“Primeiramente, neste dia, gostaria de parabenizar todos meus colegas que exercem a Endocrinologia com amor, empatia e baseados em evidências científicas. É muito gratificante poder ajudar nossos pacientes e impactar de forma positiva a vida deles, sou muito feliz pela escolha da especialidade que fiz.
Vou relembrar rapidamente nossas áreas de atuação, que são muito amplas: avaliamos e tratamos doenças da tireoide, distúrbios da menopausa, síndrome dos ovários policísticos, distúrbios da puberdade e crescimento nas crianças, diabetes, osteoporose, e fazemos uma avaliação global do paciente, sempre no intuito de prevenir doenças e melhorar a sua qualidade de vida. Porém hoje, para celebrar o dia do Endocrinologista, vou falar de um dos motivos principais da procura à nossa especialidade: a obesidade.
No Brasil, cerca de 26% da população adulta é obesa. A obesidade infantil também vem aumentando nos últimos anos, atingindo atualmente cerca de 10% das crianças no nosso país. Para termos uma melhor ideia, uma criança de 3 anos com obesidade tem 90% de chance de ser um adulto obeso. Precisamos melhorar esses índices, e por isso é tão importante entender que a obesidade é uma doença crônica que precisa ser tratada e acompanhada por um bom especialista. Ela aumenta o risco de mais de 200 doenças (dentre elas doenças cardiovasculares e diferentes tipos de câncer), e a obesidade como um fator de risco ficou ainda mais claro durante a pandemia da COVID-19, em que foi mostrada uma associação com quadros mais graves. Um estudo britânico demonstrou que indivíduos com índice de massa corporal (IMC – calculado pelo peso/altura ao quadrado) entre 30-35 tiveram 40% maior risco de mortalidade, IMC entre 35-40: 80% maior risco e IMC > 40: 166% maior risco. São diversos fatores que colaboram para isso. A obesidade é um estado inflamatório que afeta de forma negativa as funções imunes e os nossos mecanismos de defesa, o que resulta em maiores complicações. Além disso, existem alterações pulmonares e parece haver também maiores títulos do vírus nesse grupo de pacientes. Porém, felizmente, mesmo com o aumento do risco, a grande maioria evolui bem, e a boa notícia é que os estudos realizados durante a pandemia, mostraram de forma indireta que perdas de 5% do peso já ajudam na redução desse risco. Outra boa notícia é que pessoas que praticam atividade física também estão demonstrando uma melhor resposta à vacina. Então se você está sedentário, tente aos poucos, retornar a se exercitar.
Você concorda com essa frase?
“A Obesidade ocorre por falta de força de vontade em emagrecer”.
Essa frase, apesar de ainda frequente, é totalmente equivocada. A cada quilo perdido, nosso corpo aumenta nossa fome em 100 kcal e reduz nosso metabolismo em 30 kcal, explicando o porquê, muitas vezes, apesar de perdas iniciais de peso, a manutenção se torna tão difícil. Então não é falta de força de vontade, é realmente um processo complexo. E é por isso também que em muitos casos, além da dieta e da atividade física, a associação de medicações (prescritas por um médico capacitado) é necessária, assim como, dependendo do grau da obesidade existem as indicações de cirurgia bariátrica.
A perda de peso na obesidade é possível, e é um processo a longo prazo em que você precisa de bons profissionais da saúde para lhe auxiliarem durante a caminhada. Podemos melhorar os índices citados, mas isso demanda em primeiro lugar, entendermos que a obesidade é uma consequência de diversos mecanismos e não devemos culpar o indivíduo, pelo contrário, devemos respeitá-lo e incentivá-lo a procurar auxílio. Gostaria de deixar como principal mensagem que a obesidade é uma condição crônica que merece ser tratada, acompanhada e o paciente muito bem acolhido, para assim, termos bons resultados”.
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