Dados do Ministério da Saúde informam que atualmente há 6,4 milhões de crianças - de até 10 anos - com excesso de peso e 3,1 milhões de crianças nessa faixa etária com obesidade. Na faixa de até cinco anos, o índice é de 15,9%, enquanto na de cinco a nove é de 31,8%.
Entre os adolescentes, há 11 milhões de indivíduos com excesso de peso e 4,1 milhões com obesidade, um índice total de 31,9%.
Os números são extremamente preocupantes e se agravaram ainda mais com a pandemia.
Em entrevista recente ao programa ‘Equilibre-se’ da TV Bom Dia, a médica endocrinologista de Erechim, Gabriele De Geroni, destacou que um dos problemas registrados com muita frequência no consultório, nos últimos tempos, refere-se ao ganho excessivo de peso. Segundo ela, quando o problema é com as crianças, isso torna-se ainda mais preocupante, pois: “uma criança obesa pode ser um adulto doente, caso não houver atenção especial e cuidados específicos”, alertou, citando que entre as principais doenças que geralmente se relacionam, está a diabetes, a pressão alta e o colesterol elevado.
A especialista reforçou que é essencial não deixar de lado o assunto de lado e esperar passar a pandemia. “Precisamos de um olhar voltado à saúde e prevenção de forma prioritária. Ao mesmo tempo, reconhecer quando é preciso buscar ajuda profissional. O nosso corpo tem uma memória metabólica, por isso, o que “plantamos” agora, em algum momento vamos colher”, destacou.
Gabriele pontuou ainda, algumas dicas que podem fazer a diferença no cuidado da saúde: manter uma alimentação adequada, ingerir bastante água, fazer exercícios físicos, tentar dormir bem e evitar cigarro e bebida alcóolica. Ações básicas mas que geram um impacto expressivo na qualidade de vida. “Os pais e responsáveis exercem um papel fundamental nesse processo, pois as crianças fazem suas escolhas com base no que observam no comportamento dos adultos”, salienta, mencionando que o excesso de peso pode influenciar, ainda, nas atividades do cotidiano, na rotina de estudos, na concentração e, inclusive, na autoestima. “No entanto, mais que beleza, o foco deve estar na saúde”, afirmou.
Programa
O Ministério da Saúde lançou ontem (10), uma estratégia nacional para combater a obesidade infantil e uma campanha educativa sobre o tema. As iniciativas pretendem promover a alimentação saudável entre crianças e adolescentes.
Segundo o governo federal, serão disponibilizados recursos a municípios para o desenvolvimento de ações de combate ao problema e promoção de hábitos saudáveis.
Na primeira etapa, poderão aderir até mil prefeituras. A participação do programa implicará o compromisso de implantar uma série de iniciativas, como a vigilância alimentar e nutricional com mapeamento da situação das crianças e adolescentes na cidade, e campanhas de comunicação para discutir com a sociedade a importância de hábitos mais saudáveis.
Também estão previstas entre as ações da estratégia a formação de equipes de saúde para lidar com as crianças e adolescentes do município e a articulação com a comunidade para que as recomendações para evitar a obesidade infantil sejam acolhidas no cotidiano das famílias.
Campanha
A Campanha de Prevenção e Atenção à Obesidade Infantil de 2021 terá como foco a promoção do consumo de alimentos in natura e redução do consumo de comidas ultraprocessadas.
As peças de campanha também chamam a atenção para a importância de realizar atividades físicas desde os primeiros anos de vida, sejam elas nas brincadeiras e atividades lúdicas ou na prática de esportes.
A campanha também mira o grande tempo que crianças e adolescentes passam em frente a telas, assistindo à TV, interagindo pelos smartphones ou utilizando aplicativos em computadores e tablets.