relação com os alimentos? Como sempre é destacado, comer bem, de maneira saudável e equilibrada, é um dos desafios mais expressivos para a maioria das pessoas. Ao mesmo tempo em que é intensificada a importância de incluir alguns itens e evitar outros do cardápio, na prática, isso nem sempre acontece.
Ontem (31) foi comemorado o Dia do Nutricionista. Para marcar a data, reforçar a valorização da atuação profissional e da promoção da saúde e qualidade de vida, o Bom Dia conversou com a professora e coordenadora do curso de Nutrição da URI, Vivian Zanardo.
Durante o bate-papo ela explicou que é possível organizar um planejamento alimentar o qual deve ser baseado em escolhas inteligentes. “Por meio da elaboração de um cardápio diário, sendo possível visualizar os alimentos e substituições destes ao longo do dia, o que facilita a organização para adquirir os alimentos conforme a periodicidade de aquisição: semanal, quinzenal ou mensal, o que também colabora ainda com o orçamento e valores destinados a alimentação na hora das compras”, pontuou, citando que é válido visitar mercados e feiras, priorizando alimentos da época (safra) in natura ou minimamente processados, e evitando os ultraprocessados. “Lembrando que a qualidade dos alimentos, caso não tenha que seguir um plano alimentar para uma doença específica, poderá ser a mesma para toda família, entretanto as quantidades deverão ser individualizadas conforme idade, sexo e atividade física”, observou.
Foco desde a infância
O consumo alimentar adequado necessita de cuidados desde a infância, com orientações e incentivo à hábitos saudáveis, para que as preferências em relação à alimentação não se tornem um consumo excessivo por alimentos inadequados. “Esta introdução de atitudes positivas frente a alimentação, quanto mais cedo for iniciada, maior será a probabilidade de exercer uma influência positiva na formação destes hábitos, proporcionando decisões adequadas e de forma autônoma frente a alimentação, o que poderá reverter em benefícios à saúde e qualidade de vida”, afirmou a docente da URI.
Principais ‘aliados’ e ‘vilões’
Entre os aliados para uma alimentação nutricionalmente balanceada e saborosa estão os produtos in natura e minimamente processados, tais como grãos, raízes, tubérculos, farinhas, legumes, verduras, frutas, castanhas, leite, ovos e carnes.
Já os “vilões” da alimentação saudável e da qualidade de vida são os itens ultraprocessados (como biscoitos recheados, “salgadinhos de pacote”, refrigerantes e “macarrão instantâneo”, e o excesso de gordura, sal e açúcar nas preparações.
Pandemia e a preocupação com a imunidade
A pandemia aumentou algumas preocupações na sociedade, além do contágio pelo Coronavírus. Entre elas está a necessidade de praticar exercícios e também de se alimentar melhor visando, inclusive, melhorar a imunidade. Para Vivian, a busca por um estilo de vida visando saúde e bem-estar deverá ser gradual e permanente, pois estes hábitos saudáveis estão relacionados a redução do excesso de peso que é considerado um fator de risco para doenças crônicas não transmissíveis como Diabetes Mellitus tipo 2, hipertensão, alguns tipos de cânceres; e ainda a variedade e qualidade alimentar colabora com a imunidade. “Portanto, pense nos benefícios antes de adquirir e comer os alimentos, certifique-se de que as informações que está lendo sobre este tema são verdadeiras. Acredite na ciência da alimentação”, ressaltou.
Boa dieta com baixo custo
Quando o assunto é priorizar alimentos ricos em nutrientes, vem à mente a questão do custo para conseguir reunir as frutas, legumes, verduras, cereais, entre outros componentes de uma mesa saudável. Por isso, há uma dúvida: é possível gastar pouco e seguir uma boa dieta? De acordo com a nutricionista, a resposta é sim. “Conforme informações no Guia Alimentar para População Brasileira, o custo total de uma alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente processados é menor no País do que uma alimentação baseada em alimentos ultraprocessados. Sendo assim, organize uma lista de compras, pesquise o preço dos produtos e promoções em mercados e feiras livres antes de comprar”, orientou.
Atenção aos famosos potinhos congelados!
Vivian alertou que alguns alimentos podem ser preparados em casa em maior quantidade, como molhos, feijão, lentilha, carnes, pães, bolos, hortaliças que são consumidas cozidas (brócolis, cenoura e vagem, por exemplo), entretanto deve-se ter o cuidado para a técnica do congelamento adequada. “As refeições prontas devem ser resfriadas na geladeira antes de serem congeladas. Já os alimentos perecíveis não devem ficar em temperatura ambiente. Para as refeições prontas, recomendam-se embalagens adequadas ao tamanho das porções”, acrescentou.
Quanto a validade, tudo irá depender do tipo de alimento congelado. “Em geral, após o preparo, o tempo de validade é de 10 dias. Uma dica é etiquetar os saquinhos e potes escrevendo o que há dentro e a data de congelamento ou preparo. Quando comprar um alimento congelado no supermercado, o consumidor deve prestar atenção no prazo de validade, na aparência do produto e se há presença de conservantes. O mais indicado é optar por aqueles que possuam uma lista pequena de componentes, pois ele terá menos conservantes e produtos químicos”, destacou.
Fique de bem com a balança, mas, essencialmente, de bem com a vida
* Segundo o Guia Alimentar para População Brasileira, a regra de ouro é prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados;
* Utilize óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias;
* Comer com regularidade (cinco a seis refeições por dia), e atenção, em ambientes apropriados e, sempre que possível, com companhia;
* Desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culinárias;
* Planejar o uso do tempo para dar à alimentação o espaço que ela merece, privilegiados de convivência e prazer. Reavalie como você concede o tempo e espaço para a alimentação;
* Dar preferência, quando fora de casa, a locais que servem refeições feitas na hora;
* Ser crítico quanto às informações, orientações e mensagens sobre alimentação.
A entrevista também poderá ser conferida em vídeo, na sexta-feira à noite, pelo Facebook da TV Bom Dia.