O momento atual da pandemia sinaliza para indicadores mais baixos no que se refere aos casos ativos e percentuais da ocupação de leitos na região Alto Uruguai. Contudo, a pandemia prossegue e, desse modo, toda atenção é essencial para evitar contaminações pelo Coronavírus.
Ao fazer uma avaliação do cenário atual, o médico infectologista de Erechim, Vanderlei Madalozzo, salienta que, quando há uma maior transmissão do vírus, por consequência, há uma maior contaminação de pessoas. Isso quer dizer que, para diminuir o número de casos, é preciso diminuir a transmissão do vírus e para isso é necessário diminuir a circulação de pessoas. “Por isso, quando há indicadores altos, como em semanas anteriores, com ocupação hospitalar elevada, foi emitido o sinal de Alerta por parte do Estado, sendo necessária a determinação de algumas medidas, as quais foram muito bem tomadas pelo Comitê da Associação de Municípios do Alto Uruguai – Amau. Parece uma “penalização”, mas não há outra forma a não ser adotar algumas alternativas para tentar evitar a aglomeração de pessoas, e isso foi eficaz”, destaca.
Aliança efetiva
O especialista acredita que, se for possível unir as medidas de prevenção à conscientização da população e, sem dúvida alguma a vacinação, é possível reduzir o número de casos ativos. “Nesse momento, temos as Unidades Clínicas para atendimento dos pacientes com covid-19, que estão com percentuais baixos. As UTI’s mantem índices maiores, mas grande parte dos pacientes está lá há bastante tempo. Isso quer dizer que, em relação aos casos novos, estamos vivendo um momento mais tranquilo, contudo, já tivemos outras fases semelhantes e que depois houve um aumento expressivo que complicou a atuação dos atendimentos”, alerta o médico de Erechim.
Vacinação em ritmo forte
Dr. Madalozzo comenta que não há como prever o futuro, mas, se for possível manter uma velocidade de vacinação até maior do que a atual, que na sua opinião já está ótima, também ajudaria a diminuir um possível aumento de casos. “Erechim está sendo exemplo para muitas localidades”, acrescenta.
Jovens, atenção!
No mais recente pico de casos positivos para o Coronavírus, foi registrado um número expressivo de pacientes mais jovens, sendo que a maioria dos internados estava abaixo dos 60 anos, faixa etária diferente da fase inicial da pandemia. Esse indicador reforça a necessidade de um olhar diferenciado e uma postura que mantenha os protocolos de prevenção.
Quanto à vacinação, Erechim está na fase dos 29 anos. “Pelo menos uma dose, que já ajuda. Contudo, sabemos que o esquema completo são duas doses. Se as pessoas que estão na idade de receber o imunizante, forem fazer a vacina, possivelmente conseguiremos controlar esses novos casos. No entanto, mesmo após as duas doses, é essencial prosseguir com o uso de máscara, além de evitar aglomerações e priorizar os ambientes arejados. A vacina protege o indivíduo. Eu estando vacinado, as chances de complicações reduzem expressivamente. Agora, a transmissão viral continua exatamente igual”, ressalta o infectologista.
Do mesmo modo, ele enfatiza que ainda não temos condições de abolir o uso da máscara. “Quem sabe, daqui a algum tempo, conseguiremos fazer novas adequações em ambientes ao ar livre, mas, na minha visão, até o momento, é precoce tomar essa atitude”, afirma.
Hora das compras e cuidados permanentes
Desde o início da pandemia, os mercados, por exemplo, faziam a medição de temperatura, restringindo a entrada de familiares, e isso é fundamental. “À população, fica o alerta para que, no momento nas compras, apenas um integrante se dirija até os estabelecimentos, os quais também devem priorizar todos os cuidados”, pontua Dr. Madalozzo, citando que, com a extensão de horários para bares e restaurantes, também devem ser mantidos todos os cuidados. “As pessoas não devem pensar que, por conta da vacina, estão livres de contaminação”, frisa.
Uso da máscara reflete em cuidados gerais
As doenças de transmissão mais frequente no inverno, são as respiratórias. De acordo com o médico, isso acontece porque ficamos em ambientes mais fechados, com mais pessoas e isso favorece o surgimento de tais problemas. Ao mesmo tempo, o uso da máscara, que se tornou essencial há mais de um ano, auxilia na redução de um bom número de outras infecções, mas é preciso ter cuidado, principalmente em relação à saúde das crianças e idosos. “Um número expressivo de escolas retomou as aulas presenciais e nesses espaços, mais do que nunca, devem ser levados à risca esses protocolos”, completa.
Os pilares básicos
Do ponto de vista do especialista, dois pilares são essenciais no enfrentamento da pandemia do Coronavírus: vacina e testagem. “Pessoas que estão contaminadas, devem fazer o isolamento, do mesmo modo que as que convivem com elas. Por isso, sempre que houver um caso positivo e puder ser feito o rastreamento dos demais familiares que residem na mesma casa, seria necessário fazer. Há possibilidade de alguém estar sem sintomas, por exemplo, e prosseguir com suas atividades e há risco de contaminação. Sendo assim, o recomendado é que seja feito o isolamento preventivo, de no mínimo 10 dias”, orienta.
Recado a toda população:
“Vacine-se. Acho que esse ponto é imprescindível. Esperamos tanto esse momento, então, quando chegar a sua faixa etária, aproveite e receba o imunizante. Não esqueça da segunda dose, ela é essencial e amplia a eficácia. Ao mesmo tempo, mantenha sempre os mesmos cuidados, não relaxe nas medidas preventivas e tentar viver mais dentro do normal possível, seguindo as informações corretas, com base em dados de órgãos oficiais. Redobre o cuidado com mensagens em grupos de WhatsApp, por exemplo, que não se sabe nem a origem exata do conteúdo”, finaliza o médico.