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Saúde

“Eu só me salvei porque tinha tomado as duas doses da vacina”

Essa é a afirmação de Dilmo Pedrollo, de 72 anos, que, depois de ficar 20 dias internado, está se recuperando em casa da covid-19

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“Tem que reconhecer o trabalho dos enfermeiros, por ficar na batalha, na linha de frente”
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Com a voz fraca e ofegante, Dilmo Pedrollo, de 72 anos, enviou uma mensagem para os amigos, pescadores, de Erechim, depois de ficar internado devido às complicações da covid-19. Dilmo é natural de Itatiba do Sul, mas, atualmente, mora em Medianeira no Paraná. Um relato emocionante de um sobrevivente desta doença que já matou mais de 550 mil pessoas no Brasil e continua fazendo vítimas.  

Ele ficou internado 20 dias no Hospital e Maternidade Nossa Senhora Medianeira, administrado pelas irmãs Servas do Espírito Santo. “Houve uns dias que achei que não ia mais ver vocês, e nem pescar aqueles belos dourados que pescávamos”, diz ele.

Agora ele está em casa fazendo fisioterapia para recuperar os músculos, já que enquanto ficou internado no hospital chegou a perder 10 quilos. Além disso, faz fisioterapia para os pulmões, que foram muito afetados pela doença. “A gente perde muita massa muscular. Eu conseguia das uns passos, mas qualquer movimento ficava ofegante”, afirma.

Ele conta que está se recuperando bem, em casa, com a oxigenação um pouco baixa ainda. “Mas a recuperação é lenta”, afirma. Dilmo não precisou ser entubado, recebeu somente a oxigenação e a máquina de ventilação que força o ar para dentro dos pulmões.

Vacina foi a salvação

“Na verdade, eu só me salvei porque tinha tomado as duas doses da vacina”, observa. Ele conta que pegou a doença quarenta dias depois de tomar a segunda dose. “Eu peguei essa praga. Eu e a Silvia (esposa) que também pegou, mas não teve sintomas. Me salvei porque tinha tomado as duas doses, senão tinha ido”, enfatiza.

Dilmo conta que tem comorbidades, e conforme o médico dele disse, do jeito que estava, se não tivesse tomado as duas doses da vacina tinha morrido.  

Conversar

Dilmo relata que ficou 20 dias numa cama, isolado, e só conseguiu passar por esses dias porque conversava muito com os enfermeiros, a mulher da limpeza. “Puxando papo”, disse.

Enfermeiros

“Tem que reconhecer o trabalho dos enfermeiros, por ficar na batalha, na linha de frente”, afirma.  

Na saída

A tradição do hospital em que Dilmo ficou internado, administrado pelas irmãs, é de fazer uma breve comemoração, na saída, para aqueles pacientes que conseguiram vencer a doença. “Eles fazem aquela bagunça na saída”, disse.

“Eu disse pra eles que estava feliz de ir para casa, mas que estava triste por deixar eles lá. Eu pedi pra empurrar a minha cadeira de rodas pra trás para olhar os enfermeiros, enfileirados, na saída do hospital. Foi a maior emoção da minha vida ter visto todos eles chorando. A gente acha que esses profissionais da saúde são frios, mas eles são bem humanos, quando eles perdem uma pessoa no hospital, que não conseguem salvar, eles ficam muito triste”, comenta.

Cuidados  

Dilmo se sente na obrigação de falar sobre o que aconteceu com ele, e enfatiza a necessidade de se cuidar. “Eu tenho a obrigação de falar porque eu passei por isso. E sorte minha que não fui entubado”, disse.

Mesmo com as duas doses feitas, Dilmo contraiu o vírus, e não foi por falta de cuidado dele e da esposa. “Eu e a Silvia nos cuidamos muito, ninguém se cuidou mais, pode ter se cuidado igual, mas não mais, e mesmo assim peguei essa praga, não sei de onde. Quase não saía de casa, meus filhos não vinham na minha casa”, relata.  

Atualmente

“Agora, estou quase bom. Ainda sinto cansaço com qualquer esforço, mas isto é normal. Importante que não sinto mais falta de ar. Vai demorar um pouco mais para se recuperar totalmente. Mas dessa escapei”, afirma.

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