O Grêmio vive um momento de intensa pressão, turbulência e instabilidade. Com apenas dois pontos conquistados em 18 disputados, o cenário se configura como o pior início de Campeonato Brasileiro da história do clube, desde 1971. Nas vezes em que foi rebaixado, em 1991 e 2004, o time ainda teve um desempenho melhor, na comparação das primeiras seis partidas jogadas.
Mesmo com um ambiente de críticas e tensão após a partida de quarta-feira (30), com a derrota para o Juventude, em Caxias do Sul, a direção bancou a continuidade do trabalho da comissão técnica.
Após uma longa conversa em que participou o vice de futebol Marcos Herrmann, o CEO Carlos Amodeo e o presidente Romildo Bolzan Jr., a direção decidiu por dar apoio a Tiago Nunes, prestigiando o trabalho e garantindo sua permanência, mas cobrou vitórias.
Fato novo
O vice de futebol Marcos Hermann disse que “evidentemente que é inaceitável não ter nenhuma vitória no Brasileirão. Estamos presentes no dia a dia, vemos o trabalho, que é muito bom, de muita intensidade. Mas não está dando resultado no campo. Como torcedores também vemos os jogos e estamos atentos, cobramos muito a comissão técnica. Eles compreendem e também estão na busca desse resultado. Vamos fazer algum ‘fato novo’. Mas não é, neste instante, a troca da comissão técnica. Pelo menos não nestes próximos dias. Se eu disser qual é o ‘fato novo’, ele deixa de ser novo. Nós, internamente, temos que trabalhar isso”, destacou.
Remobilização
“Temos um corpo de atletas de excelência, acreditamos neles. Eles podem dar muito mais e sabemos que todos tem qualidade. As pessoas certas para fazerem isso estão na nossa comissão técnica, que já mostrou sua qualidade no cenário nacional. O que exigimos é que seja feita uma remobilização importantíssima para ao jogo de domingo (4), contra o Atlético-GO, isso é fundamental. Aceitar isso passivamente, claro que não aceitaremos”, revelou.
Torcedor comum
O vice de futebol respondeu a questionamentos da torcida dizendo que o ‘torcedor comum’ não observa o que é desenvolvido na rotina do clube. “O torcedor comum não está aqui no Centro de Treinamento vendo o trabalho. Lembro que há pouco tempo o Tiago deu alguma estabilidade ao time e teve uma sequência de doze jogos muito boa. Ele sabe de tudo isso e tem três dias para conseguir reverter o quadro. Temos uma pressão enorme e sentimos ela, especialmente o elenco. O futebol é dinâmico, não tem um prazo para o Tiago, mas queremos respostas imediatas em campo”.
Sem espaço para derrota
O presidente Romildo Bolzan foi duramente criticado desde o início da semana por não vir a público dar explicações à torcida pela fase enfrentada. Romildo enfatizou na coletiva, que sua ausência se deu por questões de saúde e pediu a compreensão de todos. O presidente foi claro em todo o discurso e tangenciou uma ‘máxima’ do futebol: nenhum trabalho se sustenta sem resultado.
O projeto é ganhar
O presidente esclareceu que apenas os três pontos interessam e que este é o projeto. “O projeto é ganhar, o que estamos organizando é a reformulação do elenco e cada vez mais promover jogadores novos, é montar um time durante o exercício, durante o período de competição. Não temos muito tempo para esperar, temos que reagir, não tem mais prazo”, ressaltou.
Carta branca
“O diagnóstico que fizemos é que se tiver que mexer, teremos que alterar. O treinador tem absoluta liberdade para fazer o que achar melhor. Ele sabe perfeitamente o que tem que fazer. Saberá dar um sangue novo, que é o essencial. Este episódio é momentâneo, acredito plenamente na capacidade de recuperação, mas precisa ser mostrado. O projeto não é para dar respostas rápidas, essa remontagem talvez perdure algum tempo. Tivemos um começo promissor e isso é o que mais nos deixa preocupados porque sabemos que pode ser dado muito mais”.