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Saúde

Equipe multiprofissional da URI promove reabilitação de pacientes do Alto Uruguai

Atualmente, 12 pacientes integram grupos, divididos em horários, com planos específicos de tratamento, seguindo todos os cuidados em relação a pandemia. A idealizadora do projeto, professora doutora, Fernanda Dal' Maso Camera, afirma que já são observados avanços expressivos entre os primeiros participantes

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Nesse momento, 12 pacientes integram grupos, divididos por dia, seguindo todos os cuidados em relaçã
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Profissionais de diferentes áreas, envolvidos em uma missão desafiadora: a reabilitação de pacientes pós-covid19. O trabalho, que surgiu na URI de Erechim, é aplicado de forma interdisciplinar e conta com mais de 15 pessoas, entre elas, fisioterapeutas, psicólogos, médicos, farmacêuticos, filósofos, educadores físicos, além de mais de 10 alunos, incluindo estagiários que atuam com a supervisão dos professores.

A idealizadora do projeto e coordenadora do Ambulatório de Reabilitação Pós-Covid, professora doutora, Fernanda Dal' Maso Camera, ressalta que cada um desempenha um papel essencial nessa iniciativa, desenvolvida de modo conjunto.

Funcionamento

O sistema funciona da seguinte forma: todos os pacientes que tiveram o diagnóstico de covid-19 e apresentam algum tipo de sequela, seja neurológica, respiratória, cognitiva ou outras, podem procurar o espaço.

Nesse momento, o fluxo é expressivo. Algumas pessoas foram diretamente e logo em seguida, muitos pacientes foram encaminhados pelo Ambulatório do curso de Medicina e, ainda, pelas Unidades Básicas de Saúde. “Do mesmo modo, os pacientes, quando saem do hospital, são orientados a procurar o ambulatório. No local é feita uma avaliação e, após, o encaminhamento para os serviços e um deles acontece na Clínica de Fisioterapia da URI Erechim” explica Fernanda, que também é fisioterapeuta, especialista em Fisioterapia Cardiorrespiratória, mestre em Reabilitação, doutora em Ciências da Saúde e trabalha como docente e pesquisadora do curso de Fisioterapia.

Abrangência

Segundo ela, o projeto envolve pacientes de Erechim e toda região Alto Uruguai. No momento que eles chegam na Clínica Escola de Fisioterapia, a professora faz o primeiro contato com todos e inicia-se o processo de todas as avaliações que eles serão submetidos. “Primeiramente o contato é com o fisioterapeuta que realiza uma avaliação respiratória, motora, sobre as condições físicas, observa quais as limitações que os pacientes apresentam, entre outros testes. Conseguimos analisar a força periférica, tanto de membros superiores como inferiores, pois sabemos que muitas vezes eles apresentam fraqueza, até mesmo generalizada, em razão do adoecimento causado pela covid-19”, comenta.

Outro aspecto observado é a flexibilidade e o equilíbrio. Além disso, é realizada a avaliação da dispneia, por meio da observação da falta de ar, tanto no repouso como em algumas atividades: tomar banho, escovar cabelo, entre outras. Nesse sentido também é considerada a fadiga, a qual prejudica muito o dia a dia. “Utilizamos esses instrumentos que nos auxiliam numa reavaliação para verificarmos se ele está melhorando ou não”, pontua Dra. Fernanda.

Questionários

De acordo com a especialista e docente da URI, também há questionários (embasados em informações da literatura) que avaliam, por exemplo:  

A dor - ajuda muito, pois o paciente consegue identificar a localização da dor e a intensidade.

A qualidade de vida do paciente – inclusive sintomas respiratórios e o quanto eles limitam o bem-estar;

A qualidade do sono, pois muitas pessoas referem que começaram a apresentar insônia;

A independência - isso tudo é essencial para que a equipe possa ter uma melhor noção das condições do paciente, como um todo;

O grau de cognição - sendo que muitos pacientes apresentam déficit de memória e de atenção;

O bem-estar e a espiritualidade, independente da religião do paciente.

Avaliações essenciais

As avaliações se tornam ferramentas que ajudam nesse processo de recuperação. “Temos realmente dados muito importantes que contribuem para traçar o melhor tratamento. Como é uma “mistura de sentimentos”, todos os instrumentos são de grande valia para que possamos fazer um acompanhamento específico a cada um”, reitera.

Ao todo, são mais de 20 testes que integram esse processo de avaliação. “Eles são rápidos e logo após inicia-se a reabilitação, propriamente dita. Além do projeto, os pacientes podem ser encaminhados, ainda, para outras especialidades, seja da Medicina, Nutrição e de outras áreas, conforme a necessidade”, acrescenta.

Principais sequelas

Fernanda destaca que todas as sequelas que os pacientes apresentam quando recebem alta hospitalar, estão relacionadas à fraqueza muscular, respiratória, alterações no sono e nas atividades rotineiras.

Para contribuir na recuperação, em meio aos protocolos, estão práticas aeróbicas para melhorar o condicionamento cardiorrespiratório e a capacidade funcional, junto a exercícios de força. “São organizadas séries, por meio de encontros bissemanais, de uma hora e meia”, cita a fisioterapeuta e docente da URI.

Sobre o tempo de tratamento, a coordenadora do projeto enfatiza que é um processo lento, demorado, mas que os pacientes entendem pois percebem as limitações. “Cada caso é diferenciado e depende da gravidade do quadro apresentado e do tempo de internação”, afirma Fernanda.

No momento, há 12 pacientes sendo atendidos, sendo que cada um segue o próprio plano de tratamento. Eles fazem em grupos, divididos por dia, seguindo todos os cuidados em relação a pandemia. “Estamos muito felizes com os avanços que já são observados nesses pacientes que foram os primeiros a ingressar no projeto. Temos uma fila de espera de outras 12 pessoas que iniciarão os testes e a reabilitação em agosto”, menciona.

Desafios diários e resultados gratificantes

Na opinião da Dra. Fernanda, são muitas informações importantes que poderão render a publicação de um artigo, com base no que foi percebido dos avanços e ações desenvolvidas com os pacientes. “Esse é um projeto social de grande relevância. Eu já trabalhava com pacientes crônicos, mas agora, com essa experiência de atender pacientes pós covid, posso dizer que é um desafio diário, afinal, estudamos muito a cada momento para permanecermos constantemente atualizados”, avalia.

Ela frisa, ainda, a felicidade em ter criado esse projeto e poder contribuir, de alguma forma, na recuperação desses pacientes. “Sabemos, também, da importância da Fisioterapia durante o período de internação, o que é realizado com os pacientes, mas a Fisioterapia ambulatorial, que é o trabalho que estamos desenvolvendo, é fundamental para que as pessoas possam voltar à sua vida pessoal e profissional. Nesse sentido, percebemos que eles também estão contentes e gratos por tudo que estão percebendo de melhoria na qualidade de vida”, declara.

Para que o projeto seja colocado em prática, a equipe de profissionais conta com a parceria da comunidade e o apoio de entidades, como algumas cooperativas (Cresol e Sicredi), que doaram uma bicicleta e uma esteira ergométrica.

Tais gestos possibilitam a ampliação do atendimento e um suporte que ajuda muito na conquista de resultados exitosos. Quem tiver interesse de auxiliar de alguma forma, os profissionais estão à disposição e podem contatar diretamente com a URI de Erechim.

 

 

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