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Opinião

Nada vai mudar com essa mentalidade

Em 2017, já havia sido votado, discutido, o fim das coligações proporcionais, e agora volta novamente, com mais penduricalhos, ainda mais perniciosos. É simplesmente vexatória, zombeteira, ignóbil, a postura do Congresso brasileiro

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O Congresso precisar ser higienizado mentalmente, culturalmente, a política precisa mudar a maneira
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Nada, nunca, jamais vai dar certo neste país com a mentalidade da classe política do Congresso, e com o tipo de política que se faz no país. A postura e ações praticadas ali são como um cuspe na cara da população brasileira. O Brasil não sobreviverá a isso.   

Que gente, se é que se pode chamar de gente essas pessoas, que fazem troça e parecem viver num conto de fadas, esterilizados do mundo e da vida real. Não consigo encontrar palavras para expressar o meu mais profundo desprezo pela maneira como se faz política no Congresso Nacional. É tamanha infâmia e desrespeito com a vida, o país e a sociedade brasileira.

O mundo está ruindo e o Congresso Nacional está discutindo maneiras de se perpetuar no poder. Como? Colocam um ‘bode’ na sala, forjam um problema para depois criar alternativas, soluções, que só beneficiam a classe política. E o pior, como se fosse um grande feito. Isso é doentio, criminoso.  

Todos, partidos A, B, C, poucos se safam, que gente inescrupulosa, fria, insensível, desvirtuada, alienada, maldosa. Não há discussão de um só tema relevante. As pessoas estão morrendo de fome, doentes, e o Congresso Nacional brinca de ser sério com assuntos estritamente irrelevantes.

Apolítico não muda nada

Já escrevi, mais de uma vez, que virar as costas para o país, para a realidade brasileira, fazer piadas sobre política, zombar e ser apolítico, que o desinteresse pela política só faz mal para o brasileiro. Já escrevi que estar alienado, ser indiferente ao processo político eleitoral é um erro certo, com hora e data marcada. É criar as condições ideais para, da melhor maneira possível, se boicotar. Tudo isso e mais um pouco.

Hoje, vejo, que isso faz pouca diferença, porque a política segue seu próprio caminho. E a exemplo do que ocorre nos municípios, a política mudou quando os prefeitos, vereadores, resolveram mudar, quando quem decide resolveu fazer diferente. 

Higienizar  

O Congresso precisar ser higienizado mentalmente, culturalmente, a política precisa mudar a maneira de pensar. O Congresso é um problema muito grande, hoje, agindo somente em causa própria.  

Em 2017, já havia sido votado, discutido, o fim das coligações proporcionais, e agora volta novamente, com mais penduricalhos, ainda mais perniciosos. É simplesmente vexatória, zombeteira, ignóbil, a postura do Congresso brasileiro.

Maior problema e solução

A política brasileira é o nosso maior problema, mas também poderia ser a solução, e os municípios aqui da região vem mostrando isso. A maneira de se fazer política em Brasília, atualmente, corrompe e deixa a vida alijada, literalmente, um país inteiro de joelhos, mendicante. Sujeito ao retrocesso econômico, social e cultural.

Concentração

Além disso, a estrutura política e a concentração da riqueza do país na União, obriga os prefeitos a virar pedintes em Brasília, para conseguir mais alguns parcos recursos para áreas prioritárias, investimentos em saúde, educação, infraestrutura, já que o orçamento não é suficiente e faltam verbas para todo o tipo de investimento.

Impossibilidades

Outro efeito negativo da estrutura política, que só gera prejuízos e impossibilidades, porque nada é de graça, muito mais em política, é que ao ter que buscar emendas parlamentares, estabelecer relações com senadores e deputados federais, para atender as necessidades dos municípios, a moeda de troca são os votos locais. Assim, se quebra com a possibilidade da região eleger seus próprios representantes em Brasília e aumentar a vinda de recursos para a região, o que só amplia a dependência com políticos de fora da região e a fragmentação política regional.  

Sem perspectiva

Não acredito, mais, que um dia será diferente a realidade do país, o Brasil sempre será uma fábrica de desperdícios e impossibilidades, um verdadeiro moedor de gente viva, fadada ao sofrimento, porque esse é o modelo adotado e assegurado por lei. A política praticada é a de concentração de riqueza e escassez, da miséria permanente, do subdesenvolvimento, da pobreza geral como regra. É preciso trabalhar cada vez mais, e isso não é suficiente para o mínimo, as pessoas estão trabalhando não para gerar riqueza, mas para empobrecer.

Só multiplicar problemas

Se o Congresso não mudar, se a prática continuar a mesma, os malefícios se multiplicarão, é ilusório achar que será diferente. É necessário acabar com a fonte de problemas, é urgente, essa política mesquinha, que nega seu caráter público, abrangente, nega a realidade. E a iniciativa tem que ser dos políticos, de quem tem o poder legal e opera os recursos do país.  

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