O professor, maestro e musicólogo Gleison Wojciekowski de Erechim, escreveu um livro chamado “Friedrich Schubert e Orquestra de Concertos de Erechim - Música de concerto em Erechim entre 1950 e 1968”. A obra, que faz parte dos estudos de mestrado do músico, conta a história de um renomado regente que nasceu na Áustria e encarou a Segunda Guerra Mundial. Esse músico, além de ser talentoso e conhecido na época, lutou na guerra e depois veio para o Brasil para recomeçar sua carreira.
Durante o conflito, a família escondeu um de seus maiores pertences para não ser confiscado pelos soldados alemães - o violino de Schubert -, que atualmente pertence ao brasileiro Anderson Amorim, residente em São Paulo. Estima-se que o instrumento tenha aproximadamente 200 anos de existência, de acordo com pesquisas. Por ser usado por Schubert, que atuava como 1° violinista na Orquestra Sinfônica de Viena, além do contexto histórico que carrega, o instrumento ficou popularmente conhecido como “Violino do Holocausto”. “Para a família de Schubert, esse violino era muito caro, não só pelo valor, mas pela questão afetiva. O instrumento para o músico, é uma parte de si mesmo”, explica Gleison.
Ao vir para o Brasil, Friedrich se instalou primeiramente no estado de SC e depois mudou-se para o RS, em Erechim, onde ajudou a fundar diferentes grupos musicais, entre eles, a Orquestra de Concertos de Erechim em 1950 e a banda de música em 1951. Nesta obra, Wojciekowski conta como era a vida deste maestro, seus desafios, o violino histórico e ainda a formação da cultura musical e grupos erechinenses.
Processo de construção
Em entrevista à TV Bom dia, o professor Gleison contou que desde a infância ouviu falar sobre a história de Schubert, “a lenda de Frederico Schubert”, isso despertou curiosidade e interesse em pesquisar o tema. “Quando fiz mestrado em musicologia, já tinha intenção de pesquisar sobre ele. Antes disso, já colecionava fotos, documentos e materiais sobre esse maestro”, afirma.
O processo de construção do livro, foi desafiador, mas ao mesmo tempo, fascinante. “Diferentes professores veteranos contribuíram na captação das informações e também outras pessoas, que, infelizmente não estão mais entre nós. Tive apoio do meu professor de mestrado que é descendente de alemão e conseguimos contatos exclusivos para ter mais informações. O processo de pesquisa, basicamente foi documental e entrevistas com pessoas que o conheceram”, conta
Inspiração
O maestro diz que ao escrever o livro, se identifi cou com a história de Frederico. “As mesmas dificuldades que ele encontrava ao trabalhar com orquestra, encontro hoje em dia. Atualmente temos celular, mas naquele tempo, ele passava de casa em casa avisando por exemplo, que tinha ensaio e buscava fazer o melhor possível, não pelo ganho financeiro, mas em prol da música. Me identifiquei com Schubert, porque é a mesma história, a realização da música, a música acima de tudo, isso ele buscava e nós enquanto músicos buscamos também”, argumenta.
Importância de documentar os fatos
Conforme Wojciekowski, colocar a história de Frederico em um livro significa reconhecer a história local. “Primeiro porque é aquilo que nos identifica, somos frutos do lugar e do tempo em que vivemos. Segundo, porque a história em geral, nos ajuda a entender o presente, projetar o futuro e evitar os erros passados. É extremamente importante, para entendermos e preservar o que somos, defender a cultura. Devemos nosso hino municipal ao Schubert. Escrever sobre isso, pode ser uma fonte de rendimentos para a cidade, podemos aproveitar o material talvez para o turismo e outras áreas. É partir destas pesquisas, que podemos construir novos caminhos”, frisa.
Saiba mais
Quem foi Frederico Schubert?
Conforme Wojciekowski, o maestro Frederico Schubert, nasceu na Áustria (1901-1978) no início do século XX e foi um grande estudioso da música em sua época. Na Europa, foi o 1° violinista (aquele que sempre senta na primeira cadeira a esquerda do maestro) da Orquestra Sinfônica de Viena, sob a regência de Arturo Toscanini, que era um dos melhores regentes daquela época. “Neste período estava acontecendo o Nazifascismo. Alguns estudos, dizem que a mãe de Schubert era judia. No período das controvérsias entre Áustria e Alemanha, ele foi convocado para servir o exército alemão, lutando na frente oriental, na Polônia, na Rússia, mas em um determinado tempo, descobriram sua ascendência e ele foi para um campo de concentração, que era chamado de Buchenwald, perto de Weimar, na Alemanha. No fim da guerra e depois de passar por diferentes lugares, vem para o Brasil em busca de novas oportunidades”, explica.
Além de musicista, Frederico era fotógrafo. No Brasil, permaneceu trabalhando em Erechim com música e fotografi a até meados de 1968. Após esse período, quando fi cou viúvo foi para o Rio de Janeiro e permaneceu até sua morte, em 1978. O maestro e renomado Schubert, é lembrado até hoje, por músicos e apreciadores da cultura, por seu talento e grande trajetória histórica e musical dentro da sociedade.