De 1º a 07 de agosto, é celebrada a Semana Mundial do Aleitamento Materno. A programação integra a campanha ‘Agosto Dourado’, uma oportunidade para ampliar a reflexão sobre a importância da amamentação.
A cor dourada é em razão de o leite materno ser considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o “alimento de ouro” para os bebês.
A gerente do setor Materno-infantil do Hospital Santa Terezinha, Marlei Anhaia, destaca que esse é um mês especial e o objetivo é promover o debate sobre o assunto. “O leite materno salva a vidas de milhões de crianças todos os anos, por meio da amamentação até os seis meses e complementada até os dois anos de idade”, comenta.
Entre os diversos benefícios, Marlei cita: “Age como um imunoprotetor, auxiliando desde a infância até a fase adulta; protege de alergias, diarreia, obesidade, diabetes tipo 2; também é comprovado cientificamente que o leite da mãe é capaz de aumentar o QI da criança; previne otites, além de internações, de um modo geral. Isso reflete em benefícios diretos às famílias e a toda comunidade”, salienta.
No caso da mamãe, entre os benefícios está a prevenção do câncer de mama, de sangramentos, anemias e permite a contração mais rápida do útero. “Temos que abraçar essa causa. Muito além do hospital, que está preparado para orientar, todos devem participar desse elo que inicia no pré-natal, prossegue na hora do nascimento, vai para o quarto e após a alta, os cuidados se mantém nas Unidades Básicas de Saúde”, reforça a enfermeira.
Cuidados importantes
No hospital, diariamente, a equipe vai até a mãe, avalia a mamada e se ela precisa de auxílio. Um dos aspectos fundamentais é sobre como a mãe está posicionada, no que chamamos de “barriga da mãe com barriga do filho”; ao mesmo tempo, a cabeça do bebê não pode ficar virada para o lado para não ter dor e a boca do bebê deve estar bem posicionada no seio, por isso, ambos precisam ficar bem confortáveis. “No início o bebê pode mamar de 10 minutos à uma hora. O ideal é que a mãe não sinta dor. Vale ressaltar que ninguém nasce sabendo amamentar e aos poucos vamos aprendendo. Do mesmo modo, cada filho é diferente e gera uma experiência na amamentação”, afirma Marlei.

Quando saem do hospital
Quando a mãe vai para casa, não terá a ajuda direta da Enfermagem, mas sim, o suporte da família e da comunidade. “Ela precisa estar confortável, descansada, seguir uma alimentação adequada e ingerir líquidos em grande quantidade. A mãe também deve ficar de olho nos “sinais” que o bebê concede no momento que ele está com fome: pode ficar mais agitado e colocar a mão na boca, por exemplo”, pontua.
Para saber se está tudo ocorrendo bem, seguem algumas dicas: dependendo de quanto o bebê mamar, ele irá fazer xixi por várias vezes. Além disso, o ganho de peso e a tranquilidade do bebê, também são fatores importantes. “É muito importante o acompanhamento das equipes das UBSs, de irem até a casa, avaliar a mamada, pois, caso a mãe não estiver conseguindo amamentar, pode interromper esse processo de maneira precoce”, alerta Marlei.
Amamentação na pandemia
Segundo o Ministério da Saúde, devido aos inúmeros benefícios, tanto para a mãe como para o bebê, a amamentação é indicada e prossegue nos mesmos moldes de antes da pandemia de covid-19, porém, com cuidados redobrados: a mãe deve usar máscara no momento de amamentar; higienizar bem as mãos; se precisar de isolamento, é deixado o bebê em uma incubadora, com uma distância de um metro e meio da mãe.
Prematuros
No caso do bebê prematuro, os desafios podem ser ainda mais expressivos. A gerente do setor Materno-infantil do Santa Terezinha explica que ele nasce e é encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva até o momento em que o pediatra irá liberar o mama. O início é com a colostroterapia. “Geralmente no segundo dia já pedimos para a mãe se dirigir à sala de apoio à amamentação, onde há um profissional especializado para fazer a retirada do leite do seio, com muitos cuidados para evitar contaminação. Aos poucos, o organismo já vai acostumando com o leite. Na sequência é iniciada a alimentação por sonda e quando o médico entender que o bebê está estabilizado clinicamente, é possível iniciar a amamentação com o seio materno. Tudo com muita calma, no próprio tempo. A criança primeiro vai sentir o cheiro da mãe, ampliar o vínculo, para depois desenvolver o instinto de sugar o leite do seio. Sempre comentamos que, no caso dos prematuros, vai demorar um pouco mais”, orienta.
Quem não pode amamentar
Há mães que não podem amamentar por algum motivo, isso pode ser em razão de alguns medicamentos, entre outros fatores. No entanto, Marlei reitera que elas não devem ficar tristes, pois não é somente o ato de o bebê sugar que é importante. “O carinho que as mães dedicam ao bebê, mesmo com mamadeira ou pela sonda, por exemplo, é igual e fortalece o vínculo”, afirma.
Semana de atividades intensas
A semana está sendo de atividades intensas no Hospital Santa Terezinha, especialmente na maternidade, UTI Neonatal e Pediatria, com palestras sobre amamentação, treinamentos práticos para os profissionais e mães.
As atividades irão prosseguir durante todo o mês. Outra oportunidade é que a comunidade pode interagir e esclarecer dúvidas sobre amamentação e gestação. Basta acessar a página do Facebook e ou Instagram do hospital.
“É algo mágico e divino, a melhor sensação do mundo”
Aos 36 anos, a mamãe Jucieli Rostirolla vivencia uma fase incrível junto a filha, Valentina Rostirolla Rigo, que está com quase seis meses.
Em entrevista ao Bom Dia, ela relata que teve um suporte muito bom no Hospital de Caridade de Erechim. “As técnicas de Enfermagem que me acompanharam no período pós parto, me ensinaram sobre a questão da pega no seio, como eu tinha que segurar a bebê para melhor amamentá-la, enfim, fui bem orientada e acredito que por isso não tive muita dificuldade”, ressalta.
Suporte da família
Jucieli afirma que a família fornece uma ajuda importante, principalmente o esposo Francis. “É muito parceiro. No início, quando ela acordava de madrugada para mamar, ele sempre me acompanhava para apoiar e auxiliar no que precisasse. No momento das minhas refeições, também me ajuda muito, pois afirma que tenho que me alimentar bem para amamentar”, comenta com entusiasmo.
Persistir sempre!
Em relação ao início do aleitamento, a jovem declara que a etapa nem sempre é fácil. “Tudo que é novo, é ainda mais desafiador. Tive parto normal e o leite não demorou a aparecer. Também não precisei suplementar. Contudo, na fase de adaptação, algumas questões podem ser comuns. Uma delas é que as primeiras vezes é dolorido, mas mesmo assim, é muito bom de sentir, por isso, é essencial não desistir. A amamentação requer muita persistência e dedicação. Não podemos deixar de tentar, considerando que para o bebê também é um momento diferenciado”, ressalta, citando que outro fator é a importância de beber muita água e chás. “Tudo o que as nossas mães ensinam, deve ser seguido e vale muito”, alerta.
A sensação de amamentar...
Ao tentar descrever a sensação de amamentar, Jucieli afirma que é algo único e que somente vivenciando para sentir o que representa. “É muito prazeroso o fato de sabermos que estamos alimentando um ser humano, ainda pequeno, tão inocente. Eu diria que é algo mágico e divino, a melhor sensação do mundo”, define.
Dicas da mamãe
Às futuras mamães, entre as dicas concedidas por Jucieli está: façam massagem nos seios ainda durante a gestação, pois isso ajuda muito para depois não sentir tanta dor; hidratem os seis para evitar rachaduras e insistam na amamentação. “Caso deixar a suplementação, o bebê vai preferir, afinal pode parecer mais prático. Contudo, o custo-benefício em relação à amamentação, vale muito, afinal, por mais difícil que seja, é gratificante e saudável priorizar o aleitamento materno”, enaltece.
Saiba mais
Números do Ministério da Saúde revelam que os índices nacionais do aleitamento materno exclusivo entre crianças menores de seis meses aumentaram de 2,9% para 45,7% quando se compara o período de 1986 até 2020. Também é possível observar grande evolução da prevalência de aleitamento materno continuado no primeiro ano de vida, passou de 30%, em 1986, para 53,1%, em 2020.