O Ministério da Saúde anunciou no fim da semana passada, novas orientações sobre a vacinação de gestantes e puérperas contra a covid-19. A pasta retomou recomendação de imunizar gestantes sem comorbidades a partir dos 18 anos e também orientou que os imunizantes aplicados em gestantes devem ser o da Pfizer e a CoronaVac, que não possuem vetor viral. Já as da AstraZeneca e Janssen ficam excluídas da vacinação de gestantes e puérperas justamente por usarem o vetor viral. O ministério também ressaltou que não devem ser combinadas doses de diferentes vacinas na imunização.
Ontem (13) em entrevista ao Bom Dia, o médico pneumologista e professor do curso de Medicina da URI de Erechim, Leandro Antônio Gritti, ressaltou que a vacinação, como um todo, é muito importante e as gestantes e puérperas também fazem parte desse grupo prioritário. Devem ser aplicadas as doses respeitando os prazos habituais das vacinas, uma com 30 dias e a outra 74 dias (após a antecipação anunciada pelo governo, sendo que antes era determinado 90 dias). “Em relação à AstraZeneca, que inicialmente havia sido liberada e depois foi recomendada a suspensão, não é recomendado o “mix” de vacinas. Do mesmo modo, a segunda dose deve ser aplicada após o nascimento do bebê”, explica o médico.
Primeiros impactos da vacinação
Segundo Dr. Gritti, embora o número de pessoas vacinadas até o momento, não seja muito significativo, sendo que o ideal é que houvesse mais de 75% da população imunizada para que os profissionais identificassem impactos mais significativos, já é possível perceber alguns reflexos. “Temos acesso à literatura mundial e já existem trabalhos demonstrando uma redução importante de adoecimento, de necessidade de internação em UTI e mortalidade da população vacinada. Em âmbito local ainda é difícil citar experiências mas já percebemos que mudou a faixa etária, pois antes havia mais pessoas da terceira idade hospitalizadas e hoje reduziu muito. Há pessoas na faixa dos 40, 50 anos, necessitando de suporte das Alas Covid”, comenta o especialista, acrescentando que, a princípio, esse deslocamento se deve a estratégia de vacinação que contemplou inicialmente os idosos.
Ao mesmo tempo, já foi possível observar um menor adoecimento dos profissionais de saúde, comparativamente ao início da pandemia. “Globalmente, estudos estão sendo publicados e, um deles, refere-se à CoronaVac. Uma pesquisa realizada no Chile, onde foram imunizadas milhões de pessoas, foi observada a redução média da infecção em 66%; uma diminuição média de necessidade de internação em UTI em 90% e uma redução de mortalidade em 86%”, salienta.
Todas as vacinas funcionam!
Diante disso, segundo o pneumologista, é possível afirmar que todas as vacinas funcionam, considerando que existem características que diferem uma da outra. “Isso é natural pois são tecnologias e métodos de produção diferentes. Elas têm um impacto positivo no controle da doença e, principalmente, na redução da mortalidade. É muito importante que as pessoas se vacinem e não há preferência a uma vacina específica. Devem se vacinar com a que estiver disponível, com a exceção da regra em relação às gestantes”, reitera.
Dr. Gritti cita que uma situação muito pontual é a indução da trombose ou a alteração (diminuição) do número de plaquetas (trombocitopenia) em razão da vacina. No entanto, esses são casos muito raros e uma contraindicação muito pouco frequente. “Portanto, todos que puderem, vacinem-se!”, enfatiza.
Reações e benefícios
A vacina contra a covid é uma das principais ferramentas, aliada aos cuidados básicos tão difundidos (uso de máscara, distanciamento social, ambiente ventilado), para o controle da pandemia.
Quanto às reações vacinais, vale mencionar que elas sempre aconteceram e já são previstas. “Na própria dose contra a gripe, por exemplo, algumas pessoas queixam-se de dor e febre após a aplicação. No caso da prevenção ao Coronavírus, pesquisas sinalizam que algumas podem gerar mais reações, outras menos”, pondera.
A que mais tem mostrado reações é a da AstraZeneca, que perdura por basicamente 48 horas. Entre os sintomas está a dor no corpo, febre e mal-estar, sintomas que imitam o início do processo viral. É uma situação tratada de forma sintomática e se isso persistir após o período citado, podemos pensar na possibilidade de uma infecção, seja pelo Coronavírus ou outra doença infecciosa”, observa o médico de Erechim.
A dose contra a Influenza
Em relação a gripe, o vírus possui comportamento sazonal. “Já houve uma pandemia em 2009 e devemos nos prevenir e vacinar, mesmo que nos últimos dois anos, a circulação do vírus da Influenza tenha diminuído em função da disseminação do Coronavírus”, assinala.
De acordo com o especialista, existe uma diferença de infectividade do Coronavírus e o vírus da Influenza, sendo que o primeiro se dissemina mais facilmente que o segundo. “Então, quando adotamos as medidas de distanciamento, uso de máscara, higienização das mãos, etiqueta respiratória e evitamos aglomerações, reduzimos, também, a incidência da Influenza. Por isso, as medidas de controle do Coronavírus tiveram um impacto positivo nas outras viroses, inclusive no público infantil”, afirma.
Além de seguir todos os cuidados, é fundamental a vacinação para controle de outras situações que possam se agravar com a pandemia. “Nada impede que tenhamos a infecção pelos dois vírus ou sequencialmente. No caso da Influenza, é um caso importante de adoecimento e busca de auxílio médico. Para o controle, a melhor forma é a vacinação”, frisa.
As expectativas para um futuro próximo
Em meio à pandemia e as expectativas diante da campanha de vacinação, o médico e professor da URI enaltece que ele, assim como todos os profissionais e a população em geral, estão muito ansiosos por tratamentos efetivos, que sejam de fácil aplicação, com baixos efeitos colaterais e que tenham uma alta efetividade. “É difícil o desenvolvimento de medicamentos para tratar esse tipo de vírus e não acredito que o surgimento um antiviral específico para o Coronavírus, seja algo para breve”, avalia.
Por isso é necessário reforçar as medidas de controle e as vacinas. “Atualmente já é possível vacinar adolescentes acima de 12 anos e a expectativa é que, até o fim do ano, todos os adolescentes possam receber a dose. Já existem pesquisas com crianças e o uso da CoronaVac, cujos resultados foram seguros e eficientes”, destaca.
Muito provavelmente ao longo dos próximos meses haverá mais desdobramentos, além da divulgação e publicação dos resultados.